Bairros

Marginalizados não ficam nem com sobra

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

A população carente que vive à margem da sociedade não tem acesso nem mesmo às sobras de comida fornecidas pelas empresas doadoras de alimentos.

A afirmação é da secretária municipal do Bem-Estar Social, Sandra Scriptore. De acordo com ela, os produtos são doados apenas para entidades de assistência social e muita gente não tem acesso direto a esse tipo de atendimento. “Na prática, são grupos organizados que recebem as doações. Mas muita gente que passa fome não está ligada a esses grupos”, salienta.

Ela não sabe calcular quantas pessoas estariam à margem dessa assistência social, mas lembra que 25% da população de Bauru vivem abaixo da linha da pobreza. “Bauru é muito extensa e há pessoas que vivem longe, que não procuram ajuda de instituições e não têm como se manter”, destaca.

Ela salienta que desconhece se existe alguma alternativa que chegue direto a essas pessoas isoladas da sociedade. “Eu não sei se existe alguém que faz doações diretamente para as famílias, de forma constante. Isso ocorre esporadicamente”, salienta.

Sandra não soube informar porque o programa de Reciclagem de Alimentos “Alimenta Bauru” não foi adiante. “Me parece que ele não foi muito bem analisado e nem explicado e não sei dizer em que pé ele está agora”, afirma.

Ela lembra que várias entidades da cidade são atendidas através de doações feitas por empresas de alimentação. Até mesmo o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) acaba contribuindo com essas instituições. “Quando faz aferição nos produtos e encontra irregularidades, eles nos procuram para checar as entidades idôneas para que seja feita a doação”, destaca Sandra.

Mesmo sem ter número para ilustrar, a secretária lembra que a quantidade de pessoas que reviram lixos atrás de comida não é muito grande na cidade. “A maioria está atrás de produtos recicláveis para vender”, diz.

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