A cena é um tanto comum: no dia seguinte, duas amigas conversam sobre os “micos†ou os “king-kongs†que pagaram na noite anterior. Uma diz: “Meu Deus do céu, por que você me deixou ligar para ele?â€, e a outra responde: “Minha filha, quem te segura nessas horas? Você faz o que quer e ai de quem chegar perto!â€.
A primeira teria ligado para o ex-namorado que já deixou claro que não quer mais que ela o procure, mas ela se justifica: “Nessas horas, quando a gente fica mais sensível por causa da bebida, dá mais saudade e é difícil controlar os dedos, eles vão até o telefone e discam sozinhos, sem o comando do nosso cérebroâ€, brinca. Mas o que ela não lembra é da conversa que tiveram. A amiga, então, faz questão de detalhar: “Sua boba, você ligou e a ‘atual’ atendeu. Você xingou a garota e a ameaçou várias vezes até que ele pegou o telefone e te falou um monte de besteiras, você começou a chorar e ele desligou na sua cara!â€.
As duas começam a checar informações e, no fim, dão muitas risadas. Mas a verdade é que a reputação de uma das amigas ficou “manchadaâ€.
Esse tipo de acontecimento é bastante comum na vida de adolescentes e jovens em geral. Sempre um ou outro acaba fazendo um showzinho à parte.
Alguns já tiveram graves conseqüências, mas na maioria das vezes tudo acaba em risadas e gozações por parte dos amigos.
“Chau pro chão, chau pro céuâ€
A coreografia intitulada “chau pro chão, chau pro céu†fez com que Gustavo Luís Infanger, 20 anos, Diego Rafael Paiva Ferreira, 20 anos, e Matheus Costa Marques, 21 anos, ficassem famosos entre os amigos. Nas festas e churrascos, depois de “manguaçarâ€, os três (algumas vezes quatro, cinco ou seis) começam a fazer o show particular. A coreografia já está bem ensaiada e eles passam a ser o centro das atenções.
As risadas dos colegas são intensas e os garotos já são muito populares nos locais onde costumam freqüentar. Toda a turma do curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru, gosta muito deles e, por isso, eles são os convidados especiais para qualquer festa.
Há duas semanas, Infanger estava numa festa de república, em Bauru. Foi aí que ele pagou um “miquinhoâ€. “É, esse não foi assim algo tão grave, foi só engraçadoâ€, diz um dos amigos de Infanger. Na verdade, ele tomou umas cervejas, algumas doses de “rabo de galo†(bebida composta de vermouth e pinga) e já não sabia o que estava fazendo.
Como Infanger nem lembra o que fez, quem conta o que ele aprontou na hora do “porreâ€, é a amiga Paula Sodré Cosma, 19 anos: “Nós estávamos na casa de uns amigos. O Chapolim (apelido de Infanger) mora com mais três meninos, sendo que um deles está ‘sob sua guarda’. Todos estavam todos totalmente bêbados e o Chapolim dizia que tinha que buscar seu amigo que está sob sua responsabilidade. O prédio só tem um elevador, ele saiu no corredor e questionava para onde seu amigo teria ido. Todos sabiam que o único lugar por onde ele poderia ter saído era o único elevador e o Chapolim não se dava conta disso. No fim, levamos ele para casa, colocamos no quarto, mas ele não sossegou. Desceu, ficou no hall do seu prédio esperando o amigo aparecer e, no fim, acabaram voltando para a casa de nossos amigos que estávamos desde o início. Aí, ele começou a contar histórias da família dele para mim e, agora, não se lembra de uma palavraâ€, conta rindo.
Marques complementa: “Nessa hora, quando ele contava as histórias de família, estávamos em quatro pessoas. Um dormiu, outro também e ficaram só os dois acordados, Chapolim e Paula. Ele dormiu com sua própria história e a Paula acordada dizia: ‘Continua Chapolim, continua’, mas ele continuava era dormindoâ€, relata.
