Política

Pedro alerta para Aqüífero Guarani

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O ambientalista e candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PV, Pinheiro Pedro, disse ontem em Bauru que o Estado tem a missão de preservar o Aqüífero Guarani que compõe uma das maiores reservas de água potável do mundo. Segundo ele, o aqüífero aflora à superfície na região de Bauru a Botucatu. Nesses pontos, Pedro aponta os principais focos de poluição da reserva pelo uso de agrotóxicos.

O candidato defende a intervenção do Estado com a criação de uma legislação que combata os focos de poluição da reserva de água no aqüífero. Ele esteve em campanha na cidade ontem, acompanhado do candidato a vice na chapa, o bauruense Cláudio Turtelli, e dos verdes Roberto Purini, que disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados e Renato Purini, que busca uma vaga na Assembléia Legislativa.

Pinheiro Pedro aproveitou a passagem por Bauru para alertar sobre o risco de contaminação do Aqüífero Guarani, uma das maiores reservas mundiais subterrâneas de água potável que aflora (vem à superfície) em Bauru. São 155 mil quilômetros quadrados de água no subsolo só no Estado de São Paulo. â€œÉ uma grande reserva estratégica nossa de água para consumo. Temos o problema do afloramento justamente na região de Bauru, o que facilita a contaminação pelo homem”, conta.

O aqüífero aflora de Bauru a Botucatu. “O aqüífero é de interesse transnacional e o governo federal deve ter sua parcela de proteção e de ação sobre o aqüífero. O uso do solo, sobretudo na agricultura, leva a competência sobre a proteção da reserva para o Estado. O afloramento traz contatos diretos com agrotóxicos e isso vai contaminando o aqüífero ao longo do tempo. É necessária uma legislação específica nos pontos de afloramento”, defende.

Outra preocupação é o controle de perfuração de poços. “Temos uma grande fábrica de cerveja na região graças à excelente qualidade da água, o que beneficia diretamente a qualidade do produto de consumo. É necessária a proteção e controle das perfurações do subsolo na região”, menciona.

Outro aspecto é que a água será cobrada desde a sua retirada da natureza até sua exploração e distribuição por empresas e, inclusive, órgãos públicos nos próximos anos. Um projeto instituindo a cobrança da água está em fase adiantada de tramitação no Congresso e o Estado de São Paulo também quer criar sua agência da água. “Temos que pensar em unidades regionais de controle através das bacias hidrográficas do Estado”, comenta.

O candidato lembra que a Agência Nacional de Água (ANA) já foi criada pelo governo federal. “O que observamos é que o governo de São Paulo criou o projeto primeiro e agora está na “rabeira” de Brasília nesse setor. A política de recursos hídricos pede a criação de uma agência de águas no Estado. A outra ponta é o saneamento e temos a Sabesp sob o crivo da privatização por etapas. Temos uma posição crítica e somos contra a privatização”, fala.

Pedro cita que o governo federal divulgou que a agência nacional não iria impedir a criação de uma nova agência por cada bacia hidrográfica. Porém, o projeto inclui uma única agência que vai coordenar todas as ações. “O governo federal saiu na frente. O risco que temos hoje é o governo federal instituir de cima para baixo em todo o território nacional uma espécie de CPMF hídrica”, aponta.

Ele amplia a discussão sobre a cobrança da água mostrando a essência do plano. “O governo federal está começando a formar uma equação para a cobrança do uso da água sem estabelecer o plano de bacias, que será aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. O risco é nós termos que nos submeter a um plano nacional quando poderíamos ter um plano estadual para coordenar as bacias em nosso Estado”, finaliza.

Comentários

Comentários