Tribuna do Leitor

Não descanse muito, Mestre Landinho


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Mestre Landinho não cruzou os braços e descansou. Ante uma humanidade tão carente de aprendizado, nenhum mestre, ao que se sabe, descansa. Pode quando muito tirar umas férias até recuperar as energias num corpo mais leve, mais suave, e tal, e tal... Mas, descansar em paz, no sentido de “parar” definitivamente é coisa que recuso. Aprendi e não abro mão de que, uma vez criada a vida, ou criado o Ser Inteligente e filho de Deus, este “ser” é eterno, não cabendo a ele, nada que possa significar morte, ou “paralisia” geral. Mário Covas, outro líder que, do outro lado, já deve estar “mandando ver”, contribuindo efetivamente com a melhoria da nossa “espécie”, respondia a um repórter que perguntava sobre a saúde irreversível do governador; uma saúde que não tinha mais no que melhorar. Covas respondeu-lhe: “Como reclamar de acessórios a Quem nos deu o principal que é a vida?” Covas quis dizer que as doenças e demais obstáculos da vida são acessórios justos que devem acompanhar-nos durante o tempo em que estivermos “internados” neste “educandário divino”, sob leis rígidas, porém justas, porque o “Legislador” é a maior “Inteligência” do Universo.

Certa vez dei uma carona ao Mestre Landinho, que saía do consultório médico. Curioso, talvez como o repórter acima, perguntei-lhe: “Landinho, como você reúne tanta força para cadenciar o ritmo da sua escola, em cadeira de rodas?” E o Mestre Landinho não desafinou na resposta rápida: “Uma coisa supera a outra. O que eu gosto de fazer, tem que superar a minha deficiência de momento. Ademais, a alegria tem que superar sempre a tristeza.” Confesso não ser grande admirador de carnavais, em todos os que Landinho pôde atuar pela vida afora. Mas a maestria de Landinho vai ficar incrustada para sempre num cantinho da alma, não só do folião bauruense, mas de todos que puderam tê-lo como amigo e vê-lo como o verdadeiro filho de Deus que foi. Não descanse muito, Mestre Landinho. Estufe o peito e harmonize a nossa bateria, para que possamos abraçá-lo em breve!... (Antonio Ribeiro Corrêa - RG. 4.168.220)

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