Miniacademias de ginásticas estão sendo montadas em edifícios residenciais. A praticidade, a flexibilidade de horários e até a segurança são fatores que pesam na decisão dos condôminos. Em contrapartida, fazer exercícios sem orientação de um profissional pode acarretar problemas.
Aos 46 anos, Denise Aguiar Foloni, moradora do Edifício Sidon, abandonou o sedentarismo e partiu para os exercícios físicos. Os conselhos médicos a motivaram-na a se mexer para evitar a progressão da osteopenia. “Precisava fazer vários tipos de exercícios e não sentia vontade de freqüentar uma academia.â€, conta.
A possibilidade de fazer os exercícios no próprio prédio onde mora fez com que ela se motivasse. “Sou persistente e faço exercícios todos os dias. Quando tenho tempo, desço para a sala de ginástica.â€
Denise confessa que se tivesse que sair, pegar o carro, procurar um local para estacionar, não faria exercícios diários. “Nas academias os horários são pré-determinados. Aqui tem os aparelhos básicos.†Para não correr riscos, ela consultou um personal trainer e ainda recebeu orientações de seus três filhos desportistas. “Eu não precisava perder peso, mas já perdi quatro quilosâ€, comemora.
Dentre as vantagens em ter uma academia no prédio onde mora, Denise Foloni destaca a flexibilidade de horários, não ter que se deslocar de casa para a academia e até o custo. “Aqui não tenho que pagar mensalidade.â€
A convivência entre os moradores é outra vantagem apontada por ela. “A maioria dos moradores freqüenta a sala de ginástica e a convivência se tornou mais harmônica. Passamos a nos conhecer melhorâ€, observa Denise.
De acordo com ela, alguns horários são os mais procurados. “No período noturno, as pessoas procuram mais a sala. Eu prefiro não freqüentar nesses horários para que todos possam usar os aparelhos.â€
Exercícios & leitura
É na academia montada no edifício Ebel que Orlene Daré pratica esteira e faz a leitura diária do jornal. Adepta das caminhadas, ela usa a sala de ginástica para os dias de chuva e frio. “Sempre caminhei. Quando não tenho tempo ou não posso, uso a sala de ginástica.†Ela acha que a flexibilidade no horário é a maior atração da sala de seu prédio. “Uso a sala no horário que estou disponível. Nunca freqüentei academias por causa dos horários pré-determinadosâ€, ressalta. Orlene confessa que não sente a menor falta de um personal trainer. “Só faço esteira e não preciso de orientador. Aproveito o tempo disponível para ler o jornal diário.â€
Investimentos
O síndico do Edifício Ebel, Alcides Valle, calcula que para montar a miniacademia os condôminos investiram cerca de R$ 8 mil. “Em várias reuniões de condomínio a sala de ginástica foi cogitada. Alguns moradores não concordavam. Só se convenceram quando perceberam que o investimento seria um diferencial do prédioâ€, relembra o síndico.
Valle acredita que quanto mais valores forem agregados ao edifício, mais fácil se tornará a locação e a venda dos apartamentos. â€œÉ um conforto a mais para os moradores.â€
Idealizador da sala de ginástica, o síndico não é um freqüentador assíduo, apesar de observar que a maioria dos moradores costumam usá-la, especialmente à noite e pela manhã.
Para montar a academia do edificío, segundo o síndico, foi feita uma pesquisa para saber quais os equipamentos mais usados. “Fiz uma pesquisa junto aos revendedores antes da compra. Temos duas esteiras, uma bicicleta horizontal, uma vertical, um estepe e aparelhos para musculação. A televisão foi colocada para distrair os moradores durante os exercíciosâ€, revela.
Como o prédio não tinha um espaço específico para abrigar a sala de ginástica, a sala de jogos foi dividida ao meio. “A divisão não afeta a sala de jogos, que continua sendo utilizada.â€
A sala de ginástica do Edifício Jardim América tem 40 metros quadrados e possui equipamentos de última geração, comemora o síndico, Ivan Sérgio Piraçoli. â€œÉ uma das salas mais bem equipadas dos prédios da cidadeâ€, afirma.
Para melhorar ainda mais, os condôminos do prédio estão estudando a possibilidade de mudar o piso. “Queremos colocar um piso emborrachado para amenizar o impacto.â€
Piraçoli avalia que o investimento na sala valeu muito pela convivência. “Os moradores podem fazer exercícios sem deixar de ficar com os filhos. As crianças brincam no parque, enquanto seus pais abandonam o sedentarismo.â€
O prédio não adotou um profissional único para orientar os condôminos. “Cada morador adota o seu personal trainer. Nós adquirimos os equipamentos para a comodidade delesâ€, observa Piraçoli.
Só para adultos
Em todos os prédios que adotaram a miniacademia foram discutidas e normatizadas regras de uso dos aparelhos. Crianças, na maioria dos casos, só com orientação médica e acompanhamento de adultos.
Para os adultos, a exigência fica por conta de não danificar o patrimônio. Para freqüentar a sala, o morador retira as chaves com os porteiros e assina um livro, ficando responsável pelo desligamento dos aparelhos naquele período.
Tendência
O conforto e os cuidados com a saúde, preocupações constantes da comunidade contemporânea, têm motivado muitos prédios a montarem salas de exercícios físicos, acredita o síndico do edifício Morada de Andorra, Alexandre Mauad.
Segundo ele, a tendência tem feito com que as construtoras já projetem a sala específica para ginástica. “O Morada de Andorra foi construído com uma sala para ginástica, ao lado da piscinaâ€, conta. Para ele, os prédios que investem em salas de ginástica possuem um diferencial. “Na escolha, o comprador ou locador opta por aquele que tem mais alternativas de lazer.â€
De acordo com o síndico, a maioria dos freqüentadores tem personal trainer. “Eles contratam os profissionais que querem e usam a sala conforme desejamâ€, observa.
Orientação durante os exercícios é necessária
Exercícios praticados inadequadamente podem trazer prejuízos irreparáveis, diz o personal trainer Jorge Luis Barbosa da Silva, 39 anos. “Se a pessoa não conhecer a técnica, pode ter lesões.â€
Exemplificando, ele diz que nos exercícios para desenvolver os ombros, se a pessoa não souber a postura e a carga que pode ser usada poderá causar problemas na coluna. “O leigo precisa ter orientações básicas, não basta ter os aparelhosâ€, destaca. Dentre os problemas que podem ser causados por exercícios praticados sem orientação, o personal destaca distensões, rendimentos e até fraturas com o uso inadequado dos aparelhos.
Para quem não tem possibilidade de ter um personal, as fitas de vídeo podem ser uma alternativa. “Se a fita for idônea e a pessoa já tiver uma noção, pode até conseguir fazer os exercícios e atingir o objetivo.†O personal, segundo Silva, é um profissional que tem formação em Educação Física e cursos específicos sobre nutrição, vitaminas etc.
Avaliação médica prévia
O ortopedista Aliomar Ferri Amaral aconselha a avaliação médica prévia para a prática de qualquer tipo de exercício. “Assim como a orientação durante o exercício é também importanteâ€, completa. Ele diz que é necessário fazer a avaliação cardíaca e pulmonar de quem vai realizar os exercícios físicos. “Se houver alguma alteração cardíaca ou qualquer outra, a atividade física pode piorar a situação da pessoa. A avaliação de um profissional pode mostrar se existem condições adequadas para exercícios ou nãoâ€, orienta Amaral.
O médico explica que muitas pessoas pegam um tipo de receita e começam a fazer os exercícios. “Como se fosse uma receita de bolo. Isso não deveria ser assim. Há necessidade de um acompanhamento. As atividades têm que ter um ritmo e gradativamente ir aumentando.â€
Quando isso não acontece, alerta o médico, podem ocorrer dores musculares, ruptura de tendões e ligamentos. “Em alguns casos, pode até abalar a estrutura muscular, principalmente as articulações grandes como coluna, quadril, perna, cotovelo, joelhos e tornozelosâ€, destaca.
O ortopedista frisa que através da avaliação prévia é possível dosar a quantidade de exercícios. “Homens com idade abaixo de 16 anos e mulheres abaixo de 14 anos não devem fazer musculação para ganho de massa muscular. Nessa fase, os hormônios são usados para o crescimento ósseo e os exercícios podem prejudicar a estatura do adolescente.â€
Ele alerta que até mesmo a caminhada pode prejudicar a pessoa, se for feita indiscriminadamente. “Na maioria dos casos não há prejuízos. Alguns pacientes com osteartrose, desgaste articular, devem preferir os exercícios na água, porque até a caminhada pode piorar o quadro deleâ€, afirma o ortopedista.