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Trabalho de saúde bucal é premiado

Da Redação
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Um dos trabalhos de prevenção em saúde bucal aplicados na rede básica de saúde do município de Bauru foi premiado no 10.º Congresso Nacional da Associação Brasileira de Odontologia para Promoção de Saúde, realizado de 26 a 28 de julho em São Paulo. O trabalho intitulado “Promoção de saúde bucal em pacientes HIV-positivos, ênfase na abordagem materno-infantil”, ficou em 3.º lugar na classificação geral.

O trabalho foi o único premiado na categoria de programas promocionais em saúde bucal, concorrendo com dezenas de outros, abordando diversas populações. Como explica Régia Zanata, autora da proposta, Bauru, através de uma ação conjunta entre o Programa DST/Aids e a saúde bucal, implementou assistência odontológica diferenciada a pacientes HIV-positivos. O objetivo é otimizar o tratamento oferecido, visando a qualidade de vida dessas pessoas, com o intuito de que a dor de dente não seja um sofrimento a mais.

Apesar da doença cárie e da doença periodontal (doença de gengiva) atingirem de forma descontrolada e severa muitos dos pacientes HIV, estes são de difícil adesão ao atendimento odontológico convencional, pois a saúde bucal não é vista como prioridade. A situação é mais preocupante com relação à população infantil, pois as crianças dependem de um cuidador. A negligência da higiene, aliada ao elevado teor de sacarose contido nos vários medicamentos antiretrovirais e a fatores imunológicos e de saúde geral, podem ser apontados como responsáveis por uma alta prevalência de cárie nas crianças HIV positivas.

De acordo com Régia, a proposta do projeto é reparar os danos causados pelas doenças através da adequação bucal, que consiste na eliminação de focos de infecção. Para isso, são feitos procedimentos como exodontias, curativos, remoção de tártaro, limpezas profissionais, remoção de tecido cariado e selamento das cavidades com cimento de ionômero de vidro.

“Este é um procedimento clínico que se caracteriza por ser de fácil execução, pouco invasivo, e mais rápido do que o modelo restaurador convencional. O controle químico das bactérias, através de antimicrobianos como a clorexidina, também foi empregado nos pacientes altamente afetados pelas doenças e os de difícil motivação, pois a educação do paciente e a sua conscientização sobre a importância do problema que ele enfrenta é a chave para bons resultados em qualquer programa de saúde”, enfatiza Régia.

A educação e prevenção do programa foram desenvolvidas através de abordagens individuais e em sala de espera. Segundo ela, os pacientes recebem folder explicativo e orientação para o controle de placa através do auto-cuidado (higiene). Para viabilizar o auto-cuidado foram distribuídos kits de higiene bucal.

A proposta de atendimento odontológico integral e integrado, tendo a saúde do paciente e não a doença como foco, é o objetivo a ser atingido, principalmente para a população infantil, pois a expectativa de vida dos pacientes contaminados com o vírus HIV é crescente.

“O desafio é, aos poucos, mudar o perfil de atendimento do emergencial para o promocional. Os obstáculos são transformar o paciente em co-agente na terapia e prevenção destas doenças bucais e integrar a odontologia às áreas médicas e paramédicas” diz a autora da proposta.

No período de 30 meses foram atendidos 214 pacientes, incluindo 41 crianças e 13 gestantes. Na faixa etária de 3 a 14 anos, das 20 crianças examinadas 14 mostravam-se cárie ativas (70%). Na faixa etária de 0 a 2 anos, 14,3% dos bebês eram cárie ativos.

O número médio de retornos das pessoas agendadas foi reduzido de sete para três, o que é conveniente tanto para o paciente, o qual muitas vezes fica impossibilitado de dar continuidade ao tratamento odontológico devido aos freqüentes surtos de melhora e piora do seu estado de saúde, como para o serviço prestador, que atende um número maior de pacientes sem prejuízo da qualidade do atendimento.

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