Bairros

Ações de descontaminação estão indefinidas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de mais de um mês da divulgação pela Direção Regional de Saúde (DIR-10) das principais medidas de descontaminação da área afetada por chumbo, nas proximidades da Fábrica de Baterias Ajax, a Administração Municipal ainda não concluiu o cronograma das atividades a serem executadas no bairro.

As recomendações foram feitas pela DIR-10 no dia 16 de agosto. Os técnicos concluíram que é necessário asfaltar as ruas da área contaminada; fazer o calçamento ao redor das casas; colocar piso de cimento nas residências de terra batida; plantar grama nos quintais e remover a poeira das paredes e tetos das casas.

Na oportunidade, a secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, informou que o trabalho seria discutido e executado em conjunto com outras secretarias municipais.

Por enquanto, a única medida de descontaminação iniciada foi a limpeza das caixas d’água dos bairros Jardim Tangarás, Núcleo José Regino e Parque Bauru, na semana retrasada. Ela não constava entre as prioridades para a área apontadas pelo estudo epidemiológico da DIR-10.

A assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru não informou o total das caixas d’água que estão sendo limpas. A previsão é de que esse trabalho seja concluído até o final do mês.

De acordo com Jaíra Kirchner, diretora da Divisão de Unidades Ambulatoriais da SMS, a secretaria continua fazendo o monitoramento das crianças que apresentam altos índices de chumbo no sangue.

Jaíra explica que as medidas de descontaminação subseqüentes dependem da disponibilidade de outras secretarias municipais, como a de Obras e a das Administrações Regionais.

Terra

Um dos impasses que a SMS enfrenta, de acordo com a diretora da Divisão de Unidades Ambulatoriais, refere-se à raspagem superficial do solo. A medida está sendo estudada e sua viabilidade depende de um local que receba a terra contaminada por chumbo.

“Isso quem vai definir é a Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo). Nós estamos aguardando um parecer”, expõe Jaíra.

Alcides Tadeu Braga, gerente em exercício da agência regional da Cetesb, afirmou que está sendo estudado em São Paulo o destino da terra contaminada.

Na opinião do presidente da Comissão de Moradores do Jardim Tangarás, Zaqueu Vieira da Silva, o processo está sendo conduzido de maneira lenta.

“Está cada vez mais lento. Eles prezam muito os números. Não era isso que a gente queria ouvir. Nós precisamos que eles asfaltem aos menos as ruas em que passam ônibus e têm mais poeira com terra contaminada - que a gente aspira diariamente”, reclama o morador.

Rodrigo Agostinho, membro do Instituto Ambiental Vidágua, também acredita que a execução das atividades de descontaminação propostas pela DIR-10 está aquém do ideal. “Está demorando muito. Tem que ser emergencial. Não adianta ações paliativas. Precisamos de algo definitivo”, enfatiza.

Agostinho espera que a criação da Associação de Moradores do Jardim Tangarás, que está em andamento, fortaleça as reivindicações dos moradores e auxilie na agilização das medidas necessárias.

O promotor do Meio Ambiente de Bauru, Luiz Eduardo Sciuli Castro, diz que a suposta lentidão na execução da descontaminação será apurada. “Evidentemente é uma coisa, séria, grande e há dificuldades orçamentárias para implantar isso. É algo novo, mas o Município está assumindo e essa demora vai ser checada”, diz o promotor.

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Ajax deve colaborar

A diretoria da Fábrica de Baterias Ajax informou que está colaborando com os trabalhos de descontaminação da área atingida por chumbo e que aguarda parecer da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para tomar outras providências.

Por enquanto, a fábrica cedeu ao município um aspirador para limpeza das paredes das casas e tampas para as caixas d’água que estão sendo limpas.

A empresa teria enviado à Cetesb um plano de recuperação da área, que estaria sendo analisado pela companhia. “O que estiver no plano e for aprovado pela Cetesb, a empresa vai fazer”, informou a diretoria. O teor do documento não foi divulgado.

O gerente em exercício da agência regional da Cetesb, Alcides Tadeu Braga, disse que o plano de recuperação elaborado pela Ajax está sendo avaliado em São Paulo. “Esse plano seria um trabalho paralelo ao que está sendo feito pela Secretaria Municipal de Saúde”, diz.

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