O ex-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Gomes (PC do B), visitou ontem a cidade em campanha pelo Senado Federal. Gomes faz dobradinha com o deputado Aloízio Mercadante e pretende, junto com o petista, ocupar as duas cadeiras disponíveis para o Estado de São Paulo no Congresso.
Membro da Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Gomes considera que os sindicatos de trabalhadores têm a missão de se inserir no processo político nacional. “Assim como os empresários apóiam e fornecem estrutura para seus candidatos, assim como os sindicatos patronais têm seus candidatos, os trabalhadores também devem se engajar na disputa pelo seu representanteâ€, cita.
Ele considera que a Força Sindical, que apóia a candidatura Ciro Gomes (PPS), não milita no campo da oposição ao governo federal. “Nós consideramos que a Força Sindical foi criada para dar sustentação ao projeto neoliberal do governo. Ela não é exatamente uma central sindical e o objetivo não é representar exatamente os trabalhadoresâ€, afirma.
Para o comunista, a escolha para ocupar a segunda vaga ao Senado não é uma tarefa difícil. “Temos entre os candidatos o Romeu Tuma, que já teve sua oportunidade de trabalhar pelo País e não o fez. Está na hora da população abrir espaço para outros representantes. O (Orestes) Quércia tem o mérito de ter combatido a política neoliberal durante os últimos anos, mas também já desempenhou seu papel no Congresso. Então, vamos ocupar esse espaço junto com o Mercadanteâ€, diz.
Wagner Gomes acredita que a eleição majoritária para presidente e governador deixa a disputa pelo Senado em segundo plano até o início do horário eleitoral. â€œÉ natural que as eleições majoritárias monopolizem o noticiário e a atenção do público. Mas o eleitor vai ser despertado para a importância da escolha para o Senado a partir do horário gratuito na televisãoâ€, menciona.
O sindicalista critica a distribuição das cadeiras no Senado entre os demais Estados da federação. “Não se trata de bairrismo, mas o Tocantins não pode ter o mesmo número de senadores que São Paulo e outros estados maiores porque o critério deveria ser o número de eleitores. A concentração populacional no Sudeste é muito maior e é injusta essa forma de distribuição igual para todos os Estadosâ€, defende.
Gomes salienta que a aliança com o PT tem como ponto central o rompimento com o atual modelo econômico. “O Lula (presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva) é claro em sua crítica ao atual modelo. E isso não significa deixar de cumprir contratos. A questão central é que o povo não vai continuar sendo sacrificado com fome e miséria para a continuidade do pagamento dos juros da dívida externa. Essa é a questão central que nós e o Lula combatemosâ€, comenta.