Há muito tempo Bauru deixou de ser apenas uma “cidade do interiorâ€. Com cerca de 316 mil habitantes, o município tem uma participação muito importante no desenvolvimento do Estado de São Paulo. No entanto, a falta de planejamento e o crescimento desordenado acabaram deixando a população da cidade carente de prestação de serviço oficial.
Acompanhando as tendências do momento, os órgãos públicos foram descentralizados, mas ainda assim não estão sendo suficientes para atender a demanda.
Mesmo nos bairros considerados “privilegiados†no que tange à distribuição de órgãos públicos, como o Jardim Bela Vista por exemplo, a insatisfação com o atendimento é constante. “Nós estamos bem servidos de estabelecimentos públicos de prestação de serviço. Mas, quando chegamos até eles, o atendimento deixa muito a desejarâ€, diz a presidente da Associação de Moradores do bairro, Mariá Jane Ribeiro Longhi.
A distribuição dos estabelecimentos de prestação de serviço pela cidade geralmente obedece à densidade demográfica e à necessidade de cada bairro. Com isso, há locais com vários pontos de atendimentos e outros, distantes muitos quilômetros desses órgãos.
Necessidade de expansão
A maioria dos serviços públicos está saturada. O crescimento populacional tem sido em ritmo geométrico e os órgãos de prestação de serviço não conseguem acompanhar essa evolução.
No caso de segurança pública, a descentralização dos postos de atendimento integra a nova política do governo, que visa aproximar a polícia da população.
Há mais de 20 anos, a polícia civil começou a dividir as suas delegacias em distritos policiais (DP). Bauru tem quatro unidades, espalhadas pelos bairros Jardim Estoril, Vila Falcão, Parque Vista Alegre e Jardim Cruzeiro do Sul.
De acordo com o delegado seccional de Bauru, Antonio Ângelo Ciocca, o ideal é que exista um DP para cada 50 mil habitantes. Como Bauru já ultrapassou a casa dos 316 mil moradores, a expansão é inevitável. “Estamos tentando criar mais dois DP’s na cidade, para melhorar o atendimento à populaçãoâ€, salienta Ciocca.
O pedido já foi feito para o Departamento de Polícia Judiciária do Interior e aguarda uma resposta do governo.
A Polícia Militar (PM) foi pelo mesmo caminho e criou as Bases Comunitárias. Elas estão divididas por região - Oeste, Sul, Centro, etc. - e visam prestar um serviço mais interativo com a população. No total, são seis bases, funcionando em pontos distintos da cidade.
Municipalizada há 15 anos, a rede ambulatorial de saúde é um dos grandes problemas enfrentados pela população. Falta de médicos e remédios, longas filas de espera e precariedade no atendimento são as principais falhas apontadas por quem precisa utilizar um núcleo de saúde.
A diretora do Departamento de Unidades Ambulatoriais da Secretaria Municipal de Saúde, Jaíra Maria Rocco Kirchner, diz que o problema já foi detectado, mas que a solução está longe de acontecer. “Nós temos um ideal de atendimento, mas o problema é como fazê-lo acontecer. Temos inúmeras dificuldades, que começam pela falta de recursos e de autorização para contratar novos profissionaisâ€, revela.
Ela acredita que seria satisfatório se fosse instalada uma unidade de saúde com uma distância pequena uma da outra. Mas, isso é inviável na situação financeira atual. “Se Bauru fosse um município com mais arrecadação de recursos, poderíamos estudar essa propostaâ€, salienta.
Uma das saídas para tentar sanar o problema, segundo Jaíra, seria fazer um cadastramento dos usuários dos núcleos de saúde. Dessa forma, ficaria mais fácil traçar as necessidades de cada região. No entanto, segundo ressaltou a diretora, isso está sendo complicado pela própria disponibilidade da população. “Tem muita gente que se recusa a fornecer seus dadosâ€, destaca.
A Secretaria Municipal da Educação, que está assumindo a administração das creches municipais - até então a responsabilidade era da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) -, também tem propostas de traçar um perfil dos usuários do estabelecimento social e educativo.
Solange Reis, diretora do Departamento de Educação Infantil da pasta, explica que a idéia é saber quais bairros são mais carentes em termos de creche e qual o perfil dos usuários. “Esse estudo já vem sendo feito desde o começo do ano para saber exatamente o número de crianças excedentesâ€, diz.
Sub-prefeituras
Para o professor do Departamento de Geografia Humana e Turismo e de Urbanismo da Universidade do Sagrado Coração (USC), Sebastião Clementino da Silva, o Macalé, Bauru deveria seguir exemplos das cidades de Curitiba e São Paulo. “Devido ao crescimento do município, o ideal seria que ele fosse administrado de forma descentralizada, através de sub-prefeiturasâ€, explica.
Ele salienta que a cidade já tem meio caminho andado nesse sentido, já que possui oito administrações regionais. â€œÉ necessário apenas mudar o conceito de trabalho desses órgãos, desvinculando-os tanto da atuação política e passando para a atuação executiva.â€
Macalé diz que Bauru não está crescendo, está inchando. Isso porque a cidade não tem um planejamento para direcionar o seu avanço e a população está se amontoando, sem o apoio e atendimento necessários do Poder Público. “Os órgãos públicos não conseguem acompanhar essa evolução porque não foram programados para issoâ€, frisa o professor.
Ele defende a participação da comunidade no desenvolvimento de um Plano Diretor voltado às necessidades atuais do município. “Tem que fomentar a interatividade das pessoas com a administração da cidadeâ€, diz.