Economia & Negócios

Cresce o número de empresas em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

As dificuldades impostas a empresários de todos os portes e aos trabalhadores em geral pelo turbulento quadro econômico e político deste ano, mais acentuadamente nos últimos meses, não impediram que a quantidade de empresas abertas em Bauru durante os sete primeiros meses de 2002 superasse os números de igual período do ano passado. Segundo dados da sede local da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), foram efetuados 706 registros de novas empresas de janeiro a julho deste ano, contra 640 nos primeiros sete meses de 2001. O aumento é de 10,31%.

De acordo com os administradores da Jucesp, Paulo Roberto Martinello e Cris Moreno, a maioria dessas novas empresas atua no segmento de comércio e são microempresas - as que mais geram empregos no País. Para Martinello, o resultado positivo deste ano foi surpreendente, já que a economia brasileira atravessa tempos tão difíceis.

â€œÉ fato que muitas pessoas que são demitidas e sonham em ter um negócio próprio utilizam o dinheiro do FGTS para realizar seu ideal de vida. Mesmo assim, a diferença de 66 empresas a mais sendo abertas neste ano é um resultado que nos deixa muito confiantes, porque o cenário econômico não está estimulando ninguém”, observa.

O economista e consultor Carlos Roberto Sette confirma que grande parte desses novos estabelecimentos são administrados por pequenos empreendedores que têm experiência num determinado ramo. Para ele, o resultado positivo dos sete primeiros meses de 2002 é fruto, basicamente, da natureza empreendedora do povo brasileiro, da confiança que os bauruenses estariam adquirindo em relação aos rumos que a cidade está tomando e da quantidade maior de comerciantes informais que estão “formalizando” seu negócio.

“O brasileiro é naturalmente empreendedor e corajoso. O que falta para a maioria dessas pessoas é dinheiro para bancar esse jogo. Muitos abrem sua própria microempresa porque precisam sobreviver. Outro ponto que pode estar pesando muito nesse resultado é que um grande número de pessoas está saindo do mercado informal. A fiscalização sobre esse setor está mais severa e muitos decidiram regularizar sua situação junto ao comércio”, avalia Sette.

Segundo ele, também há muitos novos estabelecimentos sendo abertos na área de prestação de serviços. “Eu tenho visto muitos casos em que o empresário, em função dos altos encargos sociais, ajuda um funcionário especializado a abrir negócio próprio para que os serviços sejam terceirizados ao seu antigo empregador. Aí surgem as microempresas de prestação de serviços”, relata o consultor.

Para Sette, Bauru está começando a dar sinais rumo ao crescimento econômico. Isso estaria servindo de incentivo aos empresários em potencial. “Percebe-se que a cidade, em termos de desenvolvimento, não está mais marcando passo, e sim, caminhando com passos firmes para frente. A tendência que se mostra é de continuidade desse quadro positivo para os próximos meses”, avalia o economista e consultor.

Reflexos futuros

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, também se diz surpreso com os números de 2002. “Com todos os problemas ocorridos no ano passado, como crise da Argentina, racionamento de energia elétrica e as altas violentas de juros, houve uma retração no desenvolvimento econômico de todo o País e a previsão era de que a situação seria melhor neste ano. Mesmo assim, em função do turbulento quadro econômico e político que vivemos, o crescimento em torno de 10% na quantidade de empresas sendo abertas na cidade é surpreendente, mesmo sendo microempresas”, afirma.

Por outro lado, ele frisa que esse aquecimento ainda não estaria sendo verificado na prática, junto ao comércio em geral. Desde o início do ano, grande parte dos comerciantes locais viria “amargando” perdas no faturamento em relação ao ano passado, segundo Carvalho.

Para ele, os reflexos desse crescimento - incluindo as mais de 40 lojas instaladas no Avenida Shopping, inaugurado na última sexta-feira - virão dentro dos próximos meses. “Acredito que a estabilidade política que Bauru passou a vivenciar nos últimos meses está gerando um clima de confiança nas pessoas. Muitas obras estão sendo feitas e as antigas e constantes crises políticas locais cessaram. Isso dá tranqüilidade e encoraja muitos empreendedores a investir no sonho do negócio próprio, mas os resultados devem vir com o tempo”, observa.

Cautela

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), Walace Garroux Sampaio, diz que os números da Jucesp devem ser analisados com muita cautela. Segundo ele, o aumento no número de empresas não se reflete, necessariamente, no aquecimento da economia local.

“A realidade do momento é que esses novos negócios resumem-se, em sua maioria, em microempresas abertas por pessoas que perderam o emprego e que estão localizadas em bairros. A situação no comércio central, por exemplo, está estável. Mas isso também é positivo, porque mostra a ampliação do comércio na cidade. Além disso, as microempresas são consideradas as principais geradoras de emprego. Mas esses números ainda não alteram o quadro de economia estável em Bauru na comparação com o ano passado”, destaca.

O diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sérgio Evandro Motta, também afirma que ainda não estão sendo percebidos os reflexos do aumento de empresas sendo abertas na cidade. “Muitas que fizeram seu registro formal na Jucesp já existiam na informalidade. São números positivos, obviamente, mas na prática o comércio ainda não sente o aquecimento da economia local”, diz Motta.

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