Os usuários de transporte coletivo de Bauru estão sendo sabatinados sobre a qualidade e a funcionalidade do serviço na cidade. A pesquisa está sendo realizada desde o dia 5 deste mês pela Associação das Empresas do Transporte Coletivo de Bauru (Transurb), que pretende adequar os itinerários às necessidades dos passageiros. Mas a principal reclamação, além da falta de linhas radiais, é a redução de horários nos finais de semana e feriados.
Até sexta-feira, a meta é entrevistar 20 mil usuários das 102 linhas operadas pelas empresas Grande Bauru, Baurutrans e Cidade Sem Limites.
O JC acompanhou a viagem de um dos 24 pesquisadores, num carro que faz o percurso de leste a oeste na cidade e todos os passageiros entrevistados durante o trajeto se queixaram de não ter como se locomover pela falta de opção aos sábados e principalmente aos domingos.
Com pontos algumas quadras longe de sua casa, a passageira Luciana Vieira, que mora na Nova Bauru, não se incomoda em andar para pegar o ônibus. O problema está no horário. “A distância pode ser superada desde que a gente tenha ônibus quando chega ao ponto, mas quando tem que espera. É muito difícil, tem muito pouco horárioâ€, comenta.
“A demora é complicada. Não dá para sair de sábado e domingo, ainda mais com criança. Quando se consegue um ônibus num lugar, tem que se esperar pelo outroâ€, reclama Lolita Santos que mora no Parque Viaduto e precisa usar o coletivo para ir a todo lugar e na maioria das vezes, precisa de dois ônibus. Ela reinvindica um terminal como o existente em Marília que, segundo ela, facilita a vida de muita gente.
Moradora do Núcleo Leão XIII, Flávia Valéria Custódio vive uma exceção para os lugares onde precisa ir com freqüência. O seu bairro tem linhas diretas. Mas os horários precisam ser marcados para não passar horas no ponto.
Surpresa com a pesquisa, a passageira Maria Aparecida Góis, moradora da Vila Giunta, não acredita que a vida de tomar dois ônibus para tudo mude algum dia. “Mas seria bom, né?â€, devolve a pergunta. O mesmo questionamento foi feito pela usuária Girlene Nepomuceno, que mora no Beija-Flor e já está acostumada a pegar dois ônibus.
Luciana Della, do Nova Bauru espera que o terminal seja feito em breve e que o passe único não seja uma surpresa pesando no bolso dos usuários. “O tempo no ponto a gente já cansou de perder.â€
A entrevistadora Zélia Sabino, que já percorreu praticamente todos os pontos da cidade, revela que outro pedido constante dos usuários são linhas que cruzem diversos bairros em sentidos diferentes.
As respostas serão analisadas a partir do dia 2 de setembro e depois serão cruzadas com dados apurados anteriormente pela Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) numa pesquisa domiciliar. O resultado servirá para adequar os itinerários conforme as necessidades dos usuários.
A aplicação da reformulação do sistema de transporte coletivo de Bauru deverá ocorrer nos próximos oito meses. A mudança de linhas e itinerários será uma etapa preliminar à adoção do passe-integração e do terminal urbano.