Jogo aberto
Termina hoje a maior e mais democrática eleição quase geral do País nas últimas décadas, após a redemocratização. Há muito não se via uma disputa de nível tão bom, embora com certa ausência de uma discussão mais aprofundada sobre as grandes aflições nacionais.
Civilidade
O debate de anteontem, na Rede Globo - meio que ao estilo norte-americano -, retratou a civilidade com que os dois principais candidatos da atual campanha se relacionaram e, principalmente, como trataram o eleitor nestes últimos meses. Elegância é uma boa definição.
Passado limpo
E mais: não nos preocupamos, desta vez, como em outras, em tentar decifrar, a qualquer custo, quem era mais ou menos corrupto, mais ou menos velhaco. Pelo contrário, os nomes em disputa têm suas reputações inabaláveis, mesmo aqueles que ficaram no primeiro turno.
Para frente
Ponto para a democracia. Ponto para a população, que fez uma irrefutável opção de mudança no plano federal. Muniz Sodré, filósofo carioca, avalia que esta eleição ainda foi decidida pelo emocionalismo, ou seja, muito mais pelo forte desejo de mudança (e a opção foi por aqueles que a simbolizaram) e nem tanto ainda pelo debate aprofundado das soluções e rumos mais viáveis para o País. Mas a democracia avançou.
Dignidade
O comportamento do eleitor foi a prova do amadurecimento das instituições democráticas. O brasileiro não se intimidou com as “ameaças†do mercado, seja ele o externo ou o interno, e manteve sua decisão. Por certo as matrizes do poder mundial já devem ter entendido que não se tira a dignidade de um povo pela chantagem financeira.
Para história
É assim, de cabeça erguida, que 115 milhões voltam às urnas hoje, numa festa para a história, em mais uma etapa do caminho que levará o Brasil ao lugar de respeito que ele merece entre as nações. São enormes os desafios. Os que vão assumir os destinos do País deverão ter muito equilíbrio, seriedade e desprendimento.
Sem ‘eixo do mal’
A eventual vitória de Lula pode representar uma reação aos efeitos da globalização, mas não deve criar nenhum bloco de esquerda na América Latina. Esta é a avaliação do cientista político da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Abrúcio, e do professor Thomas Skidmore, um dos brasilianistas mais conhecidos nos EUA.
À distância
Eles não acham, por exemplo, que Lula vá organizar nenhuma frente com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. “Há um descontentamento com a política norte-americana para o continente, mas isso é muito diferente de uma aliança de esquerdaâ€, avalia Abrúcio.
Olhar de Cuba
Mesmo em Cuba, não chega a ser uma novidade dizer que os cubanos estão com Lula e o governo do país espera, com entusiasmo, aprofundar os laços com o Brasil num governo do Partido dos Trabalhadores, que sempre manteve ótimas relações com a ilha.
Realismo
O inusitado é ver que dirigentes e cubanos da velha guarda revolucionária encaram com bastante realismo a guinada do País para a esquerda e ninguém lá imagina que Lula fará mudanças radicais, que dirá uma revolução à moda antiga.