Geral

Mototaxista fornecerá touca descartável

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Agora é lei. Os mototaxistas de Bauru têm que fornecer touca higiênica, descartável, aos usuários desse sistema de transporte. Apesar da lei estar em vigor desde sábado, quando foi publicada no Diário Oficial do Município, o JC constatou que boa parte dos mototaxistas desconhece a obrigatoriedade.

João Vítor, mototaxista há quatro anos, conta que sabia da tramitação do projeto sobre a obrigatoriedade da touca, mas não que já era lei. “Sou favorável a essa lei porque acho que há risco sim de transmissão de piolho pelo capacete. Mas o problema é quem vai pagar pela touca. Com o que a gente ganha não dá para arcar com mais esse custo”, diz.

Até ontem, Vítor e os dez colegas do mesmo ponto de mototaxi não distribuíam a touca descartável. “Aqui ninguém está distribuindo a touca. Também acho que muitos dos clientes não vão querer usar porque não têm esse costume”, diz.

Já Marco Antônio dos Santos, que também não sabia que a lei da touca higiênica entrou em vigor, diz que, há algum tempo, por iniciativa própria, forneceu o equipamento de proteção higiênica a seus clientes. “Eu comprei umas 50 toucas. Algumas foram usadas, mas a maioria está em casa, guardada, porque muitos clientes não aceitam a idéia, sentem-se constrangidos em usar a touca”, relata.

É raro, mas de vez em quando algum cliente pede a touca, conta Santos. “Se pedirem, tenho para oferecer. Tem uma senhora, que é minha cliente, que guardou a touca que eu forneci a ela já há algum tempo e toda vez que pede corrida usa-a de novo”, conta o mototaxista que acha que a proteção para o capacete deve ser guardada pelo usuário.

Ele lembra que pagou R$ 0,40 por touca e não repassou o valor aos clientes. “Cobrando a tarifa de R$ 3,00 para corrida durante o dia e R$ 4,00 a R$ 5,00 para a noite, é preciso que o cliente reaproveite a touca porque isso vai ser um custo a mais para a gente”, diz.

O preço da touca descartável varia, de acordo com a marca e a qualidade. Em uma loja do ramo de cosméticos pesquisada pelo JC, a embalagem com seis unidades custa R$ 0,70. Porém, há toucas de R$ 0,40 e R$ 0,50 a unidade.

O mototaxista afirma que a proteção é necessária porque há risco de transmissão de piolho e caspa através do capacete. “Além disso, às vezes, pegamos alguém que saiu do trabalho, suado, e depois outro cliente que terminou de tomar banho. É uma questão de higiene”, completa.

Marcos Roberto Quarialelle, outro mototaxista que não sabia que a lei está em vigor, não tem nem idéia do custo da touca. “Nunca um cliente me pediu a touca. Mas se tivermos mesmo que fornecer a touca, vamos ter que repassar o valor”, avisa.

Já Adelson Pereira Gonçalves, mototaxista há dois anos, acha que a touca seria dispensável se os capacetes fossem mantidos limpos. “Eu tenho dois capacetes para os clientes, para que um possa ser lavado toda semana. Desde que o capacete esteja limpo, acho que não é preciso o uso da touca”, afirma ele que também não sabia da vigência da nova lei.

Fiscalização

O usuário será o principal fiscalizador do cumprimento da lei que determina que o mototaxista forneça a touca higiênica, descartável, a seus clientes, de acordo com a assessoria de comunicação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

A Emdurb, juntamente com a Polícia Militar, nas fiscalizações aos mototaxistas, vai verificar se a touca está sendo oferecida. Mas pede que o próprio usuário cobre o equipamento de proteção do mototaxista.

Atualmente, estão cadastrados na Emdurb 193 mototaxistas e outras 228 vagas abertas. Porém, muitas pessoas fazem o transporte remunerado em moto de forma clandestina. A estimativa dos mototaxistas cadastrados, que reclamam de concorrência desleal, é que existam cerca de 100 clandestinos atuando na cidade.

Usuários aprovam proteção

A universitária Juliana Aparecida Jonson Gonçalves, que sempre usa mototaxi, não tinha conhecimento da lei, mas aprova o uso da touca higiênica. “Não sabia que agora é lei. Nunca pedi e também nunca o mototaxista me ofereceu uma touca”, conta.

Mas Juliana acha que a proteção para a cabeça é bem-vinda. â€œÉ bom porque às vezes o capacete está cheirando mal. Mas o problema é a pressa. Como quando chamo o mototaxi estou com pressa, pode ser que eu esqueça de pedir”, diz.

A cozinheira Eloani Mara Aparecido, que usa o serviço de mototaxi com freqüência, também não sabia da nova lei. “O mototaxista que eu chamo oferece a touca, mas não sabia que era lei. Às vezes eu uso. Mas outras, por causa da pressa em sair, coloco logo o capacete na cabeça sem a touca”, relata.

Cláudio Lourenço, que sempre utiliza mototaxi, acha que a touca é uma proteção contra piolhos. “Eu nunca peguei piolho, mas conheço gente que não pega mototaxi porque tem medo disso. Se não aumentarem o preço da corrida, será uma boa medida. Vai crescer o número de usuários”, afirma.

Comentários

Comentários