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Beber pode acabar com qualquer reputação

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 7 min

Para beber também é preciso ter classe. As regras de etiqueta social nunca são lembradas na hora do fogo. As pessoas normalmente se liberam, sentem-se mais “corajosas” e, muitas vezes, tornam-se “caras-de-pau”. Mas a educação deve também existir nessa hora, porque do contrário o vexame é ainda pior.

A professora de etiqueta Janir Fraga, em uma entrevista ao site Bolsa de Mulher, afirma que os “micos” podem ser evitados e dá algumas dicas para quem está em apuros. “Quando é você quem bebe e percebe que passou do limite, o melhor a fazer é sair da festa à francesa. No dia seguinte, ligue para o anfitrião, explique que teve uma pequena indisposição, mas não é preciso entrar em detalhes”, aconselha.

Ela afirma que, dessa maneira, a pessoa de fogo só terá de enfrentar, talvez, o porteiro do prédio e uma eventual companhia paciente. A enóloga Sônia Melier complementa dizendo que para que o álcool não suba tão torto à cabeça, o ideal é beber um copo d’água a cada drinque. â€œÉ tiro sem queda”, brinca.

Por outro lado, essa sugestão pode tornar-se um problema porque se a pessoa já estiver bêbada, o estômago fica aquecido e a água fria pode fazer enjoar. Talvez, em alguns casos, o melhor seja comer um doce ou um chocolate ou ainda tomar um banho. Mas, será que isso resolve?

De acordo com o médico Guilherme Pupo Ferreira Alves, o álcool induz a diminuição da taxa de açúcar no sangue. Ele diz que o principal fator da ressaca é a hipoglicemia (falta de açúcar) e a desidratação. Portanto, os alimentos que têm açúcar e os que contribuem para a hidratação, demonstram resultados positivos. Em relação ao banho, o médico diz que não faz nenhuma diferença.

Claro que as dicas dos profissionais, são para quem está numa festa onde não se deve abusar. Se fizer vexame, as conseqüências podem ser muito graves. Numa festa de faculdade, em repúblicas, ou até mesmo em bares ou danceterias, a moçada não se preocupa muito com essas regras de etiqueta. Eles querem mais é bagunçar, curtir. Mas mesmo assim, não são muito bem vistos entre os colegas, principalmente as meninas.

A estudante Paula Sodré Cosma, 19 anos, diz que, normalmente, as pessoas preferem beber para passar mal, para curtir um fogo e suas conseqüências, mas isso nem sempre é legal. Para Paula, que diz beber somente porque gosta, mas conhece seu limite, tudo é bagunça, é engraçado, mas quando passa do ponto, “o melhor é deixar pra lá.”

Quem deu mesmo um vexame foi Ana (nome fictício). Ela conta que estava num churrasco na casa de uma amiga. Mais ou menos às 2 horas da madrugada, Ana começou a passar mal. Ela correu na cozinha e vomitou na pia, sobre as louças que estavam para lavar. Dali, saiu vomitando, passou pela sala, onde “batizou” todo o chão e o pior: os tênis e tudo o que encontrou pelo caminho. “Foi aí que minha amiga conseguiu me levar para o banheiro, onde vomitei mais. Fiquei muito mal esse dia, passei mal mesmo”, conta.

Ana é motivo de chacota entre os colegas. “Quando eles me vêem, dizem: cuidado com os tênis. Ela vomita dentro dos tênis!”

Bêbado inconveniente

Para muitas pessoas, pior do que sentir os efeitos de uma bebedeira ou passar por alguma situação constrangedora, é ter que aturar um bêbado pra lá de inconveniente.

Paula Sodré Cosma, 19 anos e as amigas Evelyn Lopes Teodoro, 19 anos, e Paula Regina Lemos de Oliveira, 18 anos, afirmam que se o garoto que estão paquerando, passar muito dos limites, não tem como levar a paquera adiante. “Se for muito bizarro, não dá. Você olha e vê que não tem mais jeito, abandona o caso”, diz Paula Sodré.

Evelyn diz que não bebe, não gosta. Para ela, se o menino começa a beber e fazer palhaçada, perde a graça. Ela conta que estava ficando com um garoto e, um dia, ele saiu, bebeu e voltou bêbado. “Nunca mais saí com ele. Tive que carregar o cara. Isso é mal”, afirma. Paula Regina pega mais leve. Para ela, é possível entender, mas também não dá para exagerar.

Os meninos já não se importam muito com isso. Eles até gostam quando as meninas estão “alegres”. “A gente cuida, né. Leva para casa, dá um banho”, brinca Gustavo Luís Infanger.

O amigo Diego Rafael Paiva Ferreira concorda. “Ás vezes, a gente até faz elas beberem um pouquinho para conseguir um beijo ou algo assim”, confessa. Ele diz que, algumas vezes, essa tática dá certo, mas em umas outras, não. “Tem menina que não bebe de jeito nenhum, aí fica mais complicado”, explica.

Já Matheus Costa Marques é mais bonzinho. “Como eu também bebo, entendo bem quando vejo uma pessoa passando mal”, diz.

Ele conta que já usou a bebida para tentar esquecer alguém. Não que isso seja um remédio, mas faz parte. De fogo, ele acabou procurando uma pessoa que não devia e, no dia seguinte, teve que pedir desculpas. Marques lembra, também, de uma festa onde bebeu demais e fez amizade com muita gente. No outro dia, as pessoa o cumprimentavam pelo nome e ele não tinha idéia de quem eram.

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Fala “manguaça”

“Meu mico é beber e tentar ‘ficar’ com alguma amiga. A menina não tem nada a ver, é só amizade, mas nessa hora, você acaba tentando beijar. Outro ‘micão’ é começar dançar axé no meio do salão, sozinho, sem ninguém. No dia seguinte, você se arrepende, mas depois de tanto tempo fazendo isso, você se acostuma, já nem liga mais”. (Luis Felipe dos Santos, 18 anos)

“Eu vomitei na frente de todo mundo. Estava numa casa noturna, em Bauru, e havia bebido muito e não consegui nem ir ao banheiro. Vomitei ali mesmo, perto de muita gente. Um amigo e uma amiga me levaram para casa. No dia seguinte, eu tinha que pegar o ônibus às 9 horas, mas perdi a hora e não pude ir para casa. Meus amigos ficaram tirando o sarro em mim uns 15 dias. Eles me imitavam porque eu não conseguia tomar água, molhei o corpo inteiro”. (Rafaela Barros, 23 anos)

“Meu maior ‘mico’ foi ter vomitado no caixa de um bar. Eu ia pagar meu cartão e não consegui controlar. Foi tudo ali mesmo, em cima do caixa. Tinha bebido uns dois bomberitos (pinga com essência de coco). Depois melhorei um pouco e consegui ir embora. Fiquei bem. O caixa é que não ficou nada bem”. (Bruno Tadeu Barros de Carvalho, 20 anos)

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Salvo pela barriga

A bebedeira, muitas vezes, pode causar graves acidentes. Almeida*, um homem conhecido em Bauru, exagerou na bebida um dia desses. Ele estava com alguns amigos em um bar e tomou cerveja, pinga e tudo o mais que tinha teor alcoólico e perdeu totalmente a noção.

Do bar onde estava, foi para outro bar, bastante freqüentado por jovens de Bauru. Lá, Almeida estacionou o carro em frente a um bueiro. Ao descer do veículo, sem o controle das pernas, Almeida caiu dentro o bueiro. Ele ficou “meeeeiiiio” entalado, preso pela protuberante barriga. Se não fosse isso, provavelmente Almeida teria ido nadar no rio Bauru.

Ajudado por pessoas que assistiam ao show de suas mesas, no bar, e por dois garçons que correram para tentar desentalar Almeida do bueiro, ele saiu.

Teimoso, Almeida queria ir para a casa dirigindo. Sem condições. As pessoas que o ajudaram ligaram para um amigo dele, que prontamente foi até o local para levá-lo para casa.

Outras histórias de acidentes por causa da bebida são comuns. Portanto, é preciso lembrar que deve-se ter responsabilidades e limites para beber. Caso contrário, acidentes graves podem ocorrer e, infelizmente, o arrependimento pode ser tarde demais.

* Nome fictício. O personagem preferiu não se identificar por ser muito conhecido na cidade

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