O vereador Renato Purini (PV) está na briga por uma vaga de deputado estadual para tentar acabar com o que ele classifica como “disfarces†da representatividade política de Bauru na Assembléia Legislativa.
Segundo ele, a cidade vai ter que aumentar seu peso político naquela instância para amparar o boom de desenvolvimento que se espera nesta década na sua região.
“Bauru, hoje, tem representantividade política na assembléia, mas de uma forma um pouco disfarçadaâ€, analisa. O vereador acredita que após a inauguração do novo aeroporto, o município vai deslanchar economicamente.
“Vamos ter um estouro de desenvolvimento com o aeroporto prontoâ€, prevê. Renato ressalta que será preciso conquistar a confiança das grandes empresas e atrai-las para a região.
“A cidade terá que ter uma representatividade política pesada para absorver os futuros empregos e empresas que serão criados, em função do novo aeroportoâ€, destaca.
Aos 27 anos de idade, o parlamentar costuma dizer que vive política desde quando nasceu. Seu pai, o ex-deputado estadual Roberto Purini (PV), cumpriu cinco mandatos consecutivos na Assembléia Legislativa.
Acostumado ao clima de eleição, não o amedronta enfrentar políticos tradicionais, que carregam mais experiência no setor.
“Respeito e admiro esses homens. Sempre vivi em casa o lado bom da política. Tenho o melhor exemplo, que é o meu paiâ€, elogia.
Reforço
O eleitorado, principalmente a parcela mais esclarecida, não vê com bons olhos quando um representante eleito para exercer uma função abandona o cargo para disputar uma outra eleição.
Eleito à Câmara Municipal em outubro de 2000, Renato não se preocupa com possíveis cobranças. “Elas não existemâ€, garante.
“O eleitorado entende a minha decisão. Eu não estou abandonando meu mandato. Na verdade, eu estou reforçando-o. Saio do Legislativo bauruense para ir ao Legislativo estadualâ€, argumenta.
O parlamentar acredita que como deputado estadual conseguirá viabilizar as verbas necessárias para a cidade e a região.
“Não estou saindo de um cargo do Legislativo para concorrer ao Executivoâ€, reforça. As duas décadas de experiência acumulada pelo seu pai serão utilizadas para “abrir†os caminhos dos cofres do Estado.
Renato lembra que o município tem um orçamento muito enxuto, cuja capacidade de investimento é restrita. “Isso nos deixa de mãos atadasâ€, reclama.
“Como deputado, com um orçamento muito maior, tenho certeza de que poderei ajudar muito mais as pessoas.â€
“Cabo de guerraâ€
O fato de estar dobrando candidatura com o pai - que disputa a Câmara dos Deputados -, deixa Renato mais tranqüilo quando o assunto é ética.
“A relação de pai e filho é a mais segura e mais forte que existe na face da Terraâ€, diz. Ele avalia que a política que se faz hoje en Bauru pode ser comparada a um “cabo de guerraâ€.
“Cada um puxa para um lado e quem perde é a cidade. As pessoas quando votam não pensam nos interesses próprios. Elas pensam nos benefícios que possam vir para a cidadeâ€, acredita.
Renato não esconde que tem divergências com o pai, resolvidas dentro de casa. “Moro junto com ele e resolvemos pendências com uma conversa rápida, chegando a um denominador comum.â€
Futuro verde
Eleito pelo PDT com outros cinco vereadores, o parlamentar conta que se sente bem no PV, para onde migrou no ano passado, junto com o pai e o colega de plenário da Câmara Municipal, José Humberto Santana.
O fato de ter trocado o PDT por um partido menos conservador anima o candidato. “Antes de nos filiarmos ao PV conhecemos seu estatuto e seus números. É um partido que, de 1994 para cá, cresceu demais. Aumentou sua representatividade política, tem idéias inovadorasâ€, elogia.
Renato diz que é um equívoco pensar que os verdes lutam só pela questão ambiental. “O PV tem inserção política, tem ideais políticos e está inserido nas discussões políticas do País.â€
Na opinião dele, a derrota do PDT nas eleições municipais de 2000 foi fundamental para a desativação de sua vida orgânica.
“O PDT também se enfraqueceu nacionalmente. Essa centralização do Brizola (ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola) é uma coisa egocêntrica. Até seu filho saiu do partido e foi para o PTâ€, argumenta.
O vereador lembra que até mesmo para encaminhar o pedido de desfiliação ao PDT encontrou dificuldades. “Não havia para quem encaminhar. Tivemos que oficiar ao juiz eleitoral. Mas hoje o PDT está mais estruturado. Méritos para o Faria Neto, que é quem comanda a legenda em Bauru.â€