Economia & Negócios

Informais prejudicam setor de água

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Com o crescimento de 104% no mercado de água mineral engarrafada nos últimos cinco anos, conforme o JC divulgou anteontem, distribuidores apontam para um problema ainda sem solução no setor: a multiplicação de revendedores informais, sem alvará de funcionamento e em condições inadequadas de armazenamento.

Segundo a chefe de seção da Vigilância Sanitária de Bauru, Marisa Grazziano, desde o início deste ano foram expedidos sete alvarás de funcionamento para distribuidoras de água na cidade. Há ainda 15 processos de liberação em andamento e houve um caso de autuação por falta de alvará.

Neste último, apesar da autuação, o depósito continua funcionando regularmente, segundo Marisa. De acordo com ela, é comum que o estabelecimento autuado permaneça aberto até acertar sua situação.

Segundo a diretora de divisão do órgão municipal, Ana Paula Nardo Silva, apenas a fiscalização dos depósitos e a concessão de licenças de funcionamento cabem ao órgão municipal. A comprovação da qualidade da água engarrafada é responsabilidade da Vigilância Sanitária estadual.

“Tem casos em que a pessoa monta uma tenda e fica lá, com a água exposta ao sol e isso não é permitido pela lei”, explica Ana Paula. Segundo ela, o estabelecimento deve ter, por exemplo, paredes com tinta acrílica ou azulejo, que são laváveis. “A pessoa precisa ter um local adequado, tem de ter piso e revestimento adequado nas paredes estrado para não colocar os galões diretamente no chão”, completa a diretora.

Segundo Ana Paula, as denúncias de distribuidoras ilegais recebidas pela Vigilância Sanitária são fiscalizadas, mas o órgão não tem recebido muitas denúncias ultimamente.

A diretora explica que, em caso de irregularidade, o estabelecimento recebe um auto de infração e tem 15 dias para entrar com recurso pedindo prazo para se adequar, período que pode chegar a um máximo de seis meses. De acordo com Ana Paula, nem todos recebem prazo para se regularizar. “Em higiene nem cabe recurso. É fundamental”, declara.

Se a distribuidora não se adequar à lei no prazo determinado pelo órgão, pode receber multa, ser interditada ou ter seus produtos apreendidos. “Apreensão é complicado porque a gente não tem onde colocar”, ressalva Ana Paula.

Na Divisão Regional de Saúde (DIR 10), responsável pela Vigilância Sanitária estadual, a diretora Maria de Lourdes Soares Pereira declara que este ano ainda não houve registro de fontes ou engarrafadoras irregulares. A última ocorrência teria sido no verão passado.

“Todas as fontes (da região) são seguras, o que às vezes compromete a qualidade da água é o envase. Por isso que a legislação pede que esse envase seja totalmente automático, sem nada manual”, observa Maria de Lourdes.

“Desleais”

Para distribuidores de água regularizados, os comerciantes que não têm alvará, além de colocarem em risco a saúde dos consumidores, se tornam concorrentes “desleais”. “Trabalhar na irregularidade não é simplesmente o fato da pessoa trabalhar sem empresa”, afirma o proprietário de uma distribuidora de água, que preferiu não se identificar.

Segundo ele, que trabalha há quase dez anos no setor, a fiscalização também deveria verificar se os funcionários estão regularizados.

Na opinião do comerciante Carlos Dokko, proprietário de uma distribuidora no Centro, o problema dos “informais” está concentrado nos bairros periféricos de Bauru, onde a fiscalização seria menos freqüente. Para o distribuidor, as revendedoras sem alvará prejudicam os negócios. “Atrapalha bastante. Nós temos funcionários, despesas de motos, gasolina, impostos, aluguel”, observa.

Dokko também ressalta os muitos distribuidores que tampouco têm um estabelecimento para comercializar água. “Tem pessoas que não tem nem loja, carregam (os garrafões) no carro e saem vendendo”, afirma.

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