Economia & Negócios

Varejo fortalece mídia local e impulsiona crescimento do País

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Um varejo atuante fortalece a mídia local e, por conseqüência, impulsiona o desenvolvimento econômico do País. Esse foi o ponto central do painel “O varejo e a mídia. Cliente ou concorrente?”, realizado ontem, durante o 12.º Encontro Internacional de Comunicação - Maximídia 2002, evento que termina hoje no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

O debate destacou o poder dos anunciantes do varejo para impulsionar a economia e alavancar o crescimento da indústria no País. “Um bom relacionamento entre agência de propaganda, anunciantes e mídia é fundamental para fortalecer as relações comerciais do País”, destaca Sérgio Amado, presidente do Grupo Ogilvy e da Associação Brasileira das Agências de Propaganda (Abap).

De acordo com ele, a cada sintoma de crescimento da economia brasileira, o reflexo se volta para o segmento varejista. â€œÉ uma maneira de ganhar novos consumidores. Ou seja, o varejo é peça fundamental no desenvolvimento do País”, frisa.

Além de Amado, participaram do debate o diretor comercial da Procter & Gamble, Alberto Moriana; Paulo Fraga, diretor comercial do jornal O Dia, do Rio de Janeiro, e a diretora de marketing do Barateiro, Maria do Carmo Pousada.

Segundo Fraga, no Rio de Janeiro o veículo de comunicação predileto do setor é o jornal. “O varejo é o maior cliente dos grupos de comunicação. No Rio, 45% das empresas do ramo investem em publicidade nos jornais”, constata.

Outro assunto relevante no debate foi a consolidação das marcas próprias dos supermercados. Para Moriana, representante da Procter & Gamble, a criação dessa linha de produtos pelas grandes redes de supermercados já viveu o seu auge e hoje encontra-se em um estado de estagnação. “Muitas empresas estão retraindo esse processo de marcas próprias, pois o varejo não tem recursos e nem tempo para se dedicar à produção”, salienta.

Ele destaca que a indústria não se sente ameaçada por esse tipo de comercialização e acredita que o crescimento dessa segmentação de produtos será pequena nos próximos anos.

Já Fraga destaca que a criação de marcas próprias pelas redes de supermercado inibe o crescimento da mídia e reflete uma concentração de forças nas mãos dos varejistas. “Isso é muito ruim para o setor, pois provoca uma redução de verbas para a comunicação”, diz.

Maria do Carmo Pousada rebate, salientando que a concentração ocorre em outros setores, como na mídia ou na indústria, em um grau muito maior do que no varejo.

11 de setembro

No outro painel de debates do dia, intitulado “Surpresa! O que os anunciantes esperam da mídia?”, que teve como conferencista o consultor Jack Myers, o principal destaque foram as perspectivas positivas de crescimento da publicidade nos Estados Unidos.

De acordo com Myers, ao contrário do que muita gente esperava, o setor deverá ter um aumento de 3% em 2003. “Logo após o ataque de 11 de setembro, as previsões mais otimistas acreditavam numa queda de 5% a 7% nos negócios. Os anunciantes reconhecem que a mídia é o principal canal para motivar a comercialização de produtos e o crescimento do País”, salienta.

Ele destaca que o setor de mídia deverá encerrar 2002 com um faturamento de US$ 155 bilhões nos Estados Unidos e que as previsões estão bastante otimistas para o próximo ano.

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