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Preocupação com data marcada

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 6 min

O ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, que derrubou as torres do World Trade Center, símbolo do desenvolvimento e do poderio econômico norte-americano, manchou para sempre o calendário. A data agora é sinônimo de medo e alerta máximo no mundo todo.

Só quem realmente precisa decolará para os Estados Unidos nesta semana. Em Bauru, apenas quatro pessoas têm vôo marcado. As companhias e agências não revelam suas identidades, apenas afirmam que todos vão a negócios, mas revelam que a maioria riscou o dia 11 da programação.

Do outro lado do continente, a preocupação é maior. Americanos de todos os estados se unem para redobrar a segurança mesmo longe de Nova York.

A conveniência pessoal fez com que a jornalista bauruense Heliana DeWeese e o marido americano, o advogado Allan DeWeese, tirassem férias juntos e passassem o 11 de setembro longe dos Estados Unidos. Segundo Heliana, a escolha da data não tem a ver com o aniversário da tragédia do ano passado. Geralmente, o casal vem ao Brasil nesta época. Mas ela confessa um certo alívio por estarem aqui.

A jornalista mora em Miami, na Flórida, e afirma não ser tão intenso, como em Nova York, o estado de alerta das pessoas, pela própria distância geográfica. Mas a mídia e o patriotismo americanos fazem com que o trágico episódio não seja esquecido. “Fica no ar aquele desconforto, aquela coisa pesarosa. Todos estamos vulneráveis. A Flórida é porta de entrada dos Estados Unidos”, comenta, revelando que a segurança está sendo redobrada em todos os sentidos.

Entretanto, ela pondera que um atentado não é previsível como um fenômeno atmosférico. Da mesma forma, aponta que o americano é muito prático. “Ele supera as coisas com mais facilidade. Aconteceu? Então vamos levantar e levar a vida adiante. Não adianta ficar lamentando. Isso é próprio da cultura americana”.

Heliana também comenta que não é só o problema das torres gêmeas que alimenta a mídia local. Existem outros problemas no país e o povo, depois de um certo tempo, deixa o civismo de lado. â€œÉ que nem Copa do Mundo”, compara. “Pouco a pouco, se deixam as bandeiras de lado.”

Nascido nos EUA, Allan DeWeese acredita que o 11 de setembro vai ficar na história muito além do primeiro aniversário. “Foi uma das piores coisas que aconteceu no país.”

O advogado ressalta o temor das pessoas em relação a um novo atentado, que é acentuado pela mídia e as medidas de segurança. Ele também achou oportuno estar hoje no Brasil, pois se estivesse nos Estados Unidos teria o mesmo receio da maioria da população.

“Na verdade, estou preocupado com postura do governo atual. Não quero ouvir discursos de falso patriotismo. Acho que o terrorismo é uma realidade que temos de enfrentar. Existe uma tendência forte do governo em se aproveitar deste acontecimento horroroso para avançar as idéias deles, que não comportam com a paz mundial. Eu não apóio a idéia de atacar o Iraque. Aliás, o Iraque virou pretexto. Até o Secretário de Estado Collin Powell, que foi o mais alto general da Guerra do Golfo, já tomou posição de que não deveríamos fazer um ataque precipitado. Mas é um assunto ainda em debate”.

A brasileira Neusa Maria Richards, que mora em Nova Jersey e trabalha em Nova York, revela que o temor de um novo atentado em alguns casos já virou paranóia. Ela atribui grande parte da culpa à mídia que durante o ano iniciado em 11 de setembro não deixou um dia sequer de tocar no assunto. “Não a queda da torre em si, mas tem sempre algo relativo. É o tempo todo na televisão e agora, com a proximidade do aniversário os jornais e revistas sensacionalistas já começaram um bombardeio.”

Neusa é gerente de uma corretora de valores da rede Loyd’s Bank e viaja todos os dias de ônibus para trabalhar. Ela relata que muitos companheiros de viagem disseram que não vão trabalhar no dia 11. Ao contrário dos amigos, ela não vai ficar em casa, a menos que a empresa anuncie uma folga coletiva ou seja decretado feriado.

Ela conta que na época do atentado muitas pessoas ficaram abaladas e a companhia onde trabalha contratou até psiquiatras para que os funcionários não sofressem seqüelas do episódio. “Muitos perderam parentes e amigos”, revela a brasileira, que um ano antes do atentado trabalhava no 11º andar de uma das torres, numa empresa cujos 675 funcionários morreram.

Hoje, ela conta que o medo também está em cada muçulmano cruzado nas ruas. “Existem muitas mulheres de shador e que você tem que encará-las no olho. É estranho... Mas o americano é muito educado, é frio, tem medo, mas sabe se controlar”, comenta. Mas confessa que o marido americano, Lew Richards, é a favor de um ataque ao Iraque, tamanha a raiva que o atentado lhe causou.

No momento, segundo a corretora, a preocupação maior com a segurança se divide com a organização da cerimônia para homenagear os mortos, que pretende comover o mundo novamente. “O americano pode estar arrasado, mas é prioridade rolar a bola para frente e viver em paz.”

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Recordações de um americano

“Foi exatamente há um ano que os Estados Unidos foram atacados pelo grupo terrorista Al-Qaeda e pelo Talebãn. Eu escrevi um artigo naquele dia que foi publicado aqui. Eu sinto agora uma grande necessidade de escrever novamente, um ano depois, para expressar meus sentimentos e daqueles meus compatriotas americanos.

Os comentários que farei agora expressam os sentimentos de meus amigos e familiares dos Estados Unidos. As emoções atravessaram inúmeras mudanças durante o ano passado. Primeiramente, foi o choque de uma coisa tão terrível acontecendo nos Estados Unidos. Em seguida, tristeza na morte de quase 3 mil pessoas. Veio então o medo, não o tipo de medo que faz você parar, mas que faz com que você olhe para trás quando anda rua abaixo ou olhe desconfiadamente na pessoa à sua frente no Shopping Center. Veio finalmente a raiva e o desejo de justiça de encontro àqueles que removeram nossa inocência e mudaram nossas vidas para sempre.

Os Estados Unidos são um país de patriotas. O povo foi moldado no fogo de duas guerras mundiais e de muitos outros conflitos aonde procuramos conservar nossa maneira de vida e proteger outros da maldade. Nós não queríamos este conflito, mas agora que isso foi lançado em cima de nós, não descansaremos até que possamos destruir a maldade que infecta o mundo. Vocês no Brasil talvez não possam compreender inteiramente o patriotismo que existe agora nos Estados Unidos. Em toda parte que você anda, vê o vôo da bandeira americana e as lojas estão cheias de símbolos patrióticos. Nós todos queremos fazer nossa parte para dar um fim nesta maldade que foi lançada em cima de nós há um ano.

Como um americano vivendo no Brasil, eu posso compreender aqueles que vêem nossas ações como agressivas e uma tentativa de controlar as ações dos outros que não concordam conosco. Eu gostaria que vocês compreendessem que éramos nós, não vocês que foram atacados e acreditem em mim quando eu repito as palavras de uma canção patriótica country americana: “When you rattle the big dogs cage, he is going to fight” (quando você chocalha a gaiola de cães grandes, eles estarão indo lutar).” (Tom Forbes - um americano patriota e brasileiro de coração, que mora em Bauru há 2 anos)

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