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Para órgão de proteção aos animais, novas regras não evitam maus-tratos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 1 min

“A lei não mudará nada nos rodeios e os maus-tratos aos animais vão continuar”. A opinião é de Damair Pereira de Almeida, delegada da Sociedade de Proteção Ambiental Mountarat que, em 1999, então como delegada da União Intermunicipal de Proteção aos Animais (Uipa), ingressou na Justiça com pedido de liminar alegando maus-tratos aos animais em rodeios.

O pedido culminou na decisão do Tribunal de Justiça, ainda em vigor, que proíbe o uso de espora e sedém em cavalos e touros em Bauru, Avaí e Arealva. “Vou continuar indo aos rodeios para denunciar casos de maus-tratos. Maus-tratos não é só descumprir a lei, são qualquer abuso que cause sofrimento ao animal”, afirma.

Damair afirma que as regras para uso de apetrechos em montarias não são suficientes para evitar os maus-tratos. “Mesmo que o apetrecho seja revestido de lã, como diz a lei, causa dano interno ao animal. Não são só os ferimentos externos que nos preocupam, mas também os internos. Há laudos científicos que comprovam isso”, afirma.

Para a delegada da Mountarat, as exigências com transporte e acomodação dos animais não serão cumpridas. “Sabemos que, na prática, isso não vai funcionar. Os veterinários envolvidos em rodeios são coniventes e por isso não adianta nada a lei prever que cabe a esse profissional a fiscalização”, diz.

Damair sustenta que a lei foi aprovada porque os rodeios no Brasil movimentam altas cifras. “O dinheiro foi a única coisa que levou à aprovação dessa lei. A exploração aos animais não foi considerada. Para mim, nada mudou. Tínhamos uma resolução estadual que ditava as regras para os rodeios e agora é uma lei federal, mas os maus-tratos vão continuar”, completa.

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