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Selic em 25%: furaram previsões


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A maioria dos analistas ouvidos no início deste ano previa uma taxa Selic na casa dos 15% ao ano, com juros reais abaixos de 10% ao ano na virada de 2002.

O Banco Central brasileiro acabou de aumentar a taxa de juros para 25% ao ano. Se a inflação ficar na casa dos 10%, teremos um juro real de 13,6%.

As previsões furaram. Teremos inúmeras justificativas, mas o certo mesmo é que prever qualquer coisa no Brasil, por mais que sejam utilizados modelos econométricos, é uma verdadeira loteria. Esse tal de mercado quando quer, impõe.

Quanto à taxa em 25% ao ano, podemos considerar uma “bela herança” deixada pelo governo FHC. Na verdade, a equipe econômica atual confirmou o que fez nesses últimos anos: tentar segurar a inflação com política monetária apertada.

Tecnicamente podemos até considerar que o juro neste patamar abre espaço ao novo governo para cuidar com calma da inflação, sem que crie logo de cara uma imagem negativa com o mercado (melhor ao PT que o atual governo eleve os juros), contudo, joga por terra toda a possibilidade de vislumbrarmos um crescimento da economia para o ano que vem acima de 3%.

O engessamento da atividade econômica será inevitável e somente com muito esforço poderemos evitar o desacelerador do investimento.

Lamentável um governo entregar o País do ponto de vista econômico nessas condições, uma vez que forçou a sociedade a inúmeros sacrifícios, entre eles o endividamento e a perda de poder aquisitivo.

Muitas empresas foram forçadas a se adaptar a esse novo momento de inflação baixa, sendo que algumas sucumbiram, outras perderam massa crítica, e agora, o tal mercado exige mais juros para que tudo siga de forma “tranqüila”.

Sinceramente, eu esperava uma virada de ano, no tocante aos juros internos e controle de inflação, diferente do que estamos presenciando.

Por fim, fica uma expectativa: que todo esforço da sociedade seja considerado neste novo governo e que a política econômica não se resuma ao rígido controle da política monetária. (O autor, Reinaldo Cafeo, é delegado do Corecon, economista, mestre em Comunicação, e-mail: cafeo@neobiz.com.br)

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