O clima de campanha eleitoral chegou à Câmara Municipal. Faltando 54 dias para as eleições, alguns vereadores decidiram quebrar o protocolo e transformar a tribuna livre do Poder Legislativo em palanque eleitoral, embora uma portaria da presidência da Casa proiba esse tipo de manifestação.
Até 6 de outubro, a Câmara ainda vai realizar sete reuniões legislativas. Antes do início da votação da pauta de projetos, cada parlamentar tem direito a dez minutos de tribuna para comentar sobre qualquer assunto.
O vereador Milton Dota Jr. (PTB) foi o primeiro a inaugurar a onda de discursos eleitorais. Ele é o autor de uma Moção de Aplauso à diretoria da Tilibra. O petebista elogiou o comando da empresa pelo desmentido de que estaria com intenções de deixar Bauru.
O assunto surgiu na visita que o candidato a governador Paulo Maluf (PPB) fez a cidade no último dia 1. Maluf fez comentários na imprensa sobre o assunto para defender a guerra fiscal entre os Estados.
Dota Jr. não perdeu tempo em atacar o candidato pepebista, lembrando que suas “maracutaias†já são conhecidas do eleitorado. Disse, ainda, que o jargão “rouba mas faz†não cola mais.
“Declarações como as praticadas pelo candidato só deslustram o processo eleitoral, que deve ser democrático, mas não irresponsávelâ€, critica.
Para o parlamentar, se Maluf tivesse recebido “crédito†e a direção da empresa não providenciasse o desmentido, mais de 1.000 trabalhadores diretos e suas famílias estariam intranqüilos com a possibilidade do desemprego.
Defensor
Coincidentemente, logo após a fala do petebista, o vereador Paulo Madureira (PPB) usou a tribuna. Defensor da candidatura Maluf - afinal, ele é do mesmo partido do candidato -, Madureira não hesitou em rebater as críticas de Dota Jr.
O pepebista reforçou que a diretoria da Tilibra tinha sim, no passado recente, intenções de deixar Bauru para instalar sua fábrica na Bahia, devido aos incentivos fiscais.
“A questão do desemprego é grande. O governador Geraldo Alckmin, como diz o Maluf, é um frouxo por não ter entrado na guerra fiscalâ€, contra-atacou.
A vereadora Majô Jandreice (PC do B) comprou a briga e saiu em defesa dos trabalhadores. “Uma empresa vai para a Bahia não só porque vai pagar menos impostos, mas também porque os salários dos trabalhadores é menorâ€, critica.
O contra-ataque malufista pousa em seguida. O vereador José Eduardo Ávila (PPB) tentou amenizar a situação. “O Maluf, em nenhum momento, afirma que a empresa vai deixar a cidade. Ele comentou um assunto que há tempos se fala e apenas alertouâ€, diz.
Os tucanos também deixaram o ninho para voar em defesa de seu candidato ao governo do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB).
O vereador João Parreira (PSDB), um dos últimos a usar a tribuna livre de ontem, aproveitou seu minuto final de discurso para defender o tucano. “O Maluf faz lembrar a Paulipetro. É coisa do passado. O negócio, agora, é o Geraldo Alckmin.â€
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