Política

Herrmann coloca mandato à disposição de Bauru

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O deputado federal reeleito João Herrmann (PPS) coloca-se à disposição de Bauru e municípios da região para atuar como interlocutor no Congresso Nacional e nas representações do governo federal.

Ele foi reeleito à Câmara dos Deputados com 87.071 votos, dos quais 11 mil apurados nas urnas de Bauru e municípios de seu entorno.

Coordenador nacional de política da campanha de Ciro Gomes (PPS) à Presidência da República, Herrmann avalia que o primeiro turno das eleições foi plebiscitário. Seu partido declarou apoio ao candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

“O povo brasileiro escolheu entre o governo e o modelo que não fosse o atual. No primeiro turno, ainda havia confusão que causava essa certa volatilidade dos votos na oposição”, diz.

Na campanha do segundo turno, o parlamentar analisa que as diferenças entre os candidatos José Serra (PSDB) e o petista Luiz Inácio Lula da Silva ficaram nítidas.

“O povo brasileiro com sabedoria vê no candidato Serra o esgotamento do modelo econômico atual.” Na opinião dele, essa situação levou Lula a fazer pactos para viabilizar a governabilidade de uma eventual gestão do PT.

“O Lula está partindo para um modelo consensuado, quase que conservador. Ou seja, uma mudança com segurança. Ele já faz pactos com empresários, com o sistema financeiro, e também com a sociedade”, comenta.

“Momento rico”

Herrmann analisa que há um “momento muito rico” no mundo, que contaminou a política brasileira. “Se há um sepultamento no mundo de um modelo econômico, o Brasil participa desse funeral e faz nascer uma nova expectativa”, prevê.

Ele lembra que a América Latina passa por uma “crise brutal”. “Argentina, Peru, Bolívia, Venezuela, Uruguai, Paraguai, Colômbia. No entanto, o Brasil abafou esse caldeirão. Para o mundo, sinaliza-se a posição que o Brasil vai tomar. Isso nos dá uma responsabilidade brutal.”

O deputado do PPS acredita que se Lula for eleito presidente vai vivenciar um momento de grande importância no cenário mundial. “Não compartilho do medo, do terror, da paralisia que muitos querem colocar em relação ao Brasil”, afirma.

O parlamentar reforça que a mudança mais importante que se visualiza é a do processo político e econômico. “Esse pacto previsto para novembro e dezembro, se o Lula vencer, vai se prever o salário mínimo, rebaixamento de juros, questão do superávit primário”, explica.

Herrmann acredita que se o petista for eleito presidente provavelmente vai convencer o empresariado de que há necessidade de baixar os juros, aumentar a massa salarial e da retomada do crescimento.

“Mas ele também vai dizer aos empresários que não se poderá expandir preços. Porque ao expandir preços haverá o risco de inflação”, diz.

Aliança

Herrmann anuncia que se o candidato do PT conquistar a Presidência da República já está agendado um encontro das lideranças do PPS com a direção petista.

Na pauta da reunião, a participação do PPS no governo federal. “Eu pressuponho que, eleito, Lula deverá convidar o Ciro para compor seu ministério. Eu até já discuti isso com o Ciro, mas ele não me deu resposta.”

Em relação à resposta do PPS, o deputado diz que já tem. “Eu lutei durante 38 anos para que nós tivéssemos um governo de esquerda no Brasil. Seria contraditório se alguém, nesse momento, afirmasse que não gostaríamos de participar do governo”, antecipa.

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