Economia & Negócios

Venda de imóveis cresce em até 80%

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

A busca pela segurança por parte de investidores preocupados com as perdas nos fundos de investimento e com as constantes altas do dólar estão fazendo com que, neste mês, a venda de imóveis - residenciais e comerciais - já registre aumento em torno de 80% sobre junho deste ano no mercado imobiliário de Bauru. A informação é do vice-presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), Emílio Viegas.

De acordo com ele, na comparação com julho do ano passado - que foi considerado um bom mês em termos de vendas de imóveis - o crescimento é de 50%. A quantidade em unidades negociadas não é revelada, mas vários empresários do ramo consultados pela reportagem confirmam o aquecimento nas vendas.

Viegas diz que o aumento pela procura de imóveis vem sendo registrado mais especificamente nos últimos 40 dias. As unidades comerciais estariam entre as preferidas dos investidores, com aproximadamente 20% a mais de procura em relação aos imóveis residenciais. Os mais cobiçados (comerciais) são os localizados na zona Sul e na área central da cidade, com preço variando de R$ 150 mil a R$ 200 mil, em média. Entre os residenciais, a principal faixa de valor dos que estão sendo adquiridos é em torno de R$ 120 mil, segundo Viegas.

“Apesar de dar resultados a longo prazo, as pessoas sabem que investir em imóveis é sempre um negócio seguro. As perdas nos fundos de investimento de renda fixa assustaram muito a quem deixava seu dinheiro aplicado nesse segmento. Juntando isso às sucessivas altas do dólar, os imóveis passaram a ser vistos por muita gente como a forma mais segura de proteger seu capital. A procura por terrenos também aumentou”, avalia Viegas.

O rendimento médio de quem investe em imóveis residenciais está girando em torno de 0,5% ao mês, segundo economistas. Quem compra imóvel comercial já alugado, registra rendimentos na faixa de 0,6% ao mês.

Bons negócios

O empresário João Assaf, proprietário de imobiliária em Bauru, diz que o volume de vendas de imóveis realizado em junho triplicou em relação à maio. Na comparação entre julho (até ontem) e maio, o crescimento teria sido quatro vezes maior. Além dos negócios concretizados, a procura por informações sobre imóveis disponíveis para venda também estaria alta.

“Essa situação no mercado imobiliário é reflexo de várias coisas. Entre elas, os baixos rendimentos das aplicações financeiras consideradas de pouco risco, as perdas nos fundos de investimento, a alta do dólar e a incerteza que sempre aparece em época de eleições presidenciais. Isso faz com que as pessoas invistam em imóveis por ser uma aplicação segura. Entre os investimentos de médio e longo prazo, o imóvel tem retorno garantido”, diz Assaf.

O empresário observa que o momento está propício para investir no setor porque os valores dos imóveis estariam defasados há cerca de sete anos. Mas com toda a procura que vem sendo registrada, e que todos os entrevistados avaliam que deve continuar aumentando, a conseqüência natural é de que esses preços sofram acréscimo em breve. “Enquanto todos os outros bens foram valorizados, os imóveis ficaram no mesmo patamar de valor. Isso também é preponderante para essa acentuada atração de investidores pelo mercado imobiliário”, pondera Assaf.

Alvo

Outro empresário do setor, Daniel Moraes, afirma que nos meses de junho e julho as vendas de imóveis residenciais, comerciais e terrenos aumentaram, juntas, cerca de 50% sobre os demais meses do ano. Segundo ele, os residenciais têm sido o alvo de pessoas que pouparam dinheiro e decidiram investir na casa própria ou num imóvel maior em lugar das aplicações financeiras.

Já os comerciais, seriam preferidos pelos investidores propriamente ditos. Nesse caso, as unidades que já estão alugadas são as mais procuradas, porque o investidor já garante o rendimento proveniente do aluguel.

“O mercado está realmente muito aquecido. Com todos os empresários do ramo que converso diariamente, sempre alguém fala sobre vendas concretizadas. Acredito ser possível dizer que, no mercado imobiliário de Bauru como um todo, a cada dia são fechados contratos de venda, incluindo de terrenos”, observa.

Hora de anunciar

Os departamentos comercial e de marketing do Jornal da Cidade registram um crescente movimento de imobiliárias em busca de compra de espaço e renovação de contratos para que suas ofertas não fiquem fora desse “boom” de procura e oferta que se instalou. O gerente comercial do JC, Sérgio Merino, informa que há uma corrida contra o tempo por parte dos empreendedores do ramo imobiliário. “Quem está em sintonia fina com o mercado sabe que agora é a hora certa para anunciar. Aqueles que têm dinheiro aplicado migram suas economias para negócios mais sólidos e o setor imobiliário de Bauru é uma garantia disso, sem dúvida”, afirma.

João Carlos Amaral, gerente de marketing, observa que maior impulso que este nos negócios não há e que, com agilidade e boas idéias, os empresários do setor podem anunciar de uma forma agressiva, tornando atrativos seus produtos, uma vez que há uma procura bastante diversificada, para todos os níveis de renda”.

O JC mobilizou suas equipes de venda e criação para atender a demanda, uma vez que o veículo jornal é a mídia tradicional e forte quanto o negócio é vender e mesmo alugar imóveis.

Proteção

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, diz que, basicamente, o acentuado aquecimento no setor imobiliário se deve ao fato dos investidores desconhecerem os mecanismos da economia - o que leva à decisão imediata de proteger o capital numa aplicação segura - e pela insegurança em relação à transição no Governo Federal, além da própria fuga do mercado financeiro.

Muitos migraram para o ouro, que de R$ 17,00 (o grama) no final de 2001 saltou para R$ 31,00, em valores atuais, e que pode ser transformado em dinheiro em qualquer parte do mundo. Outros, apostaram em obras de arte (bens reais) e no mercado futuro.

“O grande risco que se vê agora no mercado imobiliário é o aumento dos preços de imóveis, resultado do crescimento da procura. Então, o investidor deve ficar atento para não comprar um imóvel a preço mais caro do que o seu real valor. A precipitação deve ser evitada, pois pode fazer com que o aplicador não consiga, futuramente, recuperar seu investimento. Além disso, nos residenciais existem os custos de manutenção enquanto ele não estiver locado. Tomando os devidos cuidados, para proteger capital a compra de imóveis é bom negócio”, afirma.

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