Cultura

Deus está por trás de Antônio das Mortes

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 1 min

“Deus e o Diabo na Terra do Sol” conta como o sertanejo Manuel, que vive sob a influência messiânica do beato Sebastião (uma alusão a Antônio Conselheiro), é levado a acompanhar o cangaceiro Corisco depois que um matador conhecido como Antônio das Mortes acaba com o beato e lhe poupa a vida. Mais tarde, Antônio também acaba com Corisco e mais uma vez deixa o sertanejo livre, agora para correr livre em direção ao mar.

O religioso e teólogo bauruense Roberto Francisco Daniel, o padre Beto, analisou o filme de Glauber Rocha sob o ponto de vista teológico em uma monografia escrita em 1998.

Para o padre, o filme é uma análise mística da vida humana. O diretor tem em Manuel a figura do homem, enquanto os outros personagens são figuras míticas, que representam os forças que dominam o sistema.

Daniel acredita que Glauber critica o messianismo de Sebastião “um processo alienante” e também o cangaço de Corisco, “anarquista e destrutivo” como as duas formas de resistência ao sistema.

O diretor joga o personagem Manuel nesses dois mundos e, ao contar a sua história, mostra o caminho do homem para uma liberdade utópica, representada pelo mar que Manuel alcança (ou é alcançado por ele) no fim do filme. A figura que “opera” essa busca humana pelo utópico, pelo transcendental é Antônio das Mortes, segundo o padre.

Em sua análise teológica de Daniel o matador é a figura misteriosa que liberta o homem e possibilita que ele atinja sua utopia. “Ele é a participação divina no processo de desalienação do homem”, diz.

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