Política

Sucessão na Câmara está indefinida

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A eleição do próximo domingo que vai indicar o novo presidente da Câmara Municipal para o biênio 2003/2004 ainda é uma incógnita. Faltando apenas uma semana para a escolha, é possível afirmar, hoje, que qualquer um dos 20 vereadores com direito a disputar o cargo – o atual presidente, Walter Costa (PPS), está impedido de ser reeleito – agrega condições de ser o eleito.

A vitrine negativa em que se transformou o Poder Legislativo, aplacado com uma série de denúncias de irregularidades, ofusca as articulações de bastidores e forçará decisões de última hora, embora, tradicionalmente, a eleição da Mesa Diretora se configure como um jogo de xadrez, com lances decisivos até os últimos momentos.

São candidatos assumidos os vereadores José Carlos Batata (PT), Renato Purini (PV), Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) e José Humberto Santana (PV), que lançará oficialmente seu nome à disputa na sessão legislativa de amanhã. Mas há outros nomes sendo ventilados por fora, que poderão surpreender. Um deles é o de Faria Neto (PDT). Majô Jandreice (PC do B) também surge como uma das opções.

Batata tenta aglutinar forças em torno de seu nome. Ensaiou uma aproximação com o prefeito Nilson Costa (PPS) depois da última eleição, no qual o PPS de Bauru apoiou as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República e de José Genoíno (PT) ao governo do Estado. A cúpula do Palácio das Cerejeiras, no entanto, vê com desconfiança seu comportamento na Câmara.

Na mesma situação encontra-se a vereadora comunista Majô. Embora seja ilustre freqüentadora do Palácio das Cerejeiras e tenha conquistado, nos últimos tempos, a simpatia do prefeito, também é vista com olhar clínico pelos nilsistas mais conservadores, que olham a foice e o martelo – símbolos do PC do B – como ferramentas sorrateiras.

Luz verde

O verde Renato Purini é o mais cotado no grupo dos 12 – bloco de vereadores que tentam, em consenso, apoiar um nome à presidência do Legislativo. O grupo teve sua origem na eleição de Walter Costa e Roberto Bueno (PTB) como vice-presidente. Perdeu dois membros – Santana e Rodrigo Agostinho (PMDB) -, mas ganhou, até o momento, mais um (Majô).

Mas o grupo está mais para um racha do que para o consenso. Na noite da última quinta-feira, foi realizada uma reunião para discutir, mais uma vez, a sucessão da Câmara. Dos 12, apareceram somente seis. E dos seis, o ponto relevante foi a discórdia, que prevaleceu do começo ao fim da reunião.

Dos 12 parlamentares, cinco apóiam Purini – inclusive ele mesmo. Outros dois até fecham em torno de sua candidatura, mas acham que o risco de perder a eleição é grande. Há uma tradição na Casa de que quem deve presidir a Mesa Diretora não deve ser marinheiro de primeira viagem, ou seja, vereador de primeiro mandato. Outros dois vão seguir o que decidir o grupo.

Correndo por fora para amealhar forças estão o pefelista Martins Neto, o pedetista Faria Neto e – o que poderá ser uma surpresa de última hora – Edmundo Albuquerque (PPS), homem de confiança do prefeito Nilson Costa no Poder Legislativo. Os sinais de fragilidade do grupo dos 12 poderá favorecer as candidaturas de oposição à administração municipal.

Além de Batata, Santana tenta aglutinar consenso em torno de seu nome. Parlamentares da bancada oposicionista trabalham discretamente para arrastar pelo menos mais dois colegas de plenário para o grupo. A manobra visa desfalcar o grupo dos 12 e viabilizar, com isso, a eleição de um nome da bancada.

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