Bairros

Nível do Batalha cai pelo 4o ano seguido

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

O nível do rio Batalha, que abastece 43% de Bauru (cerca de 137 mil pessoas) estava 21 centímetros abaixo do normal ontem pela manhã. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) alerta que, se a população não economizar e não chover em breve, há risco de faltar água na cidade. Este é o quarto ano consecutivo que o rio dá sinais de exaustão.

Com a redução do nível do Batalha, o DAE foi obrigado a desligar uma das três bombas em operação que fazem a captação de água. “Com o desligamento de uma bomba, a quantidade de água captada caiu de 560 para 420 mil litros por segundo”, conta Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia.

A mesma medida foi adotada nos anos anteriores até chover e o nível do rio subir novamente. Apesar de pedir economia à população, o DAE ainda não estuda a adoção de rodízio ou racionamento no abastecimento. Porém essas medidas não estão descartadas

“Estamos monitorando o rio. Se o consumo não cair e não chover em breve, aí sim o DAE terá que definir qual medida tomar. Mas esperamos que a população colabore e não seja preciso adotar nenhuma medida”, explica.

A doméstica Eloani Mara Aparecido afirma que sabe o que é ficar sem água e por isso economiza o produto em sua casa e no trabalho. “Eu morava no Parque Santa Edwirges e sempre faltava água. Depois de morar em outro bairro voltei para lá e sábado, por exemplo, não tinha água. Eu economizo, mas vejo vizinhas minhas lavarem a calçada todos os dias com o jato d’água”, diz.

Para ela, só a educação resolve. “Depois de grande é difícil mudar o hábito das pessoas. Eu sei que, se não economizarmos, no futuro poderá falta água”, frisa Eloani. Mas nem todos concordam que a solução é economizar.

Com o compromisso de que seu nome seria mantido em sigilo, uma moradora do Jardim Redentor disse à reportagem que há pessoas que esbanjam, mas que economizar água é quase impossível. â€œÉ claro que lavar o quintal com a mangueira é exagero, mas eu não consigo tomar banho de dois ou três minutos”, diz.

Na opinião da moradora, não há como deixar de lavar quintal pelo menos uma vez por semana. “Ninguém agüenta o quintal sujo ainda mais com esse calor”. Para ela, só desperdiça quem tem dinheiro sobrando para pagar a conta. “A gente que é pobre já economiza porque pensa na conta do final do mês. Não dá para cortar mais”, completa.

A assessora de imprensa do DAE ressalta que a redução da quantidade de água no rio Batalha nos últimos dias é resultado de dois fatores, ambos ligados às altas temperaturas. Anteontem, o termômetro do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) chegou a marcar 35 graus em Bauru e ontem, 34 graus.

“Por causa do calor forte, a evaporação do rio aumenta. Além disso, neste final de semana o consumo de água foi maior que o verificado nos demais porque estava calor e a maioria das pessoas ficou em casa e ainda recebeu visitas por causa das eleições”, ressalta a assessora de imprensa.

O Batalha abastece as regiões das vilas Falcão, Independência e Cardia, Centro, Altos da Cidade, Vila Santa Clara e regiões dos jardins Marambá e Estoril. Esses bairros precisam economizar água pois correm o risco de ficar desabastecidos se o nível do rio não subir.

Mas Sandra frisa que o restante da cidade, apesar de receber água de poços, também deve evitar ao máximo o desperdício. “A água, está mais do que comprovado, é um recurso finito. Muitos países já sofrem com falta de água. Por isso todos devem economizar”, recomenda.

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Vilões do desperdício

• Lavar calçadas com jato d’água

• Banhos demorados

• Torneiras esquecidas abertas

• Descarga do vaso sanitário

• Vazamentos na produção e distribuição (Fonte: DAE)

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Números da água

• Rio Batalha abastece 43% da cidade (137 mil pessoas)

• Poços profundos abastecem 53% da cidade (178 mil pessoas)

• O DAE perde na produção e distribuição entre 25% e 30% da água captada

• Não há estimativa do desperdício da população (Fonte: DAE)

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Aumento da tarifa

O DAE, conforme o JC publicou na semana passada, não tem dinheiro para ampliar, modernizar e reformar a estrutura abastecimento e saneamento básico na cidade. Isso inclui explorar novas fontes de abastecimento de água. A única saída seria aumentar a tarifa (em cerca de 30%), já que não recebe repasses da prefeitura.

Com o reajuste, a autarquia elevaria a receita de 2003 dos atuais R$ 26 milhões para R$ 33 milhões. Sem aumento, ficará difícil reformar a Estação de Tratamento de Água (ETA) e explorar outro rio para abastecer Bauru.

Há pelo menos dois anos a autarquia está analisando o córrego Água Parada como outra fonte de abastecimento. A água seria captada na altura da ponte do rio Verde, a 15 quilômetros de Bauru. Para isso, entretanto, é preciso construir uma estação de captação no local.

Não há estimativas de custos, mas o DAE sabe que a obra demanda altos investimentos. Por enquanto, a autarquia não decidiu se o córrego será a outra fonte de abastecimento para a cidade. De acordo com Sandra Faria, assessora de imprensa do DAE, os estudos ainda não terminaram e também não há verbas. “A prioridade é a reforma da ETA”, explica.

O vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho entende que é preciso reajustar a tarifa de água, apesar da medida soar como politicamente incorreta. “Não há como evitar o reajuste e não adianta ficar com demagogia. Mas além do aumento, o DAE precisa buscar investimentos. A prefeitura tem que investir. Não é porque o DAE é uma autarquia que a prefeitura não investe”, finaliza.

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