A tecnologia de reconhecimento automático de fala foi aplicada, de forma pioneira no Brasil, num Chevrolet Vectra que está no estande do Centro Universitário da Fundação Educacional Inaciana (FEI), de São Bernardo do Campo, no Salão do Automóvel 2002.
O departamento de engenharia elétrica da fundação, em parceria com o Genius Instituto de Tecnologia, de Manaus, e com a General Motors do Brasil, concebeu o primeiro automóvel do mundo com comando de voz em português.
Trata-se de um sistema ativo, gerenciado por equipamentos eletrônicos, com vocabulário que pode ser alterado para permitir a ativação de qualquer função com acionamento elétrico do veículo.
Essa tecnologia, que coloca o Brasil em posição de destaque no cenário automotivo mundial, envolve software, hardware e lógica digital reconfigurável, que permite aos comandos serem transmitidos diretamente por qualquer pessoa que esteja sentada no banco do motorista. Não há a necessidade de gravação antecipada da voz no equipamento, como ocorre com sistemas mais antigos de reconhecimento da fala.
Uma frase curta, com um verbo e um predicado preestabelecido, faz funcionar as travas das portas, o pisca-alerta, as setas de direção, os vidros, a luz interna, as lanternas, faróis (altos e baixos), assim como o sistema de ventilação, entre outros. Os itens que envolvem segurança, como acionamento dos freios e funcionamento do motor, não foram incluídos no projeto nesta primeira fase.
Caça-recorde
Outra atração do estande da FEI no Salão é o FEI X-12, veículo desenvolvido especialmente para estabelecer um recorde de economia de combustível.
Ele integra uma série de modelos científicos, composta ainda pelos FEI X-10 e FEI X-11, criada para participar da competição Mileage Marathon, que premia os que atingem as maiores distâncias com apenas um litro de gasolina. Tais provas são praticadas, principalmente, nos Estados Unidos, Japão, França e Inglaterra.
O FEI X-12 possui uma estrutura monobloco em peça única de fibra de vidro, que proporciona maior leveza e rigidez, e sistema de rodas orbitais, sem cubo e raios, já testadas nos anos 30 e aplicadas em algumas bicicletas experimentais. A idéia é fazer com que as rodas sofram forças muito pequenas no contato com o solo. Como nos seus “irmãosâ€, o X-12 possui duas rodas dianteiras e apenas uma traseira para reduzir o atrito com o piso.
O modelo mantém o mesmo comprimento - 3 mil milímetros - do anterior, mas a carroceria é mais estreita - 540 milímetros - e ligeiramente mais alta, com 710 milímetros. O motor é um Honda GX-160, monocilíndrico, com 163 centímetros cúbicos de cilindrada e potência de 5,5 cavalos, a 3.600 rpm, e torque de 1,1 kgfm, a 2.500 rpm.
A tecnologia de gerenciamento do motor é praticamente idêntica à do X-11, com uma central eletrônica que desliga o motor quando a velocidade atinge 45 km/h e volta a ligar ao baixar para 15 km/h. Essa central conta com um dispositivo instalado sob o banco do piloto que, ao sentar-se, de acordo com seu peso, permitirá adotar o melhor programa para aquele peso.
As únicas aberturas visíveis são as rodas. O motor fica escondido e não há câmbio, apenas uma embreagem centrífuga. O peso total do carro é de 35 quilos e, com isso, a expectativa dos alunos e dos professores envolvidos no projeto é conseguir ultrapassar a marca dos 1.000 quilômetros com um litro de gasolina.
O projeto do X-12 contou com a participação dos alunos Cláudio Peruche, Sérgio Capasciutti, Rodrigo Rabeque, Edson Hirano, Daniel Marastoni, Felipe Steyer e Ana Paula.