Está prevista para o próximo mês a inauguração do banco postal dos Correios em Bauru. A afirmação é do presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Humberto Mota, que esteve ontem em Bauru participando de uma reunião regional. Segundo ele, o principal objetivo do projeto é oferecer serviços bancários aos mais de 45 milhões de pessoas em todo o País que não conseguem ter acesso ao sistema financeiro.
De acordo com Mota, o banco postal é um projeto em parceria com o Bradesco, que consiste em instalar uma unidade de atendimento numa agência dos Correios para oferecer todo tipo de serviço bancário.
“As pessoas poderão fazer depósitos, pagar contas, fazer aplicações, remeter dinheiro, enfim, tudo o que uma agência bancária tradicional faz. Em Bauru, o banco postal será instalado na sede central dos Correiosâ€, afirma Mota.
Até o final do ano, a meta da empresa é instalar 3 mil agências do banco postal em todo o País. Ao todo, no momento existem 1.000 unidades em funcionamento.
Segundo Mota, através desse projeto já foram abertas mais de 220 mil contas, com cerca de sete mil transações por hora. Ele destaca que além de possibilitar o acesso a serviços bancários para pessoas que estão excluídas do sistema financeiro - seja porque vivem em cidades que não possuem agência bancária ou por sua condição de baixa renda -, o projeto também canalizará para a poupança nacional os cerca de R$ 10 bilhões que atualmente giram fora do sistema financeiro.
Reformulação
Mota afirma que a reunião realizada ontem em Bauru, que sedia a diretoria regional dos Correios no Interior do estado, contou com representantes das regionais de São Paulo Metropolitana, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. O objetivo foi debater o projeto de reformulação estrutural da empresa.
Segundo Mota, a atual realidade do setor abriga a ECT em uma posição bastante confortável, de liderança. O mercado postal brasileiro é estimado em cerca de US$ 5 bilhões. A ECT seria responsável por 48% do mercado, segundo o presidente da empresa.
“O mercado postal é dividido entre o que é monopólio, onde só o Correio pode operar, e na parte de encomendas, na qual existem diversas empresas concorrendo com a ECT, inclusive multinacionais. Fora do que é monopólio, o Correio lidera em todos os segmentosâ€, destaca Mota.
De acordo com ele, recentes pesquisas feitas pela Universidade de São Paulo (USP) para avaliar qual a instituição brasileira mais respeitada teriam mostrado a ECT em primeiro lugar.
“Hoje, o índice de reclamações em relação aos serviços dos Correios é de 0,7%, sendo que diariamente a empresa entrega 35 milhões de objetos. Em volume de entregas e faturamento, a ECT é a décima segunda maior do mundoâ€, observa Mota.
Outra meta da ECT é de alcançar receita operacional de R$ 6,8 bilhões em 2005.
Internet
Ao contrário do que muitas pessoas chegaram a questionar há alguns anos, de que a Internet tornaria o correio “obsoletoâ€, a ECT tem utilizado as possibilidades tecnológicas da rede mundial de computadores para incrementar seus serviços. Além disso, no Brasil a Internet ainda gera fluxo para o correio tradicional, no caso da entrega de encomendas referentes a produtos comprados pela Web.
Um dos principais ganhos dos Correios com essa tecnologia tem sido a implantação do projeto que visa instalar terminais de acesso público gratuito à Internet em todas as cidades com mais de dez mil habitantes, o que deve consumir cerca de R$ 113 milhões.
Em Bauru, na agência central dos Correios existe um terminal de acesso público - em fase experimental - que registra uma média diária de utilização de cerca de 75 pessoas. Outros dois terminais ainda estão previstos para a cidade. A meta da empresa é de que até o final de 2003 tenham sido instalados 5,6 milhões de acessos públicos em todo o País.
O projeto do seguro postal também está previsto para ser implantado até o início do próximo ano. “Queremos abrir o mercado segurador à imensa parcela da população que não tem acesso a eleâ€, finaliza Mota.