Considerada a mais bela estação do ano, a primavera começou nesta madrugada, à 1h45. Ela chega acompanhada de frio e chuva, mas as previsões meteorológicas indicam sol e calor a partir de quarta-feira.
De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Estadual Paulista (IPMet/Unesp), a primavera é caracterizada por rápidas e constantes variações no comportamento climático. Ela marca o final da estação seca e início das chuvas, muitas vezes associadas a temporais, granizo e ventos fortes.
“Neste período, as massas de ar quente e úmidas dominam a região, favorecendo o aumento da umidade relativa do ar, da nebulosidade, da precipitação e das temperaturas. As tardes costumam ser bastante quentes (...) com pancadas de chuva de caráter isolado e de curta duraçãoâ€, informa boletim elaborado por Zildene Emidio, meteorologista do IPMet.
Segundo o texto, a época favorece a entrada de frentes frias vindas do sul do continente. Ao associarem-se às áreas de instabilidade tropicais, intensificam as precipitações em algumas regiões do País, predispondo-as a enchentes, inundações, erosões e desabamentos.
Má notícia para uns, bom presságio para outros, como os setores agrícola e hidroelétrico. O aumento das chuvas reequilibra o armazenamento de água no solo e o nível dos rios, açudes e reservatórios de usinas.
Segundo Emidio, os principais centros meteorológicos mundiais indicam que o fenômeno El Niño (aquecimento das águas do Pacífico que altera os padrões de chuva e vento em todo o globo terrestre) tem apresentado variações positivas nos últimos meses. Sua intensidade deve manter-se de fraca a moderada até novembro, podendo aumentar no final de 2002 e início de 2003.
Para a região de Bauru, a tendência é de uma primavera marcada por temperaturas elevadas (média de 23,6 graus, máxima de 31 graus), umidade por volta de 60% e tardes quentes que favorecem a ocorrência de pancadas de chuva (de moderadas a fortes).
“São (precipitações) de curta duração, geralmente acompanhadas por granizo e rajadas de ventos. Na primavera, o número de dias com chuva corresponde a sete dias, sendo que este valor vai aumentando à medida em que vai se aproximando o verãoâ€, informa o boletim.
Previsão diária
De acordo com o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, as imagens de satélite indicavam, na tarde de ontem, a presença de uma frente fria sobre o oceano Atlântico, afastada do continente, na altura do Espírito Santo e sul da Bahia. Esse sistema aumenta a nebulosidade sobre vários estados do País. Os radares mostravam chuva em vários pontos do estado, sendo mais significativa na região de Ribeirão Preto.
“Para as regiões Leste, Nordeste e Norte de São Paulo, a previsão (para hoje) é de céu nublado com chuvas e chuviscos ocasionais, com períodos de melhoria durante a noite e madrugada. Durante o dia, há previsão de nebulosidade variável com chuvas e trovoadas no decorrer do período. Nas demais regiões, nebulosidade variável com chuvas e trovoadas a partir da região Oesteâ€, informa.
Para amanhã, mantém-se a tendência de instabilidade com chuvas e trovoadas. O tempo deve começar a melhorar gradativamente a partir do final da manhã na região Oeste, mas as temperaturas estarão em declínio em todo o estado, com rajadas de vento no Interior.
A frente fria afasta-se de São Paulo a partir de quarta-feira, mas mantém a nebulosidade e chuvas ocasionais na faixa Leste. Nas demais regiões, não há previsão de chuva. A temperatura deve permanecer baixa e com rajadas de vento na madrugada e ao amanhecer.
Esse quadro tende a mudar na quinta-feira, quando um sistema de alta pressão atinge o litoral das regiões Sul e Sudeste do Brasil. Em São Paulo, predomina o sol em todas as regiões, sem previsão de chuva e com temperaturas em elevação.
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Inverno atípico
Levantamentos feitos pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Universidade Estadual Paulista (IPMet/Unesp) mostram que o inverno foi atípico para a região Sudeste do País. As massas de ar frio que chegaram ao Brasil foram fracas e não causaram queda significativa na temperatura.
O mês de julho, por exemplo, apresentou temperaturas com um a três graus acima da média em várias localidades, além de ter sido considerado o julho mais quente desde a década de 60 na maior parte do Brasil, de acordo com a meteorologista Zildene Emidio. Em alguns dias, os termômetros chegaram a marcar 30 graus.
Nas duas últimas semanas, porém, duas massas de ar frio atingiram a região, ocasionando o maior declínio da temperatura em todo o ano, além de geadas e neve no Sul do País. As chuvas foram consideradas significativas, mas o predomínio de massas de ar quente e seco que restringiram a entrada de frentes frias criaram uma situação de veranico entre os dias 7 e 25 de agosto.
Em Bauru, as chuvas ocorridas em julho e agosto superaram as médias esperadas. “Os recordes das temperaturas mínimas durante este ano foram mais elevados em comparação a 2001, confirmando a previsão de um inverno mais quente. A menor temperatura no período foi de 7,6 graus em 29 de julho. A menor temperatura do ano no município foi de 5 graus na madrugada de 2 de setembro, ainda no período de invernoâ€, conclui Emidio.