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Caminho para o desenvolvimento


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A economia brasileira demonstrou notável vocação de crescimento econômico na maior parte do século XX. Entre 1950 e 1980 conseguiu-se uma expansão acelerada da economia e da ocupação. Tal crescimento, entretanto, não esteve acompanhado por políticas públicas orientadas a reduzir a pobreza e melhorar a distribuição da renda. Na década de 80, o Brasil não experimentou nem crescimento sustentado, nem políticas para reduzir as desigualdades. Por outro lado, teve de enfrentar uma inflação cada vez mais acelerada. Depois da aplicação do Plano Real, em 1994, enquanto avançava para uma vitória definitiva contra a hiperinflação, o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso instrumentalizou ações destinadas não só a transformar a estrutura produtiva, mas também a estrutura social do país.

Num período relativamente curto implantou políticas sociais adequadas nos campos da saúde, educação, reforma agrária e transferência direta da renda, entre outros. Não obstante, o crescimento não alcançou o nível desejável, que se refletiu num lento aumento do emprego. O Brasil tem agora a rara oportunidade de poder combinar um crescimento econômico sustentado com a promoção de políticas públicas para reduzir a pobreza e a desigualdade. Como resultado de uma seqüência de transformações econômicas e sociais nos últimos anos, o País tem diante de si a oportunidade histórica de caminhar por um círculo virtuoso de crescimento econômico e justiça social. Esta oportunidade não deve ser desperdiçada.

A estabilidade é uma condição para o crescimento, embora não seja suficiente. Portanto, é preciso manter como ponto de partida uma política apoiada em um regime de livre flutuação cambiária, um regime monetário baseado nas metas de inflação e, sobretudo, um novo regime fiscal caracterizado pela transparência e responsabilidade.

Assim como a estabilidade requer uma mudança cultural, a conquista dos mercados externos também exigirá uma nova mentalidade, uma mobilização ampla, uma verdadeira obsessão nacional. Será indispensável, nesse sentido, uma postura ativa diante da comunidade econômica internacional, especialmente em foros como a Organização Mundial do Comércio (OMC), pois resultam inaceitáveis os abusos protecionistas que distorcem os fluxos de comércio e investimento e, o que é mais grave, aumentam ainda mais a disparidade de renda entre as nações.

É necessário assegurar os investimentos necessários em infra-estrutura para aumentar a competitividade, que é um pilar fundamental para o êxito de uma nova fase de crescimento. Um exemplo evidente e urgente é o déficit no setor energético. No curto prazo, a crise de oferta de 2001 foi enfrentada com sucesso. O maior desafio, entretanto, é a definição de um modelo energético de médio prazo que assegure os investimentos necessários para a expansão da oferta, segundo as necessidades do país.

Queremos que o Brasil retome o caminho do crescimento sustentável, que é a via para reduzir a pobreza e as desigualdades. Não queremos um Brasil que exija ordem e acatamento por parte da maioria enquanto divide a riqueza entre uma minoria. Estamos comprometidos com uma política de mudanças, mas realizada com eficácia e alheia a aventureirismos, porque o Brasil quer mais e melhor. (José Serra, candidato à Presidência da República pela Grande Aliança, formada pelo PSDB e o PMDB)

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