Anos atrás, quando o Corinthians, após o jejum de 23 anos, venceu um Campeonato Paulista, o corintiano Dom Paulo Evaristo Arns escreveu um artigo congratulatório intitulado “Carta de dom Paulo aos corintianosâ€, inspirando-se, quem sabe, em São Paulo, que há 2.000 anos escreveu duas cartas aos coríntios. Como é de meu feitio, lembro-me bem que, na época, apresentei publicamente os mais efusivos e sinceros parabéns aos vencedores.
A exemplo do caro amigo dom Paulo, passo a escrever uma carta aos meus sofridos companheiros palmeirenses, neste momento em que estamos envoltos numa grande tristeza desportiva provocada pelo descenso do clube para a segunda divisão. A propósito, é oportuno frisar que a “segundona†é merecedora de todo respeito desportivo, igualmente vibrante, envolvente e densa de emoções como a primeira.
Sem desdenhar a “segundonaâ€, é claro que os palmeirenses, como também muitos desportistas não passionais de outras agremiações, estejam lamentando esse descenso. A propósito, enalteço esses não palmeirenses pelo seu gesto de solidariedade.
Caro torcedor palmeirense, assim como a nossa vida, a vida de um time é também tecida de momentos alegres e tristes, de euforia e frustração, de vitórias e de revezes. Nosso time, com seus 88 anos de existência, tem uma história honrosa e bonita: quatro vezes campeão do Brasileiro, uma vez da Libertadores e da Copa Brasil, duas vezes do Troféu Carranza (na Espanha), sem falar dos vários Campeonatos Paulistas, e outras competições em que se sagrou vencedor.
Escreveu alguém: “A segunda divisão pode não ser nada agradável para um clube grande, mas também pode significar a hora de esse clube reencontrar a grandeza perdida e voltar à primeira mais forte aindaâ€. O descenso não é, portanto, nenhuma catástrofe!
O momento deve ser encarado com realismo, com humildade e esperança. Que os principais responsáveis pela condução do clube reconheçam seus erros e falhas e tenham a grandeza de espírito de se desculparem junto aos entristecidos torcedores. Que falhas e erros cometidos sejam devidamente esclarecidos e corrigidos. Em clima de união, concórdia e colaboração, diretores, associados, jogadores e torcedores poderão fazer surgir um Palmeiras mais forte, mais vibrante e empolgante.
Para os palmeirenses deixo um pensamento bíblico válido para todas as circunstâncias da vida humana: “Há uma esperança para o teu futuro†é o brado do sofredor profeta Jeremias, encorajando seu povo abatido e vencido. (Jr 31, 17)
Da esperança sempre surgem sementes que germinam, florescem e frutificam. Que a cor verde-esmeralda do time seja símbolo de esperança que vença a tristeza e faça surgir novos e promissores dias, certamente portadores de muita alegria para os fiéis torcedores palmeirenses! (Frei Lourenço M. Papin, OP)