Mas Marques não fica atrás de Chapolim não. Ele também tem histórias para contar. Um dia ele estava com vários amigos numa loja de conveniência (dessas que tem em alguns postos de gasolina). Todos estavam bebendo e depois foram juntos para a casa de um deles. Chegando lá, Marques percebeu que não estava com a carteira e convidou a amiga Vívian para voltar na loja e procurar a carteira. Encontraram e perceberam que, com o dinheiro que ainda restava, era possível tomar mais um pouco da conhecida “água que passarinho não bebeâ€. Quando retornaram, a amiga Paula percebeu que os dois já não sabiam quem eram. Ela resolveu, então, dar um banho em Vívian com a esperança de fazê-la sentir-se melhor. Marques batia na porta do banheiro e pedia para entrar. Como Paula não abria a porta, ele começou a chorar e implorar para que o deixassem entrar no banheiro porque ele queria conversar. “Ele escreveu um bilhete pedindo para entrar no banheiro e passou por debaixo da porta. Foi muito engraçadoâ€, conta Paula, que afirma que bebe porque gosta, mas sabe seu limite e não deixa passar do ponto. “Eu não dou vexame, sei me controlarâ€, diz.
____________________
“King-kongsâ€
A estudante Paula Regina Lemos de Oliveira, 18 anos, não “pagou um micoâ€, foi mesmo um “king-kongâ€. Ela havia marcado de sair com alguns rapazes que conheceu pela Internet. Logo no primeiro encontro, tomou todas e começou a vomitar. Vomitou até nos pés de um deles.
Ela diz que estava com a irmã mais nova. Todos beberam, mas ninguém passou mal. No meio do caminho, ela teve que pedir para pararem o carro porque queria vomitar. “Tipo, primeiro encontro. Tipo, nem conhecia e já vomitei nos pés de um deles. Ah! meu, é muito mico, muito micoâ€, diz rindo.
Ela afirma que até hoje é amiga dos rapazes e que eles próprios dizem que são muito amigos porque no primeiro encontro já houve o “batizadoâ€.
Outro vexame: Paula passou ao lado da irmã, quando tinha 15 anos. “Nós nunca havíamos bebido. Nesse dia, as duas estavam bêbadas, mas ela passou mal antes de mim e vomitou. Eu comecei a dar bronca nela e xingar, mas também estava mal. Depois, levaram ela embora da festa e eu nem sabia o que estava acontecendo e onde ela estavaâ€, conta.
Mas Paula não pára por aí. Ela conta que já vomitou depois de tomar todas e, mesmo assim, beijou um garoto com o qual estava “ficandoâ€. “Eu contei para ele que havia vomitado, mas ele só deu risada. A gente já estava “ficandoâ€, daí...â€, diz.
Paula toma um cuidado especial antes de beber: “eu só bebo na frente dos meus amigos, porque eles passam mal na frente de todo o mundo. Se estiver com pessoas diferentes, aí me controloâ€, afirma.
Outra que também já “pagou um king-kongâ€, foi Cinthia Rodrigues Martins, 18 anos. Ela conta que tem vários apelidos e que, ultimamente, pensa em dar uma manerada na bebedeira porque todos seus amigos já estavam comentando de suas atitudes. “Pudim de pingaâ€, “Cintra†são alguns apelidos que Cinthia já conquistou.
Ela, nas festas, toma todas mesmo. Fala o que não deve, declara amor a quem não devia e é alvo de gozações.
Uma das coisas que faz Cinthia se arrepender é ter “ficado†com alguém que não devia. O dia seguinte é o pior, conta ela. É quando é preciso encarar a pessoa e perceber que se fez uma grande besteira. Ela já saiu das “baladas†literalmente carregada. “Você toma uma porre até cair, e aí não tem jeito, é mico mesmoâ€, diz.
Cinthia lembra que já vomitou numa casa noturna, em Bauru. “O lugar é o mais pop de Bauru, freqüentado por pessoas assim, mais, sei lá. Foi um vexameâ€, conta.