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Usinas sonham com cota/exportação

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Uma das principais lutas dos usineiros, senão a principal, é conseguir vender seu produto para o mercado internacional. O preço do álcool e do açúcar geralmente é mais atrativo quando o destino é algum país da Europa, Ásia ou mesmo da América.

Para proteger a agricultura dos Estados Unidos, o governo americano concede altos subsídios à produção agrícola. Isso prejudica a concorrência externa e incentiva o consumo de produtos plantados no país. O subsídio reduz o custo do agricultor com a produção.

No entanto, os poucos que conseguem vender para os Estados Unidos têm motivos de sobra para ficarem satisfeitos.

De acordo com o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão, 70 anos, o preço pago, pelos americanos, pelo açúcar brasileiro é quase três vezes maior do que o preço normal do produto.

Enquanto a tonelada de açúcar é comercializada mundialmente a US$ 170,00, nos Estados Unidos a mesma quantidade do produto é adquirida por cerca de US$ 350,00.

De acordo com Brandão, o Brasil começou a exportar álcool anidro (combustível) no ano passado. Foram 500 milhões de litros para o Japão e outros 430 milhões para os Estados Unidos. A China também teria mostrado interesse no produto.

Segundo o presidente da Associcana, esses países estariam testando o uso do álcool anidro como combustível. Enquanto isso, usineiros rezam para que os testes sejam satisfatórios. A aprovação poderá representar um salto nas exportações do álcool.

Subprodutos

Da cana não são extraídos apenas o açúcar e o álcool. Trata-se de uma matéria-prima de grande flexibilidade, da qual aproveita-se praticamente tudo.

Com ela é possível produzir vários tipos de bebidas, como cachaça, rum e vodka.

Do bagaço obtém-se compostos orgânicos para alimentação animal e para aplicação na indústria química e farmacêutica. Os resíduos da cana, como a vinhaça e o vinhoto, servem como fertilizantes.

Assim como o petróleo, a cana-de-açúcar gera um grande número de produtos, que vão de fermento a herbicidas. A vantagem, no entanto, é que os produtos derivados da cana são biodegradáveis e não prejudicam o meio ambiente.

E novos produtos não param de ser lançados. A Universidade Federal de Pernambuco, por exemplo, desenvolveu um fio cirúrgico para sutura interna à base de açúcar - famoso pelas suas propriedades cicatrizantes e anti-hemorrágicas.

De acordo com os pesquisadores, o fio de sutura derivado do açúcar é absorvido mais rapidamente pelo organismo do que o tradicional, feito de tripa de gato.

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