Economia & Negócios

Setor de água mineral cresce 104%

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

A água mineral engarrafada está conquistando cada vez mais espaço na casa do brasileiro. O clima quente e seco contribui para consolidar a tendência de crescimento do setor. A confirmação vem de dados da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam), que indicam aumento de 104% na produção brasileira de água mineral nos últimos cinco anos, com base em resultados de 2001.

Em 1997, o País produziu 2,14 bilhões de litros de água engarrafada, que resultava em consumo per capita de 13,2 litros. No ano passado, a indústria brasileira engarrafou 4,3 bilhões de litros de água, e o consumo se elevou para 24,9 litros por pessoa.

Segundo a Abinam, o estado que mais produz é São Paulo, responsável por 42,1% do total nacional. Dividindo a produção por embalagem, 57% da água é engarrafada em galões de mais de dez litros até 20 litros, direcionados para o consumo residencial.

Apesar da tendência nacional de crescimento, a variável mais importante para o aumento do consumo do produto em Bauru, de acordo com os distribuidores de água da cidade, é o clima: quanto mais quente e seco, maiores as vendas. “O tempo é o fator principal: temperatura, umidade, tudo isso influi na tendência de consumir mais água mineral”, afirma a comerciante Daniela Bernini Salles dos Reis.

Ela conta que começou seu negócio há cerca de sete anos, mas, diante da demanda, teve de modificar sua forma de atuação. No ano passado, Daniela descentralizou o atendimento, instalando quatro lojas em diferentes regiões da cidade. Com isso, relata, pôde atingir um público mais amplo e com maior rapidez na entrega.

Segundo Daniela, suas vendas de julho aumentaram 30% em relação ao mesmo mês de 2001. Graças às novas lojas e à contribuição da temperatura, sua média total de vendas é de 750 garrafões de 20 litros por dia.

“Sazonal”

O comerciante Carlos de Freitas, que trabalha no segmento de água mineral há nove anos, concorda que o clima é fator preponderante para as vendas. “Nós vivemos em função do tempo. É um mercado sazonal. Se a temperatura está alta, com certeza a gente vende mais”, diz.

Para Freitas, o mês de agosto deve “fechar bem” por dois motivos: o calor do inverno e a volta às aulas. “Sem dúvida nenhuma, os estudantes aquecem muito a economia de Bauru. Com a volta às aulas, o consumo de água aumenta muito também”, declara. O comerciante conta que, há pouco mais de um mês, comprava uma carga do produto por semana. Hoje, já são três.

Apesar disso, Freitas afirma que a lucratividade não é das melhores, em parte devido ao grande número de estabelecimentos do tipo que surgiram em Bauru no último ano. Atualmente, o comerciante acredita que existam cerca de 100 distribuidoras de água engarrafada na cidade, parte delas na informalidade. “O número de distribuidores aumentou mais do que a distribuição”, lamenta Freitas.

Já o comerciante Arnaldo Carlos do Nascimento Júnior, que assumiu há cinco meses uma distribuidora de água, o frio deste ano - ainda que pouco intenso - retraiu o consumo. “Muita gente veio trocar o galão de 20 litros pelo de dez litros, em vista do consumo menor no inverno”, conta. No entanto, o comerciante aposta que até o verão suas vendas aumentarão em 100%.

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Consumo

A opção por produtos “naturais” é apontada por muitos envolvidos com o setor de água engarrafada como principal causa no aumento do consumo do produto. “A tendência do mercado atualmente está muito voltada para o lado natural. O setor de sucos, por exemplo, está crescendo muito; os refrigerantes light também vêm crescendo”, afirma o gerente de vendas Caio Rinaldi, que trabalha em uma engarrafadora de água em Bauru.

Na opinião do coordenador de setor Valdecir Alves da Silva, de um supermercado da zona sul, as vendas de água mineral no estabelecimento cresceram de 15% a 20% no mês de julho, em relação ao mesmo período do ano passado. “Vende muito bem. O pessoal está confiando muito mais na água mineral”, diz Silva.

Nos restaurantes, o aumento do consumo de água junto com as refeições também é bastante significativo. De acordo com Osmar Garcia, proprietário de uma churrascaria em Bauru, as vendas de água cresceram 25% neste ano, se comparadas a 2001. Segundo o comerciante, o consumo de sucos também subiu, enquanto que o de refrigerantes se manteve. “As pessoas estão mais preocupadas com a saúde”, observa.

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