Jaú - Uma das principais lutas dos usineiros, senão a principal, é conseguir vender seu produto para o mercado internacional. O preço do álcool e do açúcar geralmente é mais atrativo quando o destino é algum país da Europa, Ásia ou mesmo da América.
Para proteger a agricultura dos Estados Unidos, o governo americano concede altos subsídios à produção agrícola. Isso prejudica a concorrência externa e incentiva o consumo de produtos plantados no país. O subsídio reduz o custo do agricultor com a produção.
No entanto, os poucos que conseguem vender para os Estados Unidos têm motivos de sobra para ficarem satisfeitos.
De acordo com o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão, 70 anos, o preço pago, pelos americanos, pelo açúcar brasileiro é quase três vezes maior do que o preço normal do produto.
Enquanto a tonelada de açúcar é comercializada mundialmente a US$ 170,00, nos Estados Unidos a mesma quantidade do produto é adquirida por cerca de US$ 350,00.
De acordo com Brandão, o Brasil começou a exportar álcool anidro (combustível) no ano passado. Foram 500 milhões de litros para o Japão e outros 430 milhões para os Estados Unidos. A China também teria mostrado interesse no produto.
Segundo o presidente da Associcana, esses países estariam testando o uso do álcool anidro como combustível. Enquanto isso, usineiros rezam para que os testes sejam satisfatórios. A aprovação poderá representar um salto nas exportações do álcool.
Subprodutos
Da cana não são extraídos apenas o açúcar e o álcool. Trata-se de uma matéria-prima de grande flexibilidade, da qual aproveita-se praticamente tudo.
Com ela é possível produzir vários tipos de bebidas, como cachaça, rum e vodka.
Do bagaço obtém-se compostos orgânicos para alimentação animal e para aplicação na indústria química e farmacêutica. Os resíduos da cana, como a vinhaça e o vinhoto, servem como fertilizantes.
Assim como o petróleo, a cana-de-açúcar gera um grande número de produtos, que vão de fermento a herbicidas. A vantagem, no entanto, é que os produtos derivados da cana são biodegradáveis e não prejudicam o meio ambiente.
E novos produtos não param de ser lançados. A Universidade Federal de Pernambuco, por exemplo, desenvolveu um fio cirúrgico para sutura interna à base de açúcar - famoso pelas suas propriedades cicatrizantes e anti-hemorrágicas.
De acordo com os pesquisadores, o fio de sutura derivado do açúcar é absorvido mais rapidamente pelo organismo do que o tradicional, feito de tripa de gato.