Bairros

Bauru será pólo hospitalar em 3 anos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

O mapa do atendimento médico hospitalar de Bauru está ganhando novos contornos. Nos próximos três anos, os hospitais da cidade - públicos e ligados a convênios - deverão mudar o seu esquema de atendimento, ampliando o número de vagas e, conforme afirmam os diretores das instituições, melhorando a qualidade do atendimento. O objetivo é transformar a cidade em referência no que diz respeito a tratamento médico de alta complexidade.

Um dos principais impulsionadores dessa nova realidade é o Hospital Estadual (HE) de Bauru, que está começando a funcionar na parte ambulatorial e deverá estar em pleno atendimento em outubro de 2003. “Tudo vai depender do funcionamento do novo hospital”, afirma o presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Joseph Saab.

Ele salienta que grandes mudanças estão sendo preparadas para os três hospitais que compõem a entidade - de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel.

Cada um deles terá a sua vocação de atendimento redefinida, formando uma rede de amparo aos pacientes de Bauru. “Um terá de trabalhar em conjunto com o outro, formando um grande centro de atendimento”, explica Saab.

Com a abertura definitiva do Hospital Estadual, o número de leitos públicos deverá dobrar na cidade, passando dos atuais 450 para 850. “Não vai aumentar só em quantidade, mas também em qualidade”, afirma o diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani.

Ele acredita que isso vai ocorrer porque o Hospital de Base (HB) vai conseguir se “desafogar” e ampliar o atendimento aos pacientes. “Hoje os pacientes de pronto-atendimento disputam vaga com os de cirurgias eletivas (pré-programadas). Isso não vai acontecer no futuro”, afirma.

Para o coordenador do Conselho Municipal de Saúde, José Pereia Martins, as mudanças serão positivas. “Se funcionar na prática como está programado, acredito que os pacientes terão um atendimento bem melhor”, destaca.

O Pronto-Socorro Municipal (PSM) Central será a porta de entrada para todos os hospitais da cidade. Ele fará a triagem dos pacientes, encaminhando cada caso para a instituição de direito. “Tanto o HB como o HE vão trabalhar integrados com o Pronto-Socorro Central”, explica Viviani.

Tanto é que o PSM Central já está passando por uma grande reforma, que deverá estruturá-lo para esse novo sistema de atendimento. “Essas mudanças que estão sendo feitas no Pronto-Socorro são propositais para essa integração”, salienta o diretor técnico da DIR-10.

Hospital da Mulher

Os outros hospitais que compõem a AHB também vão passar por uma série de alterações, o que vai mudar a vocação de cada um deles.

A Maternidade Santa Isabel já está recebendo novos equipamentos e passando por um processo de adequação com o intuito de se transformar em Hospital da Mulher. “Isso significa que a instituição vai ampliar o atendimento, atuando em outras áreas, como mastologia, ginecologia e tratamento da infertilidade”, frisa Viviani.

Já o Hospital Manoel de Abreu, que hoje já atua no segmento de moléstias infecciosas, vai reforçar sua vocação nesse sentido e no tratamento de oncologia (câncer).

Além disso, de acordo com Viviani, vai contar com uma ala para atendimento psiquiátrico. “Essa enfermaria será voltada para atendimentos, com permanência de até 15 dias, para casos mais agudos”, salienta.

Convênios

Além da rede pública, o atendimento hospitalar em Bauru também deverá sofrer mudanças na área de convênios. Conforme já foi noticiado pelo Jornal da Cidade, a Confederação das Unimeds está estudando a possibilidade de arrendar o Hospital Beneficência Portuguesa.

O diretor-superintendente do Hospital da Unimed (localizado na rodovia Bauru-Jaú, ao lado do Parque Santa Terezinha) José Fernando Casquel Monti, destaca que, se essa intenção se concretizar, haverá uma grande reviravolta no atendimento do convênio na cidade. “A idéia é criar um sistema hospitalar composto, que vai funcionar em rede”, explica.

Na prática, isso quer dizer que cada hospital se responsabilizaria por um tipo de atendimento. Enquanto na Beneficência seriam concentradas as urgências e emergências e medicina geral, no Hospital da Unimed ficariam centradas as cirurgias eletivas (programadas com antecedência) e as de alta complexidade. “Essa divisão de tarefas possibilitaria aumentar o número de pacientes atendidos pela cooperativa médica, atraindo pessoas de toda a região para Bauru”, define Monti.

Os acertos entre a Beneficência e a Confederação das Unimeds ainda não foram feitos. No entanto, Monti explica que esse arrendamento é de grande interesse para a cooperativa médica. “A Confederação está fazendo investimentos em todo o Estado, visando destacar seis grandes regiões de São Paulo”, ressalta.

Para a classe médica, as mudanças são encaradas como positivas. “Estamos vendo com bons olhos, esperança e espírito crítico”, salienta José Henrique de Oliveira Godoy, presidente da Associação Paulista de Medicina - Regional Bauru.

Ele acredita que o Hospital Estadual vai atrair uma grande quantidade de profissionais de fora para Bauru. â€œÉ possível que os concursos públicos atraíam muitos recém-formados, que vão disputar espaço em igualdade de condições com os profissionais já estabelecidos”, completa.

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