Quando a família resolve adotar uma fêmea, é preciso planejar o que será feito durante o cio do animal. Na prática, existem quatro opções: deixá-lo livre e assumir os filhotes, prendê-lo, ministrar medicamentos contraceptivos ou promover a castração cirúrgica.
“Antes de mais nada, é preciso acabar com o mito de que toda fêmea tem que cruzar pelo menos uma vez na vida para não ter problemas mais tarde. Isso é bobagem. Se ela for geneticamente predisposta a ter problemas, ela vai ter”, alerta o veterinário Paulo Zanardi.
Segundo ele, o uso de hormônios para impedir a ovulação vem sendo aperfeiçoado ano após ano, tornando o procedimento cada vez mais seguro. No entanto, é preciso usar a dosagem correta e respeitar a periodicidade estabelecida pelo profissional. O mau uso destes produtos pode predispor à formação de tumores.
Outra opção é fazer a castração cirúrgica. Nos machos, pode-se retirar os testículos, cortar o canal deferente (técnica da vasectomia humana), esmagamento do canal deferente ou desvio do pênis. Nas fêmeas, pode-se retirar os ovários, fazer ligadura de trompas ou cortar parte das trompas (ressecção).
A terceira alternativa é simplesmente manter a fêmea presa durante o cio, o que exige uma estrutura física adequada para isso. Segundo Zanardi, animais acostumados a passear regularmente podem ficar estressados quando presos por muito tempo. Isso pode resultar em agitação ou depressão.
“Também é comum que elas deixem de comer e percam peso neste período. Ficando debilitadas, podem adoecer. E algumas fêmeas com o instinto materno mais aguçado podem desenvolver gravidez psicológica ou podem adotar outros bichinhos como filhotes”, salienta.
Quando nenhuma destas alternativas é adotada, o dono do animal deve estar preparado para assumir a ninhada. Lembrando que o abandono de animais domésticos é punível por lei.