Geral

Região desmata 15 mil ha. em dez anos

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

A região administrativa de Bauru, que compreende 44 municípios, perdeu nos últimos dez anos 15.259 hectares de cobertura vegetal natural - o equivalente a cerca de 20.300 campos de futebol. O número contrapõe-se ao ganho obtido no Estado no mesmo período, em que foram recuperados 67.861 hectares de vegetação natural.

As informações são do Instituto Florestal, órgão da Secretaria Estadual do Meio Ambiente. O estudo foi realizado por meio de fotointerpretação, mapeamento e quantificação da vegetação remanescente representada por matas, capoeiras, cerrados, cerradões, campos cerrados, várzeas, mangues e restingas.

O objetivo da pesquisa é mapear a biodiversidade no Estado. Os dados são referentes ao período de 1990 e 1991 a 2000 e 2001.

O coordenador do Instituto Florestal, Francisco Kranko, explica que até 1982 houve uma diminuição acentuada da cobertura vegetal no Estado de São Paulo. Por outro lado, a partir de 1992, devido a iniciativas de recuperação, houve um ligeiro acréscimo.

No período analisado, as regiões responsáveis pelo saldo positivo são as do Vale do Paraíba, Litoral, São Paulo, Presidente Prudente e Ribeirão Preto.

Enquanto algumas regiões recuperam, outras perdem. Bauru é a quarta região no ranking das em que houve as maiores perdas. Em 1990, havia 114.649 hectares de vegetação natural. Dez anos depois, foram detectados apenas 99.390 - um decréscimo de 13,31%.

Kranko destaca que foram utilizadas as configurações das regiões administrativas de 1962, quando se iniciaram os estudos. Ela foi mantida como parâmetro de comparação com a situação atual.

Na região de Bauru, estão incluídas as subregiões de Lins, com 10 municípios, Jaú, com 12, e Bauru, com 22.

Para o diretor regional interino do Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais (DEPRN) em Bauru, Lauro Francisco Mascarin, a maior parte do desmatamento detectado na área de Bauru é ilegal. Ele afirma que o total de hectares perdidos é incompatível com os registros de desmatamentos autorizados.

“A maior parte disso deve ser desmatamento que é ilegal e não com autorização do DEPRN. Nos nossos registros, há mais áreas recuperadas do que autorizadas para desmatamento”, reforça.

Mais perdas

A região administrativa de Sorocaba foi a líder nas perdas, com um decréscimo de 48.905 hectares. Apesar de ser superior aos demais, representa um percentual de apenas 6,41% de redução, já que apresenta a segunda maior área de vegetação remanescente no Estado: 713.927 hectares.

Outras regiões que igualmente apresentaram perdas são as de Araçatuba, São José do Rio Preto, Bauru, Marília e Campinas, totalizando 73.404 hectares.

â€œÉ preciso lutar para preservar o que existe através de unidades de conservação e recuperação de áreas degradadas”, enfatiza Kranko.

O pesquisador sugere que sejam criados parques de preservação ambiental através das esferas municipal, estadual e federal. Além disso, ele destaca a importância de investimentos na área de recuperação ambiental.

Kranko aponta a conscientização da sociedade como um dos principais fatores que contribuíram para a diminuição do processo de desmatamento no Estado. Ele também afirma que os mecanismos de fiscalização do Estado tornaram-se mais eficazes.

O saldo positivo, apesar de indicar uma estabilização à tendência histórica de desmatamento no Estado de São Paulo, não significa que está tudo bem, de acordo com Kranko. “Não é motivo para festa. Se houve perdas, isso é grave”, diz.

Município

Constatação feita pelo Instituto Ambiental Vidágua em julho deste ano, conforme matérias publicadas pelo JC, indicam que o município de Bauru sofreu uma perda de 500 a 700 hectares de mata nos últimos cinco anos.

A organização não-governamental elaborou uma mapa aéreo da região de Bauru com base em imagens geradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os desmatamentos autorizados na área urbana referem-se a áreas liberadas por órgãos ambientais para fins de loteamento, como o caso do Núcleo Bauru 1 e do Jardins do Sul.

Os desmatamentos na zona rural são os de maior probabilidade de terem sido feitos ilegalmente, de acordo com Rodrigo Agostinho, membro do Vidágua.

A maior parte dos pontos de desmatamento no município foi detectada principalmente abaixo do ponto de captação de água para abastecimento de Bauru, na bacia hidrográfica do Rio Batalha.

Comentários

Comentários