Depois de mais de um mês da divulgação pela Direção Regional de Saúde (DIR-10) das principais medidas de descontaminação da área afetada por chumbo, nas proximidades da Fábrica de Baterias Ajax, a Administração Municipal ainda não concluiu o cronograma das atividades a serem executadas no bairro.
As recomendações foram feitas pela DIR-10 no dia 16 de agosto. Os técnicos concluíram que é necessário asfaltar as ruas da área contaminada; fazer o calçamento ao redor das casas; colocar piso de cimento nas residências de terra batida; plantar grama nos quintais e remover a poeira das paredes e tetos das casas.
Na oportunidade, a secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, informou que o trabalho seria discutido e executado em conjunto com outras secretarias municipais.
Por enquanto, a única medida de descontaminação iniciada foi a limpeza das caixas d’água dos bairros Jardim Tangarás, Núcleo José Regino e Parque Bauru, na semana retrasada. Ela não constava entre as prioridades para a área apontadas pelo estudo epidemiológico da DIR-10.
A assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru não informou o total das caixas d’água que estão sendo limpas. A previsão é de que esse trabalho seja concluído até o final do mês.
De acordo com Jaíra Kirchner, diretora da Divisão de Unidades Ambulatoriais da SMS, a secretaria continua fazendo o monitoramento das crianças que apresentam altos índices de chumbo no sangue.
Jaíra explica que as medidas de descontaminação subseqüentes dependem da disponibilidade de outras secretarias municipais, como a de Obras e a das Administrações Regionais.
Terra
Um dos impasses que a SMS enfrenta, de acordo com a diretora da Divisão de Unidades Ambulatoriais, refere-se à raspagem superficial do solo. A medida está sendo estudada e sua viabilidade depende de um local que receba a terra contaminada por chumbo.
“Isso quem vai definir é a Cetesb (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo). Nós estamos aguardando um parecerâ€, expõe Jaíra.
Alcides Tadeu Braga, gerente em exercício da agência regional da Cetesb, afirmou que está sendo estudado em São Paulo o destino da terra contaminada.
Na opinião do presidente da Comissão de Moradores do Jardim Tangarás, Zaqueu Vieira da Silva, o processo está sendo conduzido de maneira lenta.
“Está cada vez mais lento. Eles prezam muito os números. Não era isso que a gente queria ouvir. Nós precisamos que eles asfaltem aos menos as ruas em que passam ônibus e têm mais poeira com terra contaminada - que a gente aspira diariamenteâ€, reclama o morador.
Rodrigo Agostinho, membro do Instituto Ambiental Vidágua, também acredita que a execução das atividades de descontaminação propostas pela DIR-10 está aquém do ideal. “Está demorando muito. Tem que ser emergencial. Não adianta ações paliativas. Precisamos de algo definitivoâ€, enfatiza.
Agostinho espera que a criação da Associação de Moradores do Jardim Tangarás, que está em andamento, fortaleça as reivindicações dos moradores e auxilie na agilização das medidas necessárias.
O promotor do Meio Ambiente de Bauru, Luiz Eduardo Sciuli Castro, diz que a suposta lentidão na execução da descontaminação será apurada. “Evidentemente é uma coisa, séria, grande e há dificuldades orçamentárias para implantar isso. É algo novo, mas o Município está assumindo e essa demora vai ser checadaâ€, diz o promotor.
____________________
Ajax deve colaborar
A diretoria da Fábrica de Baterias Ajax informou que está colaborando com os trabalhos de descontaminação da área atingida por chumbo e que aguarda parecer da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para tomar outras providências.
Por enquanto, a fábrica cedeu ao município um aspirador para limpeza das paredes das casas e tampas para as caixas d’água que estão sendo limpas.
A empresa teria enviado à Cetesb um plano de recuperação da área, que estaria sendo analisado pela companhia. “O que estiver no plano e for aprovado pela Cetesb, a empresa vai fazerâ€, informou a diretoria. O teor do documento não foi divulgado.
O gerente em exercício da agência regional da Cetesb, Alcides Tadeu Braga, disse que o plano de recuperação elaborado pela Ajax está sendo avaliado em São Paulo. “Esse plano seria um trabalho paralelo ao que está sendo feito pela Secretaria Municipal de Saúdeâ€, diz.