Economia & Negócios

Empresas locais conquistam o Exterior

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

O agronegócio de Bauru voltado para a exportação está chegando ao mercado europeu por vias inusitadas. Atualmente, a cidade está vendendo frutas tropicais desidratadas para a Inglaterra e avocado (uma espécie de abacate) para países da Europa em quantidades consideráveis.

Para o secretário municipal de Agricultura, Cynise Pereira Leite, a região de Bauru - cujo nome significa “cesto de frutas” - é bastante propícia para o cultivo de frutas. â€œÉ o que nós pregamos: Bauru tem aptidão para a fruticultura. Vamos procurar vender o nosso trabalho, fazendo também polpa de frutas, sucos”, defende.

Leite ressalta que o objetivo da secretaria é incentivar as indústrias de processamento e frutas. “A questão é agregar valor aos nossos produtos, e não só exportar a fruta in natura. Ao industrializá-la, nós estamos exportando trabalho, impostos recolhidos aqui”, diz.

Nesta semana, a empresa Tropical Passas, de Bauru, exportou 4,5 toneladas de frutas desidratadas para a Inglaterra. Em agosto, já havia sido enviada uma remessa menor para Portugal. “Aquele (para Portugal) foi um trabalho experimental. A idéia de veio de um brasileiro que vive lá e que viu o potencial do produto naquele mercado”, conta o engenheiro agrônomo Ricardo Alexandre Paschoal, sócio da empresa.

Diferencial

O diferencial da empresa é que as frutas exportadas são, principalmente, tropicais. Banana, abacaxi, manga e mamão, entre outras, foram os itens que chamaram a atenção do distribuidor inglês que solicitou a remessa. Em breve, a empresa lançará uma espécie de “rocambole” de frutas tropicais secas - um mix vitamínico que já tem destino certo: a Europa.

“A fruta seca agrega valor ao produto, que traz mais benefícios à saúde, é mais leve, substitui o doce, pode ser consumido por pessoas que tem restrições”, diz a engenheira agrônoma Maria Cecília Vasconcelos Paschoal, sócia do marido Ricardo na empresa. Para a produção especial, a empresa, que tem três funcionários, teve que trabalhar com dez.

Segundo a agrônoma, o quilo de fruta seca custa cerca de 20 vezes mais que o quilo do mesmo produto in natura. Um quilo de mamão seco, por exemplo, custa R$ 30,00, mas são necessários 16 quilos da fruta para produzi-lo. Na outra ponta, o quilo da banana desidratada sai por R$ 8,00, mas exige “apenas” sete quilos do produto in natura para sua fabricação.

Além disso, a produção é “ecologicamente correta”, pois as partes não utilizadas das frutas - como a casca - são destinadas à ração bovina e suína. Para a remessa exportada para a Inglaterra (4,5 toneladas), foram utilizadas 50 toneladas de fruta in natura. “A gente não tem perda e não tem problema de poluição, porque o processo de produção não exige nada que vá trazer algum desequilíbrio”, revela Maria Cecília.

Se o mercado inglês aprovar as frutas tropicais desidratadas, o produtor rural da região também ganha. Há fornecedores de todas as frutas exportadas pela empresa num raio de 200 quilômetros de Bauru, com exceção do mamão, que é exclusivo da Bahia. “A idéia é termos um volume razoável de exportação, para, na seqüência, firmarmos com produtores locais um escalonamento de produção”, planeja a agrônoma.

No Brasil, a empresa, que existe há cinco anos, é a única fornecedora de frutas secas para uma das maiores redes nacionais de supermercados.

Mercado interno

Em Bauru também está instalada, há 20 anos, a única empresa exportadora de avocado do Brasil, a Jaguaci. A fruta é uma espécie de abacate, porém menor e mais consistente, utilizada em saladas e pratos quentes. Por ano, são exportadas 120 mil caixas de quatro quilos de avocado para Espanha, Suíça, França, Alemanha e Suécia. Em média, cada caixa custa US$ 2,00 no mercado externo.

De acordo com um dos sócios da empresa, o engenheiro agrônomo Vítor Falanghi Carvalho, o desafio da empresa atualmente é ganhar o mercado interno. Desde 1996, 40 mil caixas de avocado - ou 20% da produção total - são voltadas para o consumo brasileiro. “Estamos batalhando para que o consumidor nacional adquira o hábito de consumo desse produto”, diz Carvalho.

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