Cultura

Irineu Bastos relembra V. Falcão

Simone Simões
| Tempo de leitura: 4 min

A feira-livre da Vila Falcão não terá só frutas, verduras, legumes e pastéis hoje. Um evento inusitado vai mudar um pouco a rotina do lugar. O pesquisador histórico e escritor Irineu Azevedo Bastos, estará na quadra 12 da rua Carlos de Campos, às 10h, com o músico José da Costa Filho, para lançar o seu livro “Falcão/Independência: Nossa Gente e Nossa História”. Isso mesmo, lançamento de livro e apresentação musical na feira.

A idéia de realizar o evento na feira da Vila Falcão surgiu porque a história do livro envolve todo aquele território. Bastos relata que a feira é um “happening” imediato de eventos diversos, ou seja, é tido como algo que cria situações ou eventos que revestem de aura poética e fantástica os elementos da vida e da tecnologia cotidiana, como registra o Dicionário Oxford de Arte.

Desde o início do século 20, os artistas reivindicam um papel atuante na sociedade e tendem para uma relação mais direta e mais física com o público. Foi nesse contexto que surgiu o “happening”, como fase lógica de uma busca de comunicação entre “a arte e a vida”. Segundo o artista norte-americano Allan Kaprow, ao nascer nos EUA, nos anos 50, o “happening” era a festa do instante realizada com pouquíssimos recursos, entre amigos, em qualquer espaço (apartamento, garagem, rua, etc.).

O livro discorre sobre quase 100 anos de história do Distrito de Vila Falcão (vila tipicamente ferroviária, que a partir de 1918 incorporou-se ao perímetro urbano de Bauru). Segundo Bastos, o nome do lugar foi dado pelo sobrenome da família que loteou e, como a Vila Quaggio, nasceu espontaneamente a partir do assentamento dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, em 1905.

O autor lembra que, em 1921, com a inauguração das oficinas da Noroeste, a vila passou a um rápido desenvolvimento e atraiu grande número de pessoas para nela trabalhar que acabaram residindo no local. Em 1936 foi criado o Distrito da Paz. “As fronteiras iniciam no Rio Batalha, passam pela cabeceira do córrego Água de Ressaca, indo até a sua foz, no Rio Bauru e seguindo por esse rio, encontra o córrego da Grama, seguindo até a sua nascente até o espigão do Água Parada com o Rio Batalha”, explica.

Nos anos 50 a vila tomou outro rumo, pois a Instituição Toledo de Ensino (ITE) e a Fundação Educacional de Bauru instalaram-se nos seus altos. Segundo Bastos, isso acelerou o progresso. Foi nessa época também que a Vila Independência começou a expandir. O autor conta que sua mola propulsora, gerando muito emprego, foi o Moinho Santista que hoje acolhe, na Quinta Ranieri, as Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

A história do livro engloba vários bairros, como as vilas Nipônica, Independência, Jardim Ferraz, Ouro Verde, Ipiranga, Quinta Ranieri, Pacífico, Industrial, Dutra, Celina, Alto Paraíso, Giunta e tantas outras. Além disso documenta a vida dos primeiros comerciantes do local (as famílias Polido, Bastos, Fabiano, Pereira, etc.), os primeiros ferroviários, os loteadores pioneiros (Plínio Ferraz, João Cotuba, Daniel Pacífico, Salvador Filardi, etc.).

Se o território do distrito da Vila Falcão está demarcado, o tempo não segue ordem cronológica, entrelaçando no seu conteúdo fatos e situações que encontram no acaso, por força da memória do autor e de depoimentos colhidos. A obra revela um passeio sentimental pelo território e recorda das enchentes da Avenida Alfredo Maia, das casas comerciais do passado, do Cine São Raphael, o cartório, a Igreja São Benedito, a feira-livre defronte à Praça Epitácio Pessoa, o 2º Grupo escolar de Bauru - onde revela o nome dos mais de 100 alunos nele matriculados em 1925.

Junto ao seu desenvolvimento territorial, o livro registra a história dos seus templos religiosos, do futebol amador (Fortaleza, Ordem e Progresso, Falcão, Sambra, Liceu Noroeste, Independência e tantos outros), basquete e da Escola de Samba Mocidade Independente. Contém 153 biografias de cartorários, radialistas, jornalistas, poetas, funcionários, artistas, religiosos, esportistas, carnavalescos, sitiantes e fazendeiros, militares, professores, advogados, juizes de direito, prefeitos, deputados e outras atividades profissionais.

A segunda parte do livro revela os políticos da Vila Falcão e sua influência nas decisões da comunidade bauruense. “Entre outros estão Euclydes Paixão, Irineu Bastos (pai do autor), Sérgio Roberto Purini, Paulo Agustinho, Paulo Eduardo Martins, Antonio Izzo Filho e Osmar Polido”, lembra o autor, que discorre sobre a retomada democrática iniciada em 1946 e divulga um estudo interessante sobre os vereadores mais votados de Bauru.

• Serviço

Lançamento do livro “Falcão/Independência: Nossa Gente e Nossa História” e apresentação musical com o músico José da Costa Filho. Hoje, às 10h, na feira-livre da Rua Carlos de Campos, quadra 12, na Vila Falcão. Apoio cultural Jornal da Cidade, supermercados Confiança, FIB, ITE e Secretaria de Cultura e Prefeitura de Bauru.

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