O nível de emprego industrial na região de Bauru no mês de setembro teve uma variação positiva de 0,81% sobre agosto, o que significa um acréscimo de aproximadamente 130 postos de trabalho. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado de 2002 é melhor.
Em setembro de 2001 a variação sobre agosto foi positiva em 0,39%. Os dados são da diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), que abrange uma área composta por 17 municípios.
De acordo com o Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecom) do Ciesp, o índice de emprego industrial registrado na região em setembro foi influenciado, principalmente, pelas variações positivas dos setores de editorial e gráfica e de produtos alimentares. Respectivamente, os resultados foram de 1,94% e 0,35%. Tratam-se de setores predominantes na região por número de empregados, ou seja, os que mais influenciam na ponderação do cálculo do índice total.
Isoladamente, o setor de metalurgia também teve resultado significativo em setembro, com variação positiva sobre agosto de 2,08%. O segmento de produtos minerais não metálicos teve índice de 4,44% acima do desempenho obtido no mês anterior.
Mesmo com o resultado positivo do mês de setembro, no acumulado do ano o setor industrial registra índice de menos 1,96%, o que corresponde a uma redução média de 316 postos de trabalho. De janeiro a agosto de 2002, o único mês em que houve variação positiva (além de setembro) foi maio, com 0,52%.
As quedas mais acentuadas foram verificadas em janeiro e em julho deste ano, com variação de menos 0,71%. Nos últimos 12 meses a redução é de 2,4%, o que equivale a menos 387 trabalhadores na região no setor industrial.
Para o estado de São Paulo, o acumulado do ano é negativo em menos 3,29%. Nos últimos 12 meses o estado teve um desempenho pior que o da região de Bauru, com percentual de menos 4,47%.
Sazonal
O economista Said Yusuf Abu Lawi diz que a variação positiva do mês de setembro não aponta para uma recuperação do setor, em termos de geração de vagas. Segundo ele, o resultado positivo está diretamente ligado ao fator sazonalidade. Em função da proximidade das eleições, alguns setores - como o de editorial e gráfica e o da construção civil - são aquecidos e elevam sua produção.
“O índice de 0,81% é insignificante diante do quadro econômico recessivo que temos no País. Essa variação positiva nada mais é do que o reflexo de um determinado períodoâ€, avalia Lawi.
Ele explica que o segmento de editorial e gráfica ficou mais movimentado em função das eleições. A produção de santinhos para candidatos disputando os mais diversos cargos requer aumento do número de pessoas trabalhando nessas empresas.
“A construção civil, apesar de não ter sido citada no levantamento do Ciesp, também influenciou muito positivamente para os resultados de setembro. As obras que estão em andamento ganharam um ritmo muito mais acelerado para que pudessem ser inauguradas antes das eleições. Basta tomar como exemplo o Hospital Regional de Bauru, que gerou um número muito grande de empregos diretos e indiretosâ€, observa.
Ainda de acordo com o economista, no que diz respeito ao setor de produtos alimentares, seria normal ter um acréscimo de trabalho nessa época do ano. “Setembro é a data-base da categoria. Além disso, no caso das bebidas, por exemplo, a produção sempre aumenta entre setembro e novembro porque o consumo no final do ano é muito maior, em função das festasâ€, afirma Lawi.