Bairros

Furto de energia chega a 10% no País

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 10% dos consumidores de energia do País não pagam pelo bem que utilizam. Os dados são de um levantamento feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no ano passado, durante o período de racionamento decretado pelo governo. Os “gatos” - como são conhecidas as ligações clandestinas -, além de dar um prejuízo muito grande às empresas prestadoras de serviço do País, também trazem problemas à toda a sociedade.

A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), empresa responsável pelo abastecimento em Bauru, não forneceu dados a respeito desse tipo de irregularidade na região. No entanto, segundo um eletricista ouvido pela reportagem do JC nos Bairros, que preferiu não se identificar, as ligações clandestinas são comuns em Bauru. “Tem bastante “gato” espalhado pela cidade”, afirma.

Ele diz que nunca foi chamado para fazer esse tipo de serviço mas que, constantemente, é solicitado para dar manutenção em redes clandestinas. “A ligação é feita de qualquer jeito e sempre acaba dando problema para o consumidor”, afirma.

De acordo com o eletricista, com o objetivo de economizar, muitas pessoas entregam o serviço nas mãos de leigos, que geralmente não usam materiais adequados e podem até expor o consumidor a acidentes. “Se a fiação é muito fina, ela esquenta e pode causar um curto-circuito na residência”, destaca.

Ele ressalta que, quando dá manutenção a esse tipo de irregularidade, procura explicar para o cliente sobre os riscos que ele está correndo. “Eu tento fazer as coisas de maneira correta, dentro das normas de segurança, mas nem sempre é possível arrumar algo que está irregular”, ressalta.

Em um comunicado enviado à reportagem através da sua assessoria de imprensa, a CPFL ressalta que, além de serem perigosos para o autor da ligação, “os gatos” são considerados crime.

De acordo com a fornecedora de energia, as ligações clandestinas prejudicam também quem está regular no sistema. “Estes consumidores podem sofrer conseqüências como oscilações de tensão, interferências em rádio e televisão e até mesmo interrupções de energia.”

A assessoria de imprensa da empresa afirma que, como são cargas ligadas à revelia, “os gatos” provocam sobrecarga no sistema, comprometendo os condutores e os transformadores da rede.

A pesquisa da FGV aponta que a cidade de Salvador é a que mais registra esse problema, tendo 15,29% das residências iluminadas através de ligações clandestinas. No Rio de Janeiro, o problema também é grave, ficando em torno de 10%.

O problema não é detectado apenas junto à população de baixa renda. Há muitas pessoas com boas condições financeiras que se valem desse artifício para conseguir obter energia elétrica de graça, de acordo com a CPFL.

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