Política

Estela aposta na quebra da hegemonia de sobrenomes

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Se depender da vontade da candidata a deputada estadual Estela Almagro (PT), o eleitorado de Bauru deve reciclar seus representantes na Assembléia Legislativa nas eleições de outubro. Integrante da ala light do PT, ela aposta na quebra da hegemonia dos “sobrenomes” que, segundo a petista, há anos se revezam no poder.

“A cidade de Bauru precisa parar de fazer uma política de sobrenomes e começar a fazer uma política de nomes”, diz. O pedido vem reforçado: â€œÉ preciso mudar os partidos e as figuras políticas. Só assim será possível reciclar.”

Estela acredita que o eleitorado consegue enxergar a importância da mudança a partir de diferenciais na apresentação de propostas. “Na campanha para a prefeitura tivemos a intenção de quebrar essa hegemonia e colocar novos nomes e propostas à sociedade”, lembra.

A petista pretende, caso seja eleita, abrir seu mandato ao debate político com a comunidade. “Dessa forma, vamos integrá-lo com nossa atuação na Assembléia e com o governo”, sugere.

A candidata acha que temas importantes que envolveram o município nos últimos meses não foram devidamente discutidos com a comunidade.

“Tivemos a polêmica com a Febem e as privatizações que geraram desemprego. São temas que não foram debatidos com coletividade.”

Estela considera “vergonhoso” o que o atual governo fez com as finanças do Estado. “Maquearam o orçamento. Com esse discurso do saneamento da dívida, nós nunca devemos tanto no Estado de São Paulo como agora”, critica.

A petista avalia que esse tipo de debate não chega até a comunidade. “Essas informações não chegam à sociedade. Nosso mandato se prestará a fazer esse trabalho político.”

Voto feminino

Ela acha importante a conscientização do voto da mulher, mas vê com cautela a busca dessa segmentação do eleitorado pelos candidatos.

“Acho que mulher também deve votar em mulher. Mas há mulheres que jamais deveriam receber votos de outras mulheres”, pondera.

Estela analisa que as mulheres não devem votar em candidatas só pelo fato delas também serem mulheres.

“Sendo mulher ou sendo homem, o importante é a proposta. Mas é importante que as mulheres se vejam representadas por mulheres para olhar a política pública com olhar feminino.”

Genoíno

O fraco desempenho do candidato do PT ao governo do Estado, José Genoíno, nas pesquisas de intenções de voto não desanima a petista. Genoíno está estabilizado em 10% do universo eleitoral pesquisado pelos institutos.

“A diferença vai ocorrer com o programa eleitoral gratuito, que se iniciou na semana passada. Acredito que a candidatura de Geraldo Alckmin será esmiuçada. Será colocada mais a vista dos eleitores”, prevê.

A petista está convicta de que a candidatura de Genoíno vai crescer nas próximas semanas e arrisca que o partido vai para o segundo turno para disputar com o candidato Paulo Maluf (PPB).

Abertura

A abertura do PT à alianças partidárias mais conservadoras, antes consideradas inaceitáveis pela ala mais radical da legenda, é aceita com naturalidade pela candidata à Assembléia.

Estela adianta que o partido, em nível de Bauru, está se preparando para ampliar seu leque de alianças, com vista a eleição municipal de 2004, na qual a legenda terá candidatura própria à prefeitura.

“Sempre defendemos de forma intransigente que o PT precisava ampliar a sua esfera de atuação. O PT não vai governar sozinho”, prevê.

Ela defende a coligação do PT com o PL em nível nacional, que resultou na indicação do vice de Luiz Inácio Lula da Silva, senador José Alencar (PL-MG).

“O PL manteve, nos últimos quatro anos, uma atuação de oposição ao governo, fechando sistematicamente com o PT e outros partidos”, argumenta.

Estela vê na figura de José Alencar um “empresário de respeito”. “Ele (Alencar) não soma só votos. Também soma politicamente para a chapa do Lula.”

A petista está confiante na vitória do candidato a presidente da República ainda neste primeiro turno.

“O horário eleitoral gratuito e essa reta final de campanha, que é mais efervescente, mostram que há chances. As últimas pesquisas apontam que o eleitor começa a identificar no Ciro Gomes um novo Fernando Collor”, observa.

Ela também avalia que a candidatura de José Serra (PSDB) não conseguirá decolar. “E o Anthony Garotinho é um potencial aliado nosso. Seja no primeiro ou no segundo turno. Acreditamos no fôlego que a militância quer impor na candidatura Lula em todas as cidades do País.”

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