Na condição de vereador e presidente da Câmara Municipal de Jahu, permita-me a liberdade de me dirigir a este jornal com a finalidade de abordar um angustiante problema que afeta, sem distinção, todas agremiações de futebol do interior paulista, que certamente merecerá a sempre costumeira atenção desse portentoso órgão de imprensa. Não é de hoje que os times de futebol interioranos amoldam, aprontam e entregam para os chamados “grandesâ€, entre os quais se inclui o Santos Futebol Clube, única exceção não paulistana, craques que fizeram história e que dignificaram o futebol nacional e a Seleção do Brasil.
Apenas para dar poucos exemplos, o Botafogo de Ribeirão Preto formou o Socrates, o Mogi Mirim lançou o Rivaldo, e tantas outras agremiações do interior paulista, chamadas “pequenasâ€, passaram para os clubes da Capital futebolistas de ponta.
Como jauense, ex-diretor do Esporte Clube XV de Novembro de Jahu, o “Galo da Comarcaâ€, e homem público, cada vez mais entristecido com a malfadada sina dos clubes pequenos, registro com muito orgulho que a agremiação da minha terra também deu, qual verdadeiro celeiro, craques excepcionais para clubes da Capital, de outros Estados e de outros Países:
Num passado não tão distante, preparou para o futebol o Edu, que com o Pelé barbarizou as defesas contrárias, o Afonsinho, que se aninhou no futebol carioca, o goleiro Marola, o Alfinete, o Wilson Mano e tantos outros de igual envergadura.
Entretanto, e aqui reside a razão deste expediente, todo o craque de bola formado nas equipes do interior de São Paulo e que tem a sorte de mostrar ao mundo a sua qualidade técnica, através dessas verdadeiras vitrines, que são os clubes ricos da Capital, acaba sendo negociado para o exterior, proporcionando para estes clubes lucros incalculáveis, fruto de transações bilionárias.
Tal estado de coisas vem confirmando, cada vez mais, uma realidade nua e crua : a Federação Paulista de Futebol só existe para os chamados “grandes†e só com eles se preocupa. Clube “pequeno†não tem vez na Federação que, ao contrário de representá-lo, como sua legítima tutora, só faz por espezinhá-lo. Os clubes interioranos não têm voz na Federação Paulista e, se um dia a tiveram, perderam-na de vez. Hoje, a realidade é mais do que triste : é perversa. Os clubes do interior não passam de verdadeiro degrau dos clubes da Capital, estes sim os verdadeiros mandatários da Federação.
Alimento, de há muito, uma idéia que, num primeiro momento, pode parecer atrevida, mas, se ganhar a simpatia da televisão e da mídia em geral, poderá se constituir, um dia, numa solução benfazeja para os clubes do interior paulista e, sem sombra de dúvida, para todas as entidades futebolísticas de outros Estados Brasileiros que, a exemplo do interior de São Paulo, vivem igualmente as mesma angústias.
Falo da criação de uma FEDERAÇÃO DE FUTEBOL DOS CLUBES DO INTERIOR DE SÃO PAULO, entidade aberta a todas as entidades esportivas do gênero, à qual poderão filiar-se, optativamente, clubes da própria Capital que se sintam marginalizados e que são considerados, caso do Juventos da Rua Javari, igualmente “pequenosâ€.
Imagine-se uma Federação interiorana em que tenham vez e voz : o Guarani, a Ponte Preta, o Bragantino, o XV de Piracicaba, o XV de Jahu, o Noroeste de Bauru, o Marília, o Novo Horizontino, a Ferroviária de Araraquara, o Botofogo e o Comercial de Ribeirão Preto, o América de Rio Preto, o Mogi, o Taubaté, o São José, o Ituano, o São Bento de Sorocaba e outros, tantos outros clubes de gloriosa tradição do Estado de São Paulo, que a exemplo do XV de Jahu, formaram e entregaram aos chamados “grandes†atletas que ajudaram a fazer a história de todas as conquistas do futebol brasileiro e das cinco estrelas que hoje estão bordadas na camisa do selecionado.
Por ora, trata-se de uma idéia embrionária que pretendo divulgar e difundir, o mais possível, e não posso fazê-lo sem a ajuda e colaboração desse respeitável e qualitativo veículo de informação, o “Jornal da Cidadeâ€. Ficarei imensamente agradecido se o presente manifesto puder ser ao menos publicado ao leitores desse fantástico jornal.
Num segundo momento, a minha satisfação, sem dúvida será redobrada, caso o Jornal da Cidade algum dia viabilizar a discussão da idéia, através da participação de dirigentes de clubes interioranos. Estou solicitando a alguns desprendidos juristas, afeiçoados à intrincada legislação do futebol, que analisem esta idéia, equacionando-a aos parâmetros da viabilidade, e qualquer subsídio que quem quer que se interesse por ela possa me repassar, será, sem dúvida, de excepcional valia.
Um caloroso abraço a todos os integrantes da equipe do Jornal da Cidade, em especial a V. Sª. Atenciosos cumprimentos. (José Carlos Zanatto - presidente do Poder Legislativo de Jaú)