A Associação dos Lojistas do Calçadão está propondo-se a adotar a Praça Rui Barbosa e transformá-la em um centro cultural ao ar livre. Porém, os lojistas afirmam que a mudança de visual e função da praça só é possível se a prefeitura trocar a iluminação e fazer reformas. Caso contrário, eles sugerem que o logradouro seja cercado com grades e instaladas câmeras para monitoramento.
Caso a adoção se concretize, a instalação de grades conjulgada com cerca-viva será a última alternativa, que só será tomada depois de esgotadas outras medidas para melhorar a segurança, garante o presidente da associação, Francisco Alberto Franco de Bernardes.
“Sabemos que fechar a praça não é o ideal. A sugestão foi feita considerando as condições atuais. A praça deve ser aberta, linda e sem marginaisâ€, afirma.
A secretária municipal de Planejamento, Maria Helena Rigitano, diz que o fechamento da praça com grades dificilmente será colocada em prática. “A conversa com a associação foi antes da retirada dos ambulantes do centro comercial. Não há nada formalizadoâ€, afirma.
De acordo com ela, dos 24 ambulantes que trabalhavam na praça só 12 continuam no local. “Todos eles apresentaram atestado de antecedentes criminais. Eles encerram a comercialização à meia-noite. Com isso, a movimentação da praça diminuiu bastanteâ€, frisa.
Ela informa que os banheiros da praça passarão por reformas. “O logradouro passará por tratamento paisagístico. A vegetação será rebaixada e a iluminação melhoradaâ€, conta.
A praça, na opinião do presidente dos lojistas do Calçadão, é extremamente importante para os comerciantes porque na área central não há área pública semelhante para entretenimento. “Com modificações, funcionaria como chamariz para a população da região. Consideramos a praça como uma área nobre. Queremos usá-la para a promoção de eventos culturais, resgatando a apresentação de bandas, orquestras e até teatro ao ar livreâ€, idealiza.
Para sustentar a proposta de que a Praça Rui Barbosa precisa ser reformada, os comerciantes tomam a Praça Machado de Mello como exemplo. “Hoje a praça é outra. Tem policiamento, a jardinagem está bem cuidada e a criminalidade zerouâ€, ressalta.
A idéia dos comerciantes é assumir a Rui Barbosa em parceria com a prefeitura e autarquias. “Indicamos as necessidades e estamos aguardando os resultados. Se eles (a administração municipal) fizerem o que foi prometido, assumiremos a manutençãoâ€, frisa.
De acordo com Bernardes, a intenção é que os banheiros sejam remodelados e ampliados. “Os já existentes seriam reformados. Um outro sanitário, mais sofisticado, seria construído para atender a população mais exigente. Uma taxa maior seria cobrada desses usuáriosâ€, conta.
Os lojistas também propõem alteração no sistema de iluminação e paisagismo da praça. “A iluminação adequada pode melhorar a questão de segurançaâ€, ressalta.
Cerca
Fechar a praça com grade e cerca-viva seria uma atitude drástica, que só seria tomada em último caso, garante Bernandes. “Essa hipótese é a última. Se houver necessidade, cercaremos e faremos três entradas - uma pela rua Gustavo Maciel, outra pela Antônio Alves e uma terceira pela rua 1.º de Agostoâ€, sugere.
À meia-noite, os portões seriam fechados e um vigilante de uma empresa privada, contratada pela associação dos lojistas, faria a segurança da praça. “A Polícia Militar também estaria trabalhando conjuntamenteâ€, completa Bernandes.
Além disso, a praça poderia ser monitorada através de câmaras de vídeo. “Se for o caso, instalaremos câmeras de vídeo. Os ambulantes trabalhariam dentro do cercado, em quiosques padronizadosâ€, diz.
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Resgatar o status
Ver a praça Rui Barbosa florida com banheiros limpos, bem freqüentada e com música ao vivo, como nos velhos tempos em que a banda da Polícia Militar se apresentava para a população é o sonho de um aposentado que freqüenta o logradouro há mais de 30 anos.
O professor aposentado, que não quis ser identificado, acha que cercar a praça é ilegal. “A praça é do povo e não pode ser cercada, na minha opinião. Nós já vivemos cercados de grades. As cadeias é que deveriam ser melhor cercadasâ€, afirma.
Ele reclama das condições dos banheiros da praça. “Estão em péssimas condições. Quando foram inaugurados, os usuários podiam sentar-se no assento. Hoje, isso não é mais possívelâ€, lamenta. Outro problema é que os banheiros ficam fechados aos domingos e feriados.
Outra pessoa que freqüenta a praça e também não quis se identificar conta que a frequência no local é péssima. “Durante o dia é freqüentada por alcoólatras e marginais. Há tráfico de entorpecentes e outras coisas que a gente percebe e não pode falar nada. O vigia da praça apanha se abrir a bocaâ€, alerta.
O sanitário destinado aos motoristas de táxi está quebrado desde 1997. A fonte está quebrada e a iluminação, principalmente no lado da rua Antônio Alves, é precária. “Além dos marginais, os alcoólatras usam os bancos como sanitárioâ€, ressalta.
O freqüentador lembra que a jardinagem está mal cuidada. “O jardim recebe água quando chove. O jardineiro joga baralho com os aposentados. “Nos eventos grandes da praça as plantas são pisoteadas. Os canteiros deveriam ter cerca virada para dentro, isso evitaria que o usuário pise no canteiro e destrua a jardinagemâ€, diz.
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Alta criminalidade
A Praça Rui Barbosa enfrenta um problema de segurança, que é conhecido na cidade inteira, afirma Francisco Alberto Franco Bernandes, presidente da Associação dos Lojistas do Calçadão. “Tem tráfico, consumo de drogas e receptação de coisas furtadas no comércioâ€, conta.
Pela estatística da Polícia Militar, de janeiro a agosto deste ano foram registrados 11 roubos e nove furtos na praça, além de um caso de tráfico de drogas. Apesar do número de ocorrências não ser alarmante, a polícia apóia o fechamento da praça com grades, segundo o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Cia.
Ele explica que a atual jardinagem da Praça Rui Barbosa favorece o esconderijo de objetos furtados. A iluminação precária e o fato de não ser bem cuidada colaboram com as condições para o crime, afirma.