Cultura

'Maria Peregrina' traz mito popular

Da Redação
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Maria Peregrina, também conhecida como Nega do Saco ou Maria do Saco, foi uma mulher que viveu por mais de 20 anos nas ruas de Santana, um dos bairros mais antigos da cidade de São José dos Campos, no Vale do Paraíba. De origem e razões desconhecidas, Maria morou debaixo de árvores e perambulou até morrer, em 1964.

Teria sido esquecida, como são todos andarilhos, se não tivesse deixado a vida para povoar o imaginário popular e ser considerada uma santa fazedora de milagres, que leva dezenas de pessoas ao seu túmulo todos os dias.

A insólita história dessa personagem é contada no espetáculo “Maria Peregrina”, que a Companhia de Teatro da Cidade, de São José dos Campos, apresenta hoje, no Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves”, às 21h e amanhã, às 20h. A peça é promovida pelo Projeto Cena Aberta, da Secretaria Municipal de Cultura e integra as atividades comemorativas dos 106 anos de Bauru. O apoio é da Doceana e da Pizzaria Dona Mussarela.

A partir de suas próprias pesquisas, o dramaturgo Luís Alberto de Abreu – a pedido da Companhia de Teatro da Cidade – escreveu o texto utilizando-se de fatos e episódios levantados sobre Maria Peregrina, transformando o espetáculo em três histórias distintas que narram o universo da personagem.

Desde sua estréia, a peça dirigida por Cláudio Mendel, viaja pelo Interior do Estado de São Paulo com sucesso de público e crítica. Com a peça, a companhia venceu a fase estadual do Mapa Cultural Paulista de 2002.

Em 2001, “Maria Peregrina” também foi premiada no 8º Festival de Teatro de Presidente Prudente e participou da Mostra Fringe do 10º Festival de Teatro de Curitiba.

A montagem se utiliza de técnicas do teatro épico e da narrativa, nas quais os atores narram e vivenciam ao mesmo tempo as histórias. “Estava envolvido com a pesquisa de um teatro narrativo, que tivesse o saber e o encanto dos antigos ‘causos’ contados à beira do fogão de lenha”, explica o autor Luís Alberto de Abreu, segundo a assessoria da Secretaria da Cultura.

O espetáculo também resgata as músicas folclóricas e as festas populares do Vale do Paraíba. Recolhidas pelo professor e violonista Márcio de Oliveira, as músicas são interpretadas, ao vivo, pelos próprios atores. O cenário e os figurinos da peça foram criados pelo artista plástico Carlos Eduardo Colabone, que se inspirou nas obras da figureiras de São José dos Campos e Taubaté.

O elenco da peça é formado por Andréia Barros, Vander Palma, Carlos Rosa, Marcio Douglas, Karina Muller, Conceição de Castro e Silvia King.

O grupo

A Companhia de Teatro da Cidade foi criada em 1990 como o Grupo Estável da Fundação Cultural “Cassiano Ricardo”, em São José dos Campos. Tornou-se independente em 1993 e, desde então, vem se dedicando à pesquisa e aos estudos das artes cênicas. Criada há 12 anos, a companhia já produziu 14 espetáculos, percorrendo diversas cidades do país e contabilizando mais de 400 apresentações.

Em 2000, a Companhia de Teatro da Cidade partiu para um novo empreendimento: o Centro de Artes Cênicas “Walmor Chagas”, espaço aberto à comunidade, comprometido com a pesquisa e a difusão cultural.

• Serviço

“Maria Peregrina”, com a Companhia de Teatro da Cidade. Hoje, às 21h e amanhã, às 20h, no Teatro Municipal. Entrada gratuita, com retirada antecipada de ingressos. Av. Nações Unidas, 8-9. Informações: (14) 235-1072.

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