Geral

'Caso Pedrinho prejudica adoções'

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O caso Pedrinho prejudica as adoções porque estigmatiza a mãe adotiva. É assim que pensa a psicóloga e presidente do grupo Pais Adotivos Amigos da Vitória, Maria José Barbosa De Gobbi. Por essa razão, o assunto será discutido amanhã na reunião mensal realizada pela entidade, que reúne pais adotivos e casais interessados na adoção.

“O tratamento que o caso está recebendo da mídia pode até inibir as mães biológicas que pretendem disponibilizar seus filhos à adoção. A mãe adotiva está recebendo a pecha de má, perfil que não condiz com a realidade”, explica Maria José.

De acordo com ela, ainda é nebulosa a situação que envolve Vilma Martins Costa, principal suspeita do seqüestro de um bebê, levado da maternidade 12 horas após seu nascimento, em Brasília, há 17 anos. Assim, ainda na opinião da psicóloga, seria precipitado qualquer julgamento.

“As questões judiciais foram priorizadas em detrimento à formação do menino, que deve estar confuso neste momento. Como vai ficar a cabeça deste rapaz?”, questiona ela.

Justamente por dar preferência à formação das crianças adotivas é que a reunião de amanhã também abordará outros temas, como o referente à educação.

“Vamos tratar ainda do caso Richthofen para mostrar que educar um adolescente é complicado em qualquer família e que os problemas não são peculiares aos filhos adotivos. Vamos falar de limites”, enfatiza a presidente do grupo. A filha biológica do casal Richthofen planejou a morte dos pais, conforme tem divulgado o JC.

Segundo Maria José, a cada reunião do grupo, um profissional é convidado para discorrer sobre assuntos específicos. Os temas são eleitos pelos próprios membros, que recebem orientações psicológicas e jurídicas.

“Os interessados em participar do grupo devem fazer uma ficha para nos abastecer de informações. Através dos dados, nosso contato com o Fórum fica mais fácil e menos traumático para o casal. Esse trâmite legal é necessário para que a criança não enfrente o problema pelo qual passa o Pedrinho hoje”, comenta.

O grupo teve início com cinco casais e cresceu após o encontro adoção que reuniu pais e profissionais da área, realizado no final no ano passado. Ele é aberto a novos interessados.

• Serviço

A reunião será realizada amanhã a partir das 20h na rua Anhanguera, 9-19, no Higienópolis. Mais informações pelo telefone (14) 223-0225.

____________________

Caso isolado

O caso Pedrinho é um fato isolado e as pessoas sabem disso. É o que defende a jornalista e candidata à adoção Maysa Provedello, que combate a idéia de que ele estaria inibindo novas adoções defendida pela presidente do grupo Pais Adotivos Amigos da Vitória, Maria José Barbosa de Gobbi.

“Não acho que exista uma apologia sobre o assunto. Além disso, tenho contato com várias pessoas que trabalham em abrigo e não soube de comentários desta natureza”, explica.

Apesar das divergências, elas concordam num ponto: o processo de adoção é lento.

Este ano, de acordo com dados do Fórum, cerca de 20 crianças foram adotadas em Bauru. No ano passado, o número foi de 22. Enquanto isso, 70 casais bauruenses integram o cadastro de pais interessados na adoção. Alguns deles, já são pais de criação.

Atualmente, o município não dispõe de bebês para esta finalidade, porque quando aparecem, são rapidamente adotados. Entretanto, 13 crianças de 6 a 7 anos, 14 de 10 a 11 anos, cinco portadores de HIV e nove deficientes esperam despertar o interesse de novos casais.

Outras crianças permanecem em abrigos, mas não estão disponíveis para adoção.

Comentários

Comentários