Entrelinhas

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• Vaia tucana

A visita do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para assinar o contrato de gestão do Hospital Estadual era oficial, mas acabou se tornando um evento político. O tom de campanha começou com a vaia dos correligionários tucanos ao prefeito Nilson Costa (PPS), que declarou apoio a José Genoíno (PT) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno das eleições.

• Sem ânimo

A vaia provocou desconforto em Nilson, que não tomou a palavra. O prefeito participava com pouco entusiasmo dos aplausos da platéia à mesa tucana - da qual ele fazia parte. Quando o documento do contrato foi assinado pelo governador e todos no local se levantaram para aplaudir, Nilson permaneceu sentado.

• Diferenças

O evento reuniu figuras políticas antagônicas da região. O ex-prefeito de Agudos Afonso Condi (PSDB) veio para aplaudir o governador. José Carlos Octaviani (PMDB), na qualidade de atual prefeito, veio para uma reunião com mais 30 colegas. Ele, que apoiou Paulo Maluf (PPB) no primeiro turno, declarou que agora apóia o tucano, mas com ressalvas.

• Sem rodeios

Alckmin começou a mostrar qual será o sotaque de sua campanha no segundo turno. Os ataques diretos ao PT, antes evitados, já estão surgindo. O governador não diz que sim nem que não, mas deve mesmo concentrar seus ataques às administrações petistas. Ontem, a crítica foi endereçada a Marta Suplicy (PT), prefeita de São Paulo, a respeito do Rodoanel.

• Companheiros

Para pôr fim às especulações, o prefeito Nilson Costa (PPS) reuniu o secretariado na tarde de ontem para “determinar” o engajamento de todos na campanha dos petistas Lula da Silva e José Genoíno. “O grupo está afinado”, garante o chefe de Gabinete, Antonio Sérgio Marsola.

• Sem opção

A conversa de Nilson com os secretários foi “curta e grossa”. Ou os ocupantes do primeiro escalão seguem suas orientações políticas ou colocam os cargos à disposição. Especula-se que alguns secretários acharam precipitada a declaração de apoio do prefeito aos candidatos petistas. Mas a decisão de Nilson não tem volta, ainda mais depois das vaias tucanas.

• “Fustigado”

Segundo Marsola, não teria cabimento o prefeito direcionar seu apoio ao candidato do PSDB, já que em Bauru há um massacre sem tréguas contra a administração municipal por parte do vereador tucano Toninho Garmes. “Ele é fustigado, sempre. Se isso não ocorresse, com certeza o Nilson ficaria numa situação difícil”, analisa.

• Desde criancinha

Outro que fez questão de deixar bem clara sua postura, ontem, após provocação da coluna, foi o presidente local do PPS, Rubens Rubão de Souza. Apesar de ser “quase irmão” do deputado Arnaldo Jardim, que preside o PPS estadual e apóia Alckmin, Rubão lembra que já havia declarado, aqui mesmo no JC, no dia 8, seu apoio ao PT. “Fomos e ainda somos oposição aos tucanos”, discursa.

• Polêmica

O projeto de autoria do Executivo que eleva o limite da Prefeitura para abertura de créditos adicionais está na pauta de discussão e votação da sessão legislativa de segunda-feira. O assunto é polêmico. A bancada da oposição promete boicotar o projeto.

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