Pesca & Lazer

História de Pescador: Aventura piscosa


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“Começo minha “história” dizendo que não sou aquele pescador apaixonado, com maleta de tralha e tudo mais. Sou mais um admirador da natureza, porém vou contar esta aventura, que apesar de cansativa, foi inesquecível. Várias vezes fui a esse rancho no Paranazão, em Castilho, com várias “equipes”, desta vez, fomos eu, o “Guto” (Silvio Augusto Grisinsk do Espírito Santo) e “Fernandinho” (Fernando Roberto Mendes Swenson). Resolvemos ir de trem.

Pegamos o trem em Bauru, por volta de 10h, chegamos lá às 16h, falando um pouco da viagem, que delícia! Que saudade! Foi um dos meus últimos passeios de trem e foi maravilhoso desfrutar dessa viagem, apesar da velocidade baixa. A demora até chegar a Castilho, mas a paisagem pelas janelas grandes e os passageiros (cada um com seu “estilo”) compensavam.

Então, tivemos a primeira dificuldade. Não levamos tralha, pois no rancho havia muitas coisas que iríamos precisar. Tudo estava em um baú que o pai do Guto tinha em seu quarto. Levamos mochilas com bolachas, chocolate e um tanque de combustível cheio (20 litros) para o motor de popa, que foi descoberto pelo cobrador, que nos deu uma bronca e exigiu que jogássemos fora a gasolina na próxima estação. Porém, após uma conversa entre “brasileiros”, tudo foi resolvido e ele liberou.

Chegamos a Castilho e após meia hora andando pelas ruas centrais da cidade, começamos a ficar desesperados para arrumar uma carona, pois o rancho ficava a 35 quilômetros da cidade. Quando já estávamos na saída da cidade, uma caminhonete parou em frente a uma loja de pesca e dois senhores adentraram na loja para comprar algo. Foi aí que entramos e oferecemos nosso rancho para a pescaria deles. Graças a Deus, eles acharam uma boa idéia e nos deram carona.

Chegando lá foi aquela recepção calorosa. Os senhores da caminhonete, de tanto tomar cerveja, nem pescaram. No rancho já se encontravam os pescadores, Antonio, pai do Guto, Saul Rocco, Clóvis do posto, Borro (Stefano Americo), e o Washington, irmão do Guto. Ficamos no rancho por três dias, e naquela época, em 1985, o rio Paraná era lindo, o rancho ficava em frente a ponta da Ilha Comprida com águas limpas e piscosas.

A maior parte do dia ficávamos passeando de bote, nadando, caminhando pelos outros ranchos, jogando bilhar e tomando tubaína em um barzinho próximo. Até fizemos amizade com um morador da ilha, o qual pusemos o apelido de “eremita”, pois morava sozinho em uma cabana de sapé sem energia elétrica.

Ele salgava os peixes. Até fizemos uma ameaça de caçada de jacaré junto com o “eremita”. Mas fomos surpreendidos por um rebanho de búfalos no meio da lagoa e o barco do eremita, que era feito com um teto de Kombi e o remo uma vara de bambu, por sorte conseguimos escapar.

Pois bem, vamos à pescaria. Por incrível que pareça, nós pegamos a maior quantidade de peixes do que os “velhos”. Somente iscando um espinhel em frente ao rancho, pegamos barbados, mandiúvas, armal e um dourado de mais ou menos 50cm, que foi motivo de briga entre os velhos na hora da divisão dos peixes.

O retorno foi um transtorno e, como a história está muito comprida, vou resumi-la. Pegamos um ônibus circular em frente ao rancho que passava por várias fazendas com aquele conforto nota 10. Depois, a primeira baldeação, de Castilho a Andradina, a 2ª de Andradina a Araçatuba, onde almoçamos e assistimos na TV da rodoviária, o fim da corrida de F-1 onde Airton Senna ganhou o GP de Portugal debaixo de chuva com a Lotus preta.

Depois o ônibus quebrou em Lins. Resultado, após parar em várias cidades e sairmos do rancho às 7h, chegamos em Bauru às 18h, mas repito: valeu a pena o passeio pescaria. (Ricardo Fernandes Grassi é contador de histórias)

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