Vida
Como pode alguém chegar do nada, olhar nos olhos e despertar uma louca paixão?
Aconteceu comigo. Em meio a tantos transtornos, mudanças, surgiu uma luz em meu caminho. Tal brilho no olhar era raro e, com apenas um verso de Quintana, enxugou minhas lágrimas, colocando tempero em meu viver. Comecei a ver o mundo com outros olhos. Se eu estava triste, chorava, me acalmava com suas palavras. Chegou no momento certo, fazendo com que eu esquecesse por completo o sofrimento. Mudei o meu caminho e passei a fazer coisas que nunca fizera antes. E o principal, não me sentia sozinha e desamparada, sempre estava ao meu lado. Quantos planos e sonhos! Quis respirar ao lado dele, fazê-lo feliz, pois só assim seria. Nos meus pensamentos ele estava. Lutei para tê-lo por perto, de corpo e alma. Todos que nos conheciam, diziam do perigo que ele representava em minha vida: voava como um pássaro... livre, porém como controlar o coração?
Queria gritar ao mundo o que estava sentindo, mas a sutileza era necessária no momento. Como ele vivia livre, solto, viajava demais; às vezes a trabalho, às vezes a passeio com amigos (onde prevaleciam as amigas, nas quais nunca interferi, pois o conheci assim. Mudá-lo, nunca quis. Apenas queria vê-lo vitorioso, amado e a me olhar como no primeiro encontro. Nosso contato era diário e sua voz me acalmava à distância, suportando a saudade e o ciúme. Não discutíamos, contudo forças ocultas e, às vezes, visíveis chegavam com entusiasmo para nos afastar. Muitas vezes, enfraquecido, se afastava de mim e eu perdia o chão. Susanna Holf escrevera em uma de suas músicas, Eternal Flame... Am I only dreaming?..., e assim pus-me a cantar a solidão. Por gostar tanto, cuidava e isso o sufocou, dizia ser possessiva, mas não era essa a intenção. A realidade chegou e hoje sinto saudades das palavras, da voz, do cheiro... de tudo o que fazíamos. Sonhei sozinha? Claro que não, mas o mundo contagia com suas belezas. Ele preferiu a liberdade, amizades novas, o não compromisso, viagens ao meu sincero amor. Ele não enxergou que o faria feliz e que tudo poderia acontecer ao meu lado, porém como já disse, como controlar o coração? Do início ao fim ele escrevera. O destino não fora solidário comigo. Acabou como começou: no papel.
Restam agora as lembranças de tudo o que vivemos. Nosso encontro não foi por acaso. Busco entender o porquê de cruzar o meu caminho?! Um ano e três meses me acalmara e em apenas um dia (dos namorados) acabara com os meus sonhos. Tanto amor ainda resta, mas dói saber que dos meus lábios não sentirá mais o sabor; que do meu corpo não mais se alimentará e das minhas palavras não mais ouvirá eu te amo. Deixou-me no momento que poderíamos viver intensamente o mundo lá fora e nos conhecermos ainda mais. No momento que mais precisara. Como esquecer alguém tão especial? A sua baixinha...? Tudo o que vivemos? Não vê-lo, ouvi-lo, será ruim, todavia é preciso recomeçar, nascer novamente. Mesmo distante o cuidarei. Estarei sempre por perto, como ele dizia. Se estiveres a olhar as estrelas, eu serei a de maior brilho a iluminar o seu olhar; se na rede a balançar olhar a lua, do outro lado estarei a contemplá-lo nela refletido. E, se nossos olhares se cruzarem, não saberei o que fazer, só sentirei. Bastará, pois sempre compreenderá os meus olhos. Eles sempre dirão que nunca o esqueci, que o amor não morreu, apenas entenderá que com sua partida, o meu sorriso se foi, mas a vida continua e que ele sempre será a minha vida.
Tudo vai passar!
Lavignie