Bairros

Pichação: população adota alternativa

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Grafitagem e doações a instituições e famílias carentes são alternativas que têm surtido efeito no combate à pichação nas ruas de Bauru. Empresas, estabelecimentos comerciais e órgãos públicos têm apelado à criatividade como alternativa para manter seus muros limpos.

Há cerca de dois anos, a Tilibra têm conseguido manter os pichadores distantes da extensa parede que circunda a empresa. A diretoria decidiu instalar placas nos muros informando que a cada mês sem pichações, uma escola seria beneficiada com materiais escolares. “Já há quase dois anos o muro está intacto. Antes, virava e mexia o muro estava pichado”, diz Ricardo Carrijo, gerente de Qualidade e Produtividade da empresa.

Ele afirma que mensalmente uma escola, creche ou entidade carente recebe R$ 300,00 já que os muros não estão sendo pichados. “Mais gente poderia ter essa iniciativa para reduzir a poluição visual na cidade”, acredita Carrijo.

A exemplo da Tilibra, o salão de beleza Sebastião e Luzia, que fica nos Altos da Cidade, instalou na parede que circunda o estabelecimento placas com os dizeres: “A cada mês que esta parede não é pichada, uma família é ajudada”.

Mensalmente, o estabelecimento doa uma cesta básica a uma família carente de Bauru. “Eu quis realizar algo que estivesse ao nosso alcance. Há anos isso estava na minha cabeça. Os funcionários sugerem uma família carente, com gente desempregada, precisando comer, e nós fazemos a entrega”, diz Gislaine Toma de Souza, gerente do salão.

“Tem tido resultado”, afirma. Anteriormente, os gastos com a pintura do muro eram grandes em virtude da pichação. Desde então, o dinheiro vem sendo revertido para famílias carentes.

Outra alternativa empregada por alguns estabelecimentos é a da câmera com os dizeres “você está sendo filmado” pintados no muro.

Grafite

Quem passa pela quadra 8 da avenida Nações Unidas pode observar desenhos feitos por gratifeiros nos muros externos do Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”. A atividade, que também tem como objetivo evitar a pichação, faz parte do projeto Arte Urbana.

De acordo com Roberta Mathias, diretora de Pesquisa e Documentação da Secretaria Municipal de Cultura, o projeto teve início no ano passado. Já foram grafitados os muros externos e internos do Centro Cultural, além de outro na rua Araújo Leite.

As pichações tiveram uma redução significativa, apesar da frente do órgão ter sido “marcada” há cerca de quinze dias. “O grafite funciona, mas ainda não como a gente gostaria. Antes, tínhamos pichação até dentro do banheiro. Percebemos que onde tem grafite eles não picham. Eles respeitam e pintam as áreas brancas”, expõe Roberta.

O projeto Arte Urbana está aceitando apoio de empresas dispostas a colaborar com materiais, como tintas. “Há muros para grafitar e artistas cadastrados. Nossa dificuldade são os materiais”, diz Roberta.

O rapper Antenor Smok, ex-pichador, defende o grafite como uma alternativa para não apenas deixar a cidade bonita, mas dar um trabalho aos meninos habituados à pichação.

“O povo precisa de espaço. Os moleques que estão sem grana querem um espaço, querem se manifestar. Se ele não conhece o grafite, ele entra nessa de pichação, que é uma poluição visual”, expõe.

Ele afirma que abandonou a pichação por falta de interesse. “Quando eu ia era porque eu estava com a lata e o rolo na mão”, observa.

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