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• CEI das compras

Os 21 vereadores de Bauru decidiram assinar ontem o pedido de abertura de uma CEI para investigar possíveis irregularidades e falcatruas em compras e serviços contratados pela própria Câmara em 2001 e 2002. O requerimento original foi articulado por um grupo de sete integrantes. Os demais aderiram ao pedido durante a sessão.

• Roupa suja

O pedido de CEI abrange todas as compras e serviços da Casa e, em tese, autoriza a verificação de gastos que vão do cafezinho à aquisição de um veículo. Alguns dos processos em discussão já estão sob análise de sindicância ou da Promotoria. Os vereadores se sentiram expostos com as dúvidas que ainda pairam sobre possíveis irregularidades e querem dar uma resposta para a opinião pública.

• Casos conhecidos

Fora o já conhecido caso do data-show, que conta com ação judicial e processo administrativo, o pedido de CEI, a ser votado na próxima sessão, pode esmiuçar despesas, como o serviço de microfilmagem e a compra de um veículo van com ágio, fatos já noticiados pelo JC. Destes casos, o do veículo foi o menos comentado até agora.

• Cesta básica

A investigação poderá levar a outros casos. Alguns vereadores já falaram em outros gêneros, de toner de impressoras a pequenos itens de informática, de serviços de luminária a consertos elétricos. Aliás, até agora não se sabe onde está o programa Autocad atualizado adquirido no começo do ano pela Casa.

• Eqüidistância

Para ser bem sucedida, a CEI terá de ser composta por uma representação equilibrada e com membros o mais distantes possível do interesse no processo eleitoral da sucessão da presidência. A investigação terá a missão de passar pelo período de eleição da Mesa sem se deixar contaminar pelo fervor político, o que não é uma tarefa fácil.

• Alça da Camargo

O vereador Dota Jr. (PTB) - que ainda lamenta a falta de disposição de colegas em apurar adiantamentos de verba da prefeitura - acena com a possibilidade de pedir a verificação dos pagamentos e da dívida do Executivo para com a empreiteira Camargo Correa, relativos à alça inacabada do famoso viaduto.

• Fica para a CEI

Com o pedido de CEI das compras, o vereador Luiz Carlos Valle (PSB) entende que deverá ser arquivada a demanda do colega de partido José Clemente Rezende para os processos de compra direta, sem licitação, na Casa. Valle tinha sido escolhido relator do processo. Ele vai enviar o pedido para arquivo e solicitar a inclusão da verificação na própria CEI.

• “Bode expiatório”

O ex-diretor administrativo da Câmara, Luiz Renato Joel, acusado por irregularidades em compras da Casa, finalmente concordou em dar entrevista. Na página 4, ele declara estar sendo um “bode expiatório” no caso da compra superfaturada do aparelho data-show, porém, alega não saber de quem teria partido tais determinações.

• O autor do “bode”

Pode-se supor, por sua fala, que se ele foi transformado em “bode expiatório”, foi por obra e graça de alguém. Mas quem? Ou seja, se ele não é o autor das irregularidades, alguém o é. A responsabilidade por esta resposta ainda pode recair sobre o próprio Luiz Renato Joel.

